ASSEMBLEIA DE DEUS - IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM PERNAMBUCO
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
SEGUNDO TRIMESTRE DE 2025
Adultos - HOMENS DOS QUAIS O MUNDO NÃO ERA DIGNO: O legado de Abraão, Isaque e Jacó
COMENTARISTA: Elinaldo Renovato de Lima
COMENTÁRIO: SUPERINTENDÊNCIA DAS EBD'S DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS EM PERNAMBUCO

LIÇÃO Nº 10 – A EXPERIÊNCIA TRANSFORMADORA DE JACÓ
INTRODUÇÃO
Na lição, definiremos os termos “experiência” e “transformadora”; explicaremos como se deu a fuga de Jacó; seu sonho em Betel; a surpresa de Jacó após o sonho e a coluna em Betel; falaremos sobre a surpresa de Jacó após o sonho; e por fim; notaremos as lições espirituais da coluna em Bete.
I – DEFINIÇÕES
1.1 Experiência. O dicionarista Houaiss (2011, p. 1287) define o termo experiência como “ato de experimentar, conhecimento adquirido por prática, estudo ou observação” ou ainda “forma de conhecimento abrangente, não organizado, ou de sabedoria, adquirida de maneira espontânea durante a vida”.
1.2 Transformação. Ainda segundo o dicionarista Houaiss, o termo deriva-se do verbo transformar, e significa “aquilo que se transforma, que toma uma nova forma, que se tona diferente do que era”. Pode significar também “se converter” ou “mudar”. (2011, p. 2750). A experiência transformadora de Jacó fala se de sua mudança de caráter. Ela não ocorreu em uma única ocasião, mas, teve início quando estava fugindo da presença do seu irmão Esaú.
II – A FUGA DE JACÓ PARA HARÃ
“Como era de esperar, Esaú odiou Jacó por haver lhe tomado a bênção e planejou matar o irmão assim que Isaque morresse (Gn 27.41), mas Rebeca descobriu seu plano (Gn 27.42). Depois de tramar para Jacó receber a bênção, agora planeja uma estratégia para salvar a vida do filho. Suas palavras sobre perder os meus dois filhos num só dia se referem ao fato de que a morte de Isaque seria seguida imediatamente da morte de Jacó (Gn 27.45b). Rebeca sabia onde Jacó poderia permanecer em segurança. Ele teria de ir para a casa de Labão, tio de Jacó, em Harã (Gn 27.43; cf. Gn 24.29,50; 25.20). Rebeca manteria Esaú sob observação na esperança de que o tempo o faria esquecer a farsa do irmão. Quando fosse seguro voltar, ela chamaria Jacó (Gn 27.45a) [...]. Em seguida, Isaque despediu Jacó com suas bênçãos, pedindo a Deus para lhe dar filhos (Gn 28.3) e a posse da terra de Canaã que o Senhor havia prometido aos descendentes de Abraão (Gn 28.4). Jacó partiu para Pada-Arã, à casa de Labão, filho de Betuel, o arameu, irmão de Rebeca, mãe de Jacó e Esaú (Gn 28.5).” (Adeymo, 2012, p. 53).
III – O SONHO DE JACÓ E O INÍCIO DE SUA TRANSFORMAÇÃO
No caminho para a casa de Labão, Deus deu a Jacó um sonho maravilhoso a fim de animá-lo e firmar sua fé para que não vacilasse nos longos e duros anos vindouros. Na visão, a escada simbolizava que existia uma comunicação entre o céu e a terra. Jacó tinha o céu aberto. Deus ouviria suas orações e o ajudaria. Os anjos subiam e desciam pela escada como mensageiros e ministros do governo de Deus sobre a terra. [...] O Senhor confirmou a Jacó as promessas da aliança que seu pai havia feito ao abençoá-lo. Prometeu-lhe que o acompanharia, guardaria e traria de volta à terra prometida. Estaria com ele de forma ativa e contínua. Isto não significava que o Senhor aprovaria tudo quanto Jacó fizesse, mas que o acompanharia para levar a cabo completamente seu elevado propósito nele.” (Hoff, 2012, p. 86). Vejamos:
3.1 O sonho de Jacó (Gn 28.12-17). O sonho de Jacó não foi natural, mas sobrenatural. Tratou-se de uma manifestação divina por meio da qual Deus lhe trouxe revelação e direção. A Bíblia registra diversos outros episódios em que Deus falou através de sonhos, concedendo orientação, advertências, promessas e revelações proféticas. Vejamos alguns exemplos:
• Deus aparece em sonho a Abimeleque, advertindo-o acerca de Sara, esposa de Abraão (Gn 20.6-7).
