Adultos

Lição 8 - Despedida em Éfeso: entre lágrimas e alertas IV

ASSEMBLEIA DE DEUS EM MUNDO NOVO - BA

PORTAL ESCOLA DOMINICAL

TERCEIRO TRIMESTRE DE 2026

Adultos - A IGREJA DOS GENTIOS: Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos

COMENTARISTA: Wagner Tadeu dos Santos Gaby

COMENTÁRIO: PR JOSAPHAT BATISTA SOARES

LIÇÃO Nº 8 – DESPEDIDA EM ÉFESO: ENTRE LÁGRIMAS E ALERTAS

INTRODUÇÃO

- Mileto durante sua terceira viagem missionária, registrada em Atos dos Apóstolos, capítulo 20. Sabendo que não os veria mais e que prisões o aguardavam em Jerusalém, Paulo fez um discurso marcante sobre fidelidade, vigilância e o amor ao evangelho.

I - TEXTO BÍBLICO Atos 20.17-25,36-38.

I - DEFINIÇÃO DO TERMO "DESPEDIDA" NOS ORIGINAIS BÍBLICO

- Hebraico

שִׁלּוּם (shilum) - forma hebraica

- Grego

ἀποχαιρετισμός (apochairētismos) - forma grega

- Aramaico

שִׁלּוּם (shilum) - forma aramaica

1 - Etimologia

- A palavra 'despedida' em hebraico, 'שִׁלּוּם' (shilum), deriva da raiz 'ש-ל-ם' (Sh-L-M), que significa 'paz', 'completar' ou 'terminar'. Essa raiz é fundamental na cultura semítica, onde o conceito de paz está intimamente ligado à ideia de conclusão ou despedida. No grego, 'ἀποχαιρετισμός' (apochairētismos) é uma combinação do prefixo 'ἀπό' (apo), que significa 'de' ou 'fora', com 'χαίρω' (chairō), que significa 'alegrar-se'. Portanto, a palavra sugere uma saída que é ao mesmo tempo um momento de alegria e tristeza. Em aramaico, a palavra 'שִׁלּוּם' (shilum) retém o mesmo significado, refletindo a interconexão das línguas semíticas. A evolução dessas palavras mostra como, em diferentes contextos culturais e históricos, a despedida não é apenas um ato de separação, mas também de bênção e desejo de paz. Assim, a etimologia das palavras revela a profundidade dos laços humanos e a importância das relações, mesmo nas despedidas.

2 - História da Palavra

- A primeira ocorrência da ideia de despedida em textos bíblicos é encontrada nas interações entre personagens, como em Gênesis 31:55, onde Labão se despede de Jacó. Aqui, a despedida é envolta em um contexto de tensão e resolução, refletindo as complexidades das relações familiares. Ao longo do Antigo Testamento, despedidas como as de Moisés e os profetas são momentos significativos que marcam transições e encerramentos de ciclos. No Novo Testamento, em passagens como Atos 20:37-38, a despedida de Paulo em Éfeso é repleta de emoção, simbolizando não apenas a separação física, mas também a continuidade do ministério e a esperança de reencontro. A despedida é um tema recorrente, destacando a importância dos laços comunitários e a expectativa de um futuro. Diferentes autores bíblicos, como Paulo, utilizam a despedida para reforçar a fé e encorajar os seguidores, mostrando que, mesmo nas separações, a comunidade permanece unida em espírito. A compreensão moderna dessas despedidas enfatiza a relevância emocional e teológica dessas passagens, aprimorando nosso entendimento sobre a dinâmica das relações humanas e a espiritualidade na Bíblia.

