Reflexões

A fealdade da cruz

NEY GOMES*

A FEALDADE DA CRUZ

Ney Gomes

“Teknia fulaxate eauta apo twn eidwlwn” (I Jo 5. 21 – Nestle- Aland 26th).

Se o Cristianismo tem algo de feio e horrendo, João pode dizer que foi testemunha disso. Não posso descrever a intensidade de seus sentimentos frente à barbárie de todo aquele processo. Uma realidade que ele tentava lançar para fora de si, mas, que estava encharcada demais por lágrimas; para ser agarrada. É preciso dizer que toda a beleza do Cristianismo está fundamentada sobre a feiura de um acontecimento.

Jesus foi morto com morte MATADA, e as imagens geradas disso, não são ideais para gravuras de livros infantis e paredes qualquer (Jo 18. 10). A última advertência de João é também um conselho para não negarmos que aquilo aconteceu como aconteceu. Na idolatria tudo é bonito demais. Jesus tem olhos azuis, sua roupa é de um bordado seu igual; Ele está sempre estiloso, seus cabelos longos são de dar inveja a muitas nobres madames. Os lugares onde está são sempre ensolarados e de paisagens maravilhosas.

A idolatria transforma símbolos sagrados em ouro e homens comuns em ídolos. De imagens, entende a igreja de Roma, mas de ídolos, a igreja evangélica já alcançou marca insuperável (2020 – a igreja evangélica do RJ dentro desse insuperável é imbatível). Já acusei em outro texto que existe hoje uma liderança monástica nos dirigindo o destino (esse texto é de 2011). Isso é, líderes que só saem de casa para celebrar culto e nada mais. Mas, também já existe uma liderança pontifícia, isso é, inerrante, infalível e inefável (inefável, por ser maravilhosa demais). Há também a liderança cardinal. Um tipo de autoridade para dezenas, centenas e milhares. Sendo esse último, o que mais se aprecia no Brasil hoje (e eu disse isso em 2011). Jesus era um homem simples, que atendia pela nomeação mais comum àqueles que ensinavam (Jo 3. 2). Sempre parava para ministrar a idosos, mulheres e crianças. E isso lhe era comum em todo o tempo. Em passado não tão distante, um pastor era pastor independentemente do tamanho de seu rebanho.

Mas hoje, isso é inadmissível. Pastor, só é alguém que lidera alguns algarismos (três casas no máximo!). O que tenho visto hoje tem mais haver com Herodes. Aparições cheias de pompa, em rede nacional, com séquito impecável. Tudo isso para tirar do povo essa confissão: "É voz de um deus, e não de homem!". Pobre deles! Logo, conhecerão a glória dos vermes! (At 12. 21- 23).

Ao terminar sua carta, João faz uso da memória mais poderosa que guarda em seu coração. Para afirmar, assim como Paulo, o forte desejo de Jesus em ser reconhecido em figura de homem. Mais uma vez, ele só, faz menção de um fato. O de Maria Madalena não ter reconhecido Jesus à beira do sepulcro (Jo 20. 16). Para afirmar que mesmo sendo Deus, não teve por desejo o ser igual a Deus. Se a imagem fosse mais importante que a credibilidade, não teria Ele se livrado dos hematomas e feridas que lhe deformavam o rosto e o corpo? (Jo 20. 27).

No entanto, sua aparição se deu com uma atitude de amor e inclusão (Jo 20. 17). E assim, Jesus criou a instituição mais poderosa da terra. E a idolatria e os ídolos destroem esse ideal. O que importa é ter amor e atitude pastoral (atitude pastoral significa oferta de cuidado). E amar é uma coisa que pau, pedra, ouro, LCD, PLASMA E LED não podem fazer. Por isso dizer-lhes a mesma coisa não é cansativo para mim e é uma segurança para vocês: Cuidado com os ídolos! Cuidado com a midiática-idolatria!

Ney – Verão. 09 de Fevereiro de 2011.

"Se trabalhamos e lutamos é porque temos colocado a nossa esperança no Deus vivo". 1 Timóteo 4.10

COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - PR. NEY GOMES

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