ASSEMBLEIA DE DEUS TRADICIONAL NO AMAZONAS
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
TERCEIRO TRIMESTRE DE 2026
Adultos - A IGREJA DOS GENTIOS: Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos
COMENTARISTA: Wagner Tadeu dos Santos Gaby
COMENTÁRIO: EV. ANTONIO VITOR DE LIMA BORBA

LIÇÃO Nº 5 – CRISTO ENTRE OS FILÓSOFOS: O DEUS DESCONHECIDO SE REVELA
Nesta lição, encontramos o apostolo Paulo em contato direto com a cultura helenística. Ao chegar em Atenas, cidade conhecida como o berço cultural e filosófico do mundo antigo, o apóstolo depara-se com pessoas que, apesar de possuírem alto nível intelectual, encontravam-se entregues à idolatria. O estado da cidade comoveu o coração de Paulo. Ao observar os detalhes das cidades gregas, nota-se que eram configuradas e adaptadas para atender ao comércio, à cultura e à religiosidade tradicional herdada de seus ancestrais.
O Objetivo deste comentário é contribuir para o preparo de sua aula, e apresentar um subsídio a parte da revista, trazendo um conteúdo extra ao seu estudo. Que Deus nos ajude no decorrer desta maravilhosa lição.
CONTEXTO HISTÓRICO, CULTURAL E RELIGIOSO DE ATENAS
Atenas foi a primeira cidade-estado da Grécia desde o século V a.C. Mesmo depois de integrada ao império romano, guardava com orgulho a sua independência intelectual e também se tornou uma cidade livre. Gabava-se de sua rica tradição filosófica, herdada de Sócrates, Platão e Aristóteles. Tinha uma reputação inigualável como a metrópole intelectual do Império. Atenas era uma cidade gloriosa. Qualquer visitante que chegasse nessa cidade nos tempos de Paulo olharia com espanto seus ricos monumentos, seus esplêndidos palácios, seus templos dedicados aos deuses e as glórias de sua tradição.
Atenas possuía uma grande influência intelectual na época, e não somente isso, apesar de possuir muitos homens cultos, ela estava banhada na idolatria. A variedade de deuses encontrados ali fazia com que Atenas de destacasse como um grande pólo politeísta à época, com uma grande banana de idolatria.
Havia mais deuses em Atenas do que em todo o resto do país. Eram inúmeros templos, santuários, estátuas e altares. No Parthenon encontrava-se uma imensa estátua de Atena feita de ouro e mármore. Em toda parte se viam imagens de Apoio, o padroeiro da cidade, de Júpiter, Vênus, Mercúrio, Baco, Netuno, Diana e Esculápio. Todo o panteão grego estava ali, todos os deuses do Olimpo. E as imagens eram lindas, feitas de ouro, prata, marfim e mármore, construídas pelos melhores escultores gregos.
A promiscuidade também era um dos elementos encontrados em Atenas. A prostituição era um dos cartões de visita daquela cidade, que muitas vezes estava associada a sua religiosidade.
A proliferação de muitas poleis na Grécia com limitados bolsões de terras agrícolas, criaram assentamentos ferozmente independentes, cada um dedicado à sua divindade patronal e tradições ancestrais. Algumas cidades como Atenas e Corinto, foram abençoadas com um ponto alto de terra, a acrópole da cidade. Todos tinham ágoras [praças] para atividades comerciais e públicas, incluindo uma prytaneion (Pritaneu) ou prefeitura e um bouleuterion, ou casa para o conselho eleito. Todas as cidades tinham muros, com exceção de Esparta, que se valia de seu formidável exército. Quase todas as cidades tinham estoas ou pórticos colunados, teatros em encostas e ginásios para exercícios e palestras.
Destaque
É nesse cenário marcado pela filosofia e religiosidade mitológica e obscura, cega pela prostituição e imoralidade, que Paulo inseriu a pregação do Evangelho. De forma estratégica, ele utiliza o altar reservado ao “Deus desconhecido” para anunciar que há um Deus verdadeiro, criador dos céus e da terra, que enviou Seu Filho a este mundo, não para condená-lo, mas para mostrar-lhe o caminho do arrependimento para salvação (At 17.30). O exemplo de Paulo ensina que a mensagem do Evangelho é, de fato, transcultural, não está limitada às barreiras impostas pelas culturas, costumes ou tradições étnicas deum povo específico. Sempre haverá espaço na sociedade para a pregação da verdade que liberta e transforma o ser humano em nova criatura. Isso não significa que a igreja tenha de negociar os princípios doutrinários elencados nas Sagradas Escrituras. Mas Deus, por seu amor e graça, soube utilizar seu servo, o apóstolo Paulo, dentro da cultura de seus dias e por meio do conhecimento que possuía para alcançar vários corações que entenderam a mensagem do Evangelho e receberam Jesus como Salvador. Este mesmo Deus, a partir das nossas habilidades e conhecimentos seculares, pode também nos levar a lugares específicos para transmitirmos, seja pelo diálogo com a cultura local ou mesmo pelo nosso testemunho cristão, muitas vidas a Cristo (Mt 28.19,20).