• Deus aparece em sonho a Salomão e lhe oferece aquilo que desejasse pedir; Salomão pede sabedoria (1Rs 3.5-15).
• Os magos do Oriente são avisados em sonho para não retornarem a Herodes, o Grande (Mt 2.12).
• José do Egito recebe sonhos proféticos acerca de seu futuro e de sua exaltação (Gn 37.5-10).
• Faraó sonha com as vacas magras e gordas, bem como com as espigas secas e cheias (Gn 41.1-32).
• Nabucodonosor recebe sonhos proféticos revelados e interpretados por Daniel (Dn 2.1-45; 4.4-27).
• José recebe orientações divinas em sonhos, sendo avisado para fugir para o Egito (Mt 1.20-24; 2.13; 2.19-22).
• A esposa de Pôncio Pilatos relata ter sofrido muito em sonho (Mt 27.19).
• Daniel também recebeu sonhos e visões proféticas (Dn 7.1-28).
Esses textos mostram que Deus utilizou sonhos como meio de comunicação em diferentes épocas e circunstâncias, especialmente para revelar Sua vontade, proteger Seu povo e anunciar acontecimentos futuros.
3.2 A escada que tocava o céu (Gn 28.12a). Jacó estava fugindo de casa, sozinho, inseguro e vivendo as consequências de seus erros. Mas, no sonho, ele viu uma escada, cujo topo tocava no céu. Aquela escada revela que havia uma ligação entre o céu e a terra e que Deus não estava distante nem indiferente aos temores de Jacó. É interessante observar que, milênios depois, quando Natanael vai ter com Jesus, o Senhor lhe diz: “Na verdade, na verdade vos digo que, daqui em diante, vereis o céu aberto e os anjos de Deus subirem e descerem sobre o Filho do Homem” (Jo 1.51). Jacó estava tendo uma experiência, que, no futuro, seria vivenciada pelo próprio Filho de Deus, não em sonhos, mas, na vida real, durante o Seu ministério terreno.
3.3 Os anjos de Deus subindo e descendo por ela (Gn 28.12b). Os anjos são mensageiros de Deus, e são enviados em favor daqueles que hão de herdar a salvação (Hb 1.14). A Bíblia revela diversos exemplos onde os anjos aparecem em sonhos para trazer anúncios aos servos de Deus. Vejamos alguns:
• O Anjo de Deus aparece em sonho a Jacó, orientando-o a retornar à sua terra (Gn 31.11-13).
• Um anjo aparece em sonho a José, esposo de Maria, explicando a origem divina da gravidez (Mt 1.20-24).
• Após a morte de Herodes, um anjo volta a aparecer em sonho a José, dizendo que já era seguro retornar (Mt 2.19,20).
Embora no sonho de Jacó os anjos não tenham lhe falado nada, mas, a presença deles revelam que Jacó não estava só!
3.4 O Senhor no topo da escada (Gn 28.13). Sem dúvida, a presença de Deus no topo daquela escada naquele sonho, foi a maior demonstração do Seu cuidado e proteção. Jacó poderia seguir a sua caminhada seguro, pois o Todo Poderoso estava lhe guardando e lhe guiando naquela trajetória. “Se a visão dos anjos de Deus, no sonho, já era impactante, mais ainda deve ter sido para Jacó ver que o Senhor Deus se apresentava no topo da escada!” (Renovato, 2026, p. 113). Pela primeira vez, Jacó teve a convicção que Deus estava com ele. O Mesmo Deus que apareceu a Abraão (Gn 12.1-3; 13.14-17; 15.4-16; 17.1-22; 18.17-33) e a Isaque (Gn 26.1-5), agora se revela a Jacó (Gn 28.13-15). Era o início de uma longa jornada de transformação e de experiência com o Deus, Todo Poderoso.