III - DESPEDIDA EM ÉFESO : ENTRE LÁGRIMAS E ALERTAS

- Após uma passagem marcada por milagres, prodígios e maravilhas, bem como pela conversão de várias pessoas a Cristo, é chegada a hora do apóstolo partir de Éfeso. Antes da sua saída, Paulo reúne os líderes da igreja em Éfeso e exorta a respeito do cuidado com o rebanho, a vigilância em relação aos falsos ensinamentos e a preservação da sã doutrina. Os pastores de Éfeso deveriam manter as Escrituras Sagradas como centralidade de seu ministério. Eles deveriam seguir o exemplo do próprio apóstolo Paulo quanto ao zelo pela são doutrina e com o bom testemunho cristão (At 20.28-31). Deveriam estar aptos para lidar com os contradizentes, ensinando com sabedoria e mansidão. Conforme discorre o Comentário do Novo Testamento — Aplicação Pessoal (CPAD), “Paulo esquematiza a filosofia do ministério que os pastores e os líderes da igreja deveriam seguir aconselhando estes bispos de Éfeso a olhar (cuidar) — em primeiro lugar, por si mesmos, e também pela igreja. Embora Paulo provavelmente tivesse escolhido e treinado a maioria deles, a força motriz por trás de tudo era, sem dúvida, o Espírito Santo. Aqueles que conduzem o povo de Deus devem conservar uma vigilância atenta sobre si mesmos e sobre o rebanho. A liderança (anciãos, pastores, diáconos) estaria na primeira linha de ataque do inimigo (os ‘lobos’ mencionados no versículo seguinte). Antes que o rebanho possa ser protegido, os pastores devem proteger a si mesmos! Estes líderes também deveriam apascentar a igreja de Deus. Eles deveriam conduzir, orientar, proteger, alimentar e ajudar o rebanho a crescer para que cada um atingisse o seu potencial pleno (Sl 23; Ef 4.11; 1Pe 5.1-4)” (Volume 2. 2009, pp.717,718). Assim, de modo geral, Paulo instrui os líderes de Éfeso a construírem um ministério sólido, consistente na fé e vigilantes, frente aos perigos impostos pelas perseguições ou mesmo pelos falsos ensinos que tentariam enfraquecer o compromisso dos efésios para com a fé apostólica. Vale dizer que as lições do apostolado de Paulo transpassam todas as gerações da igreja, e quanto mais se aproxima o Dia da Volta de Cristo, mais preparados, vigilantes e cuidadosos os pastores e líderes precisam estar à frente do rebanho. Este cuidado abrange a sua vida pessoal, familiar, profissional e a relação com as pessoas ao seu redor. Quantos pastores e líderes estão naufragando na fé porque não cuidam de si mesmos e, consequentemente, não estão aptos para cuidar do rebanho de Deus. Além das pressões relacionadas à vida eclesiástica, abandonam o zelo para com a família e a saúde mental. O exemplo de Paulo é muito atual e deve ser observado pelos líderes das igrejas de nossos dias. Afinal de contas, estamos vivendo os tempos trabalhosos de que tanto o apóstolo dos gentios falava (2Tm 3.1).

IV - O DISCURSO DE DESPEDIDA DO APÓSTOLO PAULO

(Atos 20:17-38).

- Porque já Paulo tinha determinado passar ao largo de Éfeso, para não gastar tempo na Ásia. Apressava-se, pois, para estar, se lhe fosse possível, em Jerusalém no dia de Pentecostes. E de Mileto mandou a Éfeso, a chamar os anciãos da igreja. (Atos 20:16-17).

1 - Paulo se despede

- Pentecostes (At 20:16) era comemorado cinquenta dias depois da Páscoa dos judeus, e Paulo já havia gastado doze desses dias em sua viagem de Filipos a Trôade (At 20:6). Uma vez que o apóstolo levou mais quatro dias para chegar a Mileto, decidiu não passar por Éfeso a fim de não perder mais tempo valioso. Antes, convidou os líderes da igreja de Éfeso a viajarem cerca de 50 quilômetros e se encontrarem com ele em Mileto. Paulo não era de perder tempo nem de desperdiçar oportunidades. A consciência que Paulo tinha, de que não voltaria à Ásia, levou-o a aproveitar a última oportunidade de falar aos líderes da igreja, antes de partir para Jerusalém com a probabilidade de detenção de prisão ali.

