Adultos

Lição 1 - Abraão: seu chamado e sua jornada de fé V

ASSEMBLEIA DE DEUS - IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM PERNAMBUCO

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SEGUNDO TRIMESTRE DE 2025

Adultos - HOMENS DOS QUAIS O MUNDO NÃO ERA DIGNO: O legado de Abraão, Isaque e Jacó

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato de Lima

COMENTÁRIO: SUPERINTENDÊNCIA DAS EBD'S DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS EM PERNAMBUCO

 

LIÇÃO Nº 1 – ABRAÃO: SEU CHAMADO E SUA JORNADA DE FÉ

INTRODUÇÃO

Nesta lição, abordaremos alguns aspectos importantes da vida do patriarca Abraão. Inicialmente, estudaremos o seu chamado; em seguida, destacaremos a sua obediência a Deus; e, por fim, analisaremos como sua trajetória revela uma vida marcada por contínuo aprendizado na caminhada com o Senhor.

I - INFORMAÇÕES SOBRE O PATRIARCA ABRAÃO

A história de Abraão ocupa um lugar central na revelação bíblica, pois marca o início de uma nova etapa na história da salvação. Chamado por Deus para deixar sua terra, sua parentela e a casa de seu pai, Abrão inicia uma jornada que exigia confiança absoluta na promessa divina, mesmo sem conhecer o destino final. Esse chamado não representava apenas uma mudança de lugar, mas uma ruptura com a segurança do passado e um passo de fé em direção ao propósito de Deus. Contudo, sua caminhada não foi isenta de dificuldades, pois ao longo do percurso enfrentou crises, fome, conflitos e até momentos de fraqueza espiritual. Ainda assim, por meio dessas experiências, Deus moldou o caráter do patriarca e revelou que a verdadeira fé se constrói na obediência, na dependência do Senhor e na perseverança diante das provações. Vejamos algumas informações sobre a vida deste patriarca de Israel.

1.1 Origem e identidade de Abraão (Gn 11.26–28; 17.5). Abrão nasceu em Ur dos Caldeus (Gn 11.27–28), importante centro urbano da antiga Mesopotâmia, pertencente à região da Suméria. Segundo Cabral (2002, p. 5), Ur possuía intensa movimentação mercantil e atividade social significativa, características que indicam o ambiente cultural no qual Abrão foi criado. O nome Abrão, mencionado inicialmente na narrativa bíblica, significa “pai elevado” ou “pai das alturas” (Gn 11.26). Posteriormente, no contexto da aliança estabelecida por Deus com o patriarca, seu nome foi mudado para Abraão, cujo significado é “pai de uma multidão” (Gn 17.5). Essa mudança não possui apenas valor nominal, mas carrega profundo sentido teológico e profético, pois aponta para o cumprimento da promessa divina de que ele se tornaria o pai de uma numerosa descendência.

1.2 Ascendência e família de Abraão (Gn 11.10–31; 12.5). Abraão era descendente direto de Sem, filho de Noé, pertencendo assim à linhagem semita apresentada na genealogia de Gênesis 11.10–26. Ele era filho de Terá, figura que ocupa posição importante na transição entre as genealogias pós-diluvianas e o início da história patriarcal. A inclusão dessa genealogia no relato bíblico não é meramente informativa, mas demonstra a continuidade da história da redenção iniciada após o dilúvio, culminando posteriormente na linhagem messiânica apresentada no Novo Testamento (Lc 3.36). No âmbito familiar, Abrão era casado com Sarai (Gn 11.29). A Escritura destaca que ela era estéril (Gn 11.30). Posteriormente, no contexto da aliança divina, Deus também mudou o nome de Sarai para Sara, cujo significado é “princesa” (Gn 17.15). Assim como ocorreu com Abraão, essa mudança de nome expressa a participação dela no cumprimento do propósito divino, indicando que a promessa da descendência seria concretizada por meio dela.