OS FILÓSOFOS EPICUREUS E ESTÓICOS (AT 17.18-21)
Outro grande desafio encontrado por Paulo em Atenas foi a oposição dos epicureus e dos estoicos. Ambos ouviram o discurso de Paulo e suas pregações, contudo, se destacaram como opositores que confrontavam a Paulo publicamente.
Os epicureus não acreditavam na vida após a morte nem em julgamento final. Criam que o fim principal do homem era o prazer. Pregavam o acaso, a fuga e o prazer. O lema dos epicureus era: ... comamos e bebamos, porque amanhã morreremos (ICo 15.32). […] Os estoicos eram materialistas, panteístas, fatalistas, apáticos ao sofrimento humano e defensores da visão cíclica da história. Acreditavam no determinismo cego. Pregavam a fatalidade, a submissão ao destino irreversível e a importância de suportar a dor. Na filosofia estóica não há esperança. Não adianta lutar nem clamar. Não há para onde correr. Todos estão entrincheirados por um destino cego e implacável. Essa cosmovisão gesta o desespero e dá à luz o conformismo. Os dois primeiros líderes da escola estóica cometeram suicídio.
Contudo, em meio ao embate entre Paulo e os filósofos, foi decidido que ele deveria ser levado ao Areópago para assim defender a sua mensagem. Essa condição foi uma grande porta aberta ao apóstolo, que o permitiu anunciar o evangelho na presença de muitos, e assim pregar a mensagem de salvação a uma classe mais intelectual.
Destaque
Depois de quase dois mil anos, vivemos hoje também numa sociedade hedonista. As pessoas vivem para o prazer imediato. Não querem pensar; querem apenas sentir. Buscam emoções e vivem apenas para o hoje. Não querem pensar na eternidade, no destino da alma, no encontro inevitável que terão com Deus. […] A Palavra de Deus nos mostra que é possível mudar. E possível recomeçar. E possível sair do cativeiro e ter uma nova vida em Cristo. Tanto os epicureus como os estoicos estavam equivocados. Os epicureus diziam “Aproveite a vida”, enquanto os estoicos diziam “Aguente a vida!”. A Palavra de Deus nos ensina a viver a vida na presença de Deus, mediante o poder de Deus e para a glória de Deus.
O DISCURSO DE PAULO NO AREÓPAGO
A presença de numerosos templos, ídolos e altares em Atenas dava a Paulo um excelente ponto de contato, não obstante ele próprio se sentisse totalmente ultrajado pela idolatria dessa cidade (17.16). A partir do altar ao deus desconhecido, Paulo anunciou aos atenienses religiosos o Deus vivo que eles não conheciam.
Paulo aproveita essa grande brecha para proclamar sobre o Deus Todo Poderoso, alguém cujo filósofos e pensadores atenienses jamais conheceram. Ele apresenta a grandeza de Deus e como Ele os convida a uma nova vida de arrependimento e fé, mostrando assim que os intelectuais também precisam ouvir falar sobre Cristo.
Os epicureus, que também eram ateus, afirmavam que tudo era matéria e que a matéria sempre existiu. Os estoicos, que eram panteístas, diziam que tudo era Deus, o “Espírito do Universo”. Os epicureus alegavam que Deus não existia, e os estoicos defendiam que tudo era Deus. Paulo, porém, pregou em Atenas tanto a transcendência como a imanência de Deus. Deus não está distante nem separado da criação; não está cativo nem preso a ela. Deus é grande demais para ser contido em templos feitos por mãos humanas (lRs 8.27; Is 66.1,2; At 7.48-50), e ao mesmo tempo solidário o suficiente para cuidar das necessidades humanas (17.25). Paulo coloca a revelação no lugar da filosofia e contrasta o monoteísmo com o panteísmo estoico.
Destaque
A matéria não é eterna como pensavam os gregos. O mundo não resulta de uma explosão cósmica, nem é fruto de milhões e milhões de anos de evolução. Paulo declara em Atenas, a capital intelectual do mundo, que Deus fez o mundo e tudo o que nele existe (17.24). O livro A origem das espécies, de Charles Darwin, publicado em 1859 em Londres, contém nada menos do que oitocentos verbos no futuro do subjuntivo: “suponhamos”. A evolução é uma suposição improvável, uma teoria falaz. Tanto o macrocosmo quanto o microcosmo denunciam as incongruências da teoria da evolução. A ciência prova que o universo foi feito de matéria e energia. Prova também que o universo é governado por leis. De igual forma, atesta que matéria e energia não criam leis. Logo, alguém acima, fora e distinto do universo as criou. Deus criou do nada tudo o que existe. Chamou à existência as coisas que não existiam. Ele é distinto da criação, mas está presente na criação. E transcendente sem deixar de ser imanente (17.25). Criou o imensamente grande e o indescritivelmente pequeno. Há mais estrelas no firmamento do que grãos de areia em todos os desertos e praias do nosso planeta. Deus criou cada uma delas, as conhece e as chama pelo nome (Is 40.26).
COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - EV. ANTONIO VITOR LIMA BORBA