- No que diz respeito a Atos, este discurso é a despedida de Paulo das igrejas, embora ainda seja ouvida a voz dele frequentemente no restante do Livro, nas suas defesas diante dos judeus e dos romanos. Seu discurso aos presbíteros de Éfeso é singular, uma vez que mostra Paulo não como evangelista ou defensor da fé, mas como pastor. A preleção, portanto, contém os elementos que seriam de se esperar no tipo de discurso de despedida familiar naqueles tempos. Vejamos, então os conselhos que o apóstolo deixa e que lições tiramos disso.

V - PAULO ACONSELHA OS ANÇIÃOS

1. Compromisso com a Vontade de Deus (Atos 20:17-27)

Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus. (Atos 20:24). As palavras do apóstolo Paulo sobre seu compromisso em cumprir a carreira, ou seja, a vontade de Deus para ele, foram como flechas nos corações dos anciãos de Éfeso. Neste versículo Paulo está falando de seu comprometimento e o quanto valorizava o projeto de Deus para sua vida do que qualquer projeto próprio nesta terra. Mas, essas palavras tinham também um propósito de comover os anciãos a fazerem o mesmo, seguindo o exemplo do apóstolo. Portanto, a primeira lição desse texto, é sobre o compromisso que precisamos ter em fazer a vontade de Deus.

OBS: ARGUMENTAÇÃO MINISTERIAL - O PRESBÍTERO “O ofício de ancião ou presbítero (presbyteros) é um dos mais comuns na igreja. Esse ofício é baseado no modelo dos anciãos da sinagoga judaica. Paulo e Barnabé designaram presbíteros em todas as igrejas logo na sua primeira viagem missionária (At 14.23). Tiago instrui os enfermos a chamar os presbíteros da igreja para estes orarem por aqueles (Tg 5.14).” Amplie mais o seu conhecimento lendo o Dicionário Bíblico Baker, editado pela CPAD, p.365.

2. Compromisso com a igreja (Atos 20:28-32)

Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho (Atos 20:28-29). Primeiramente, Paulo aconselha os anciãos a terem cuidado de si próprios, mas logo acrescenta que deviam cuidar da igreja. Paulo lembra que foi o Espírito Santo quem os constituiu para apascentar a igreja de Deus. E os adverte que após sua partida, entrariam no meio deles lobos cruéis. Como servos de Deus chamados pela sua graça, devemos ter cuidado com a igreja do Senhor. E não podemos esquecer, que, nosso compromisso começa em casa com a nossa família.

OBS: ARGUMENTO PASTORAL - “ACONSELHAMENTOS PASTORAIS . [...] Paulo demonstrou seus motivos espirituais, despertando os presbíteros a cumprirem fielmente seus ministérios. ‘Olhai pois por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue’ (ver Jo 21.15; At 13.2; 1Pe 5.1,2). Seria um grande pecado negligenciar o povo de Deus, comprado a tão alto preço. Paulo adverte sobre dois perigos. Primeiro, contra a intrusão de falsos mestres, chamados ‘lobos cruéis’. Estes vivem às custas do rebanho e não em prol dele (Ap 2.1,2). Segundo, contra os que causariam separações na igreja, ensinando doutrinas contrárias às Escrituras (Rm 16.17,18; 1Tm 3.6; 2Tm 1.5; 1Jo 2.26; 4.1,3,5). Quanto à vigilância do rebanho, Paulo cita seu próprio exemplo (v.31). O ditado conhecido diz: ‘A eterna vigilância é o preço da liberdade’. Este cuidado também é necessário para a união espiritual dos membros da Igreja.” (PEARMAN, Myer. Atos: A Igreja Primitiva na força e na unção do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, pp.209,210).