II - DEUS CHAMA ABRAÃO

O chamado de Abraão marca um dos momentos mais importantes da história bíblica. Deus se revela a Abrão e ordena que ele deixe sua terra, sua parentela e a casa de seu pai para seguir em direção a uma terra que ainda lhe seria mostrada (Gn 12.1-4). Esse chamado exigia uma ruptura profunda com sua vida anterior, pois Abrão nasceu em Ur dos Caldeus, uma cidade importante da antiga Suméria, marcada pela prosperidade comercial e pela presença da idolatria (Gn 11.27-28). Portanto, obedecer ao chamado de Deus significava abandonar não apenas um lugar, mas também um contexto cultural e religioso que se opunha ao propósito divino.

2.1 A fé de Abrão diante do chamado (Gn 12.1). A ordem divina foi clara, Abrão deveria sair de sua terra, de sua parentela e da casa de seu pai para uma terra que Deus ainda lhe mostraria (Gn 12.1). Humanamente falando, essa decisão envolvia grande risco, pois Abrão não possuía qualquer informação detalhada sobre o destino da jornada. Sua única referência era a promessa de Deus. Ainda assim, ele decidiu obedecer. A Escritura afirma que Abrão partiu “como o Senhor lhe havia dito” (Gn 12.4). Essa atitude revela que a fé verdadeira se manifesta na obediência. Abrão confiou na palavra divina mesmo sem conhecer todos os detalhes do caminho, demonstrando que a fé caminha baseada na confiança no Deus que chama.

2.2 A promessa para Abrão (Gn 12.2-3). Junto com o chamado, Deus apresentou uma promessa extraordinária. O Senhor declarou que faria de Abrão “uma grande nação”, engrandeceria o seu nome e faria dele uma bênção para todas as famílias da terra (Gn 12.2-3). Essa promessa possui um alcance muito maior do que a vida do próprio patriarca, pois aponta para a formação do povo de Israel e, de maneira profética, para a vinda do Messias. O contraste com a história de Babel é evidente. Enquanto os homens tentaram fazer um nome para si mesmos (Gn 11.4), Deus afirma que Ele mesmo engrandeceria o nome de Abrão por causa de sua obediência.

2.3 As bênçãos de Deus para Abrão. A promessa divina revelava que Deus não apenas chama, mas também abençoa e sustenta aqueles que confiam nele. O Senhor prometeu proteger Abrão, abençoar aqueles que o abençoassem e amaldiçoar os que o amaldiçoassem (Gn 12.3). Contudo, a bênção recebida por Abrão tinha um propósito maior: ele deveria ser um instrumento de bênção para outras pessoas. Essa promessa alcança seu cumprimento pleno em Cristo, pois todos os que creem participam da mesma promessa feita ao patriarca. Assim, Abraão se torna o modelo de fé para todos aqueles que confiam nas promessas de Deus.

III – A OBEDIÊNCIA DE ABRÃO A DEUS

Depois de receber o chamado divino, Abrão demonstrou que sua fé não era apenas teórica, mas prática. A Escritura afirma que ele partiu conforme o Senhor lhe ordenara (Gn 12.4). Essa atitude revela que a verdadeira fé se expressa por meio da obediência. Mesmo sem conhecer plenamente o destino da jornada, Abrão decidiu confiar na palavra de Deus e seguir o caminho que lhe foi apresentado. Entretanto, sua caminhada também revelou momentos de fragilidade e processos de aprendizagem espiritual, mostrando que a fé amadurece ao longo da jornada.

3.1 Atendendo ao chamado (Gn 12.4-5). Abrão respondeu positivamente ao chamado divino e iniciou sua jornada rumo à terra que Deus prometera mostrar. A Bíblia afirma que ele saiu de Harã levando consigo sua esposa Sarai, seu sobrinho Ló e todos os bens que haviam adquirido (Gn 12.4-5). Essa decisão demonstra que Abrão confiou na promessa de Deus mesmo sem possuir todas as respostas. Ele deixou para trás segurança, estabilidade e sua terra natal para caminhar pela direção do Senhor. Esse episódio ensina que a fé verdadeira não depende de garantias humanas, mas da confiança na palavra de Deus.

3.2 Um descuido na obediência (Gn 11.31; 12.5). Apesar de sua disposição em obedecer, Abrão não seguiu o chamado divino de forma totalmente completa. Deus havia ordenado que ele deixasse sua parentela, porém Abrão levou consigo seu sobrinho Ló (Gn 12.5). Esse detalhe revela que, muitas vezes, a obediência humana pode ser parcial. A presença de Ló posteriormente geraria conflitos entre os pastores de ambos e exigiria uma separação entre eles (Gn 13.7-9). Esse episódio mostra que carregar “bagagens” que Deus nos pede para deixar pode trazer dificuldades no caminho da fé.