3. Compromisso com a “frutificação” para o Reino de Deus (Atos 20:33-38)

- Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos, e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber. (Atos 20:35). Veja como Paulo valorizava as palavras de Jesus repetindo-as em seus ensinos. Nestas suas últimas palavras de despedida aos anciãos de Éfeso, o apóstolo se encontra muito comovido. E, por isso, suas palavras saem carregadas de emoções. Paulo aconselha aos anciãos “de ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem o vestuário” e ainda diz “tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos” (v.33). Ou seja, Paulo estava dizendo que, a missão deles não era “receber, mas sim “dar”. Em outras palavras, eles não deviam ser uma árvore que não produz frutos. Todos nós somos como uma árvore que Deus plantou aqui na terra afim de produzir frutos, mas quando não produzimos, estamos apenas ocupando um espaço.

“O ALTRUÍSMO DE PAULO . ‘De ninguém cobicei a prata, nem o ouro, nem o vestido’. Paulo contrasta seu exemplo com o dos falsos obreiros, que atraem discípulos atrás de si mesmos, visando ganhos (1Tm 6.5-10; Rm 16.17,18; 2Pe 2.14,15). Paulo não permitiu que a mínima cobiça obscurecesse sua visão das almas necessitadas. Não permitiu que nenhum interesse em ouro ou prata diminuísse sua paixão pelas almas. As ações de Paulo confirmaram seu testemunho: ‘Vós mesmos sabeis que para o que me era necessário a mim, e aos que estão comigo, estas mãos me serviram.’” (PEARMAN, Myer. Atos: A Igreja Primitiva na força e na unção do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, p.210).

VI - A REAÇÃO DOS ANÇIÃOS ANTE OS CONSELHOS DE PAULO

…havendo dito isto, pôs-se de joelhos, e orou com todos eles. E levantou-se um grande pranto entre todos e, lançando-se ao pescoço de Paulo, o beijavam, Entristecendo-se muito, principalmente pela palavra que dissera, que não veriam mais o seu rosto. E acompanharam-no até o navio. (Atos 20:36-38). A resposta aos conselhos de Paulo não poderia ser melhor, houve muito choro entre os anciãos que receberam as palavras do apóstolo. Como reagimos aos conselhos de Deus na sua palavra? Será que estamos valorizando cada lição deste tão precioso livro, a bíblia sagrada? Que possamos refletir nisso! Biografia: Comentário Expositivo – Warren W. Wiersbe.

Bibliografia

- Bíblia Cronológica

- Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa

- Apontamentos Teológicos do autor

- https://www.estudantesdabiblia.com.br/licoes_cpad/2017/2017-02-05.htm

- SERMONPRON

- Comentário Expositivo – Warren W. Wiersbe.

Comentário: Pastor Josaphat Batista – Pr. Presidente da Assembleia de Deus em Mundo Novo-Ba. Pós-graduado em Docência do Ensino Superior - Bacharel em Teologia convalidado pelo MEC – Pós-Graduando em História, Membro da academia Pré-Militar (ACPMB) – Pós-Graduando Ciências da Religião (Famart) – Pós-Graduado em Filosofia, Teologia e História (Facudade KENNEDY) - Juiz de Paz (CONAJ), Graduando História (Facuminas), Formação da Alfabetização da Língua Grega (Koiné), DIRETOR do CTEC VIDA CRISTÃ (Centro Teológico de Educação e Cultura), – Autor da Revista de Estudo Bíblico acerca de João Batista – Autor da Revista acerca de Absalão, Autor dos Livros: 1000 Esboços Bíblico para Sermões, Evidências Reais do Apocalípse - Escatologia Bíblica Panorâmica, A ação do Espírito Santo de Gênesis a Apocalipse - Conferencista, Seminaristas, Escritor e fundador dos Congressos EBD no Campo de Camaçari-Ba. Fundador do canal Ministério da Escrita. Aproveite e estude cursos gratuitos no CTECVIDACRISTA.COM e comentários anteriores das Lições Bíblicas EBD. Ver outros comentários (anteriores) do trimestre em vigor no Site: www.portalebd.org

COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - PR. JOSAPHAT BATISTA

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