IV - UMA VIDA DE APRENDIZADO COM DEUS

A estrada da maturidade da fé é um teste constante, no qual as pressões da vida cooperam em forma de “provações” (Tg 1.2), as quais quando enfrentadas com fé e perseverança, nos tornam “maduros e completos” (Tg 1.4). Deus permite circunstâncias adversas a fim de que aprendamos algumas lições. Eis algumas lições que Abraão aprendeu:

4.1 Aprendeu renunciar (Gn 12.1-3). Não foi fácil para Abraão sair de sua terra, de sua parentela e da casa do seu pai. Na verdade, apesar da exigência divina de lhe pedir tal renúncia, ele levou consigo seu pai e também seu sobrinho (Gn 11.31; At 7.2-4). No caminho, seu pai faleceu e seu sobrinho lhe trouxe grandes problemas (Gn 11.32; 13.7; 14.12-14). Abraão aprendeu que não é bom caminhar com aquilo que Deus pede para nos desvencilharmos (Mt 10.37; 16.24,25).

4.2 Aprendeu a depender (Gn 12.10-20). Ao chegar na terra que por Deus foi mostrada e nela encontrar dificuldades, Abraão deveria buscar a Deus sobre como deveria agir nessa situação. Na verdade, a sua própria voz falou mais alto e ele desceu ao Egito afim de garantir sua sobrevivência. Esta descida quase resultou num grande desastre familiar, senão fosse a intervenção divina. Abraão reconheceu que agiu precipitadamente e saiu do Egito retornando para o lugar que Deus lhe dissera (Gn 13.1-4). É melhor estar na dificuldade com Deus do que na facilidade fora da vontade divina (1Pe 3.17).

4.3 Aprendeu a confiar plenamente na promessa de Deus (Gn 22.1–14). Um dos momentos mais marcantes da vida de Abraão ocorreu quando Deus lhe pediu que oferecesse seu filho Isaque em sacrifício no monte Moriá (Gn 22.1-2). Esse pedido representava uma prova profunda de fé, pois Isaque era o filho da promessa, aquele por meio de quem Deus havia declarado que a descendência de Abraão seria estabelecida (Gn 21.12). Mesmo diante dessa situação extremamente difícil, Abraão demonstrou confiança absoluta na palavra de Deus. A Escritura relata que ele se levantou de madrugada e seguiu para o lugar indicado pelo Senhor, revelando prontidão em obedecer (Gn 22.3). Segundo o testemunho do Novo Testamento, Abraão cria que Deus era poderoso até para ressuscitar seu filho dentre os mortos (Hb 11.17-19). No momento decisivo, Deus proveu um cordeiro para o sacrifício (Gn 22.13-14), ensinando ao patriarca que o Senhor sempre provê para aqueles que confiam plenamente em sua palavra. Essa experiência fortaleceu ainda mais a fé de Abraão e reafirmou que a verdadeira confiança em Deus permanece firme mesmo diante das provas mais difíceis.

CONCLUSÃO

A vida de Abraão revela que a fé verdadeira é demonstrada na obediência a Deus, mesmo quando o caminho não está totalmente claro. Ao longo de sua jornada, o patriarca enfrentou desafios, falhou em alguns momentos, mas também aprendeu a confiar cada vez mais na promessa divina. Sua história mostra que Deus forma o caráter de seus servos através das provações. Assim, Abraão permanece como exemplo de fé para todos os que decidem caminhar confiando na palavra do Senhor.

REFERÊNCIAS

• CABRAL, Elienai. Abraão: as experiências de nosso pai na fé. CPAD.

• LINDSAY, Gordon. Abraão: o amigo de Deus. GRAÇA EDITORIAL.

• SWINDOLL, Charles. Abraão: um homem obediente e destemido. MUNDO CRISTÃO.

• STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: https://redebrasiloficial.com.br/licao_ebd.php Acesso em 31 de Mar de 2026

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