3.5 As promessas de Deus a Jacó (Gn 28.13-15). “O Senhor se identifica claramente a Jacó como Senhor, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque. Ao dizer isso, traz à memória de Jacó aquilo que Deus havia feito por seus antepassados e convida Jacó a seguir os passos deles. Depois de se identificar, Deus repete a promessa da terra que havia feito a Abraão e Isaque: a terra em que agora estás deitado, eu ta darei (Gn 28.13b; Gn 17.8; Gn 26.3). Também repete a promessa de uma descendência numerosa: a tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente e para o Oriente, para o Norte e para o Sul. Por fim, repete também a promessa misteriosa de que a família de Abraão abençoará muitas outras; em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra (Gn 22.14; Gn 22.18)” (Adeymo, 2012, p. 54).
IV - A SURPRESA DE JACÓ APÓS O SONHO
Despertado do sono, Jacó faz as seguintes declarações:
4.1 “Na verdade o Senhor está neste lugar, e eu não sabia” (Gn 28.16). Jacó estava fugindo de casa, cansado, solitário e dormindo em um lugar comum, usando uma pedra como travesseiro. Ele não imaginava que ali teria uma experiência tão profunda com Deus. Essa declaração revela sua surpresa ao perceber que Deus estava presente mesmo em um momento difícil e em um lugar aparentemente sem importância. “Esse episódio na jornada atribulada de Jacó nos mostra que, muitas vezes, Deus está perto de nós, e não o percebemos. Por vezes, as tribulações da vida são tantas que nos fazem pensar que Deus não está conosco, não nos vê; que nos abandonou, diante de tantos problemas sem solução. Esquecemo-nos de que, se formos fiéis ao Senhor, obedecendo à sua voz e cumprindo os seus preceitos, Ele é fiel para cumprir o que planejou para nós” (Renovato, 2026, p. 115).
4.2 “Quão terrível é este lugar” (Gn 28.17a). Jacó ficou tão impactado pela manifestação divina naquele lugar, que chamou aquele lugar de “terrível”. A palavra “terrível” aqui não significa algo ruim ou assustador no sentido negativo, mas algo grandioso, reverente, impressionante e santo. Diversos textos bíblicos também usam esta expressão para descrever o próprio Deus ou experiências divinas e sobrenaturais. Vejamos alguns exemplos:
• “[...] porque o Senhor teu Deus está no meio de ti, Deus grande e terrível” (Dt 7.21).
• “Ah! Senhor, Deus dos céus, Deus grande e terrível [...]” (Ne 1.5).
• “[...] Não os temais; lembrai-vos do Senhor, grande e terrível...” (Ne 4.14).
• “Mas o Senhor está comigo como um valente terrível” (Jr 20.11).
4.3 “Este não é outro lugar, senão a casa de Deus; e esta é a porta dos céus” (Gn 28.17c). Jacó reconheceu que aquele lugar simples havia se tornado um local de encontro com Deus. Depois disso, ele chamou aquele lugar de Betel. “‘Betel’ significa ‘a casa de Deus’ pode representar qualquer lugar onde Deus está presente num sentido muito especial.” (Stamps, 1995, p. 77,78). A presença de Deus transforma ambientes comuns em lugares especiais. Mais importante do que a estrutura física é a manifestação divina. Onde Deus fala, consola, transforma e se revela, ali se torna espiritualmente uma “casa de Deus”. Ao ver a escada ligando a terra ao céu e os anjos subindo e descendo, Jacó entendeu que aquele sonho representava acesso à presença divina. Havia uma ligação entre o céu e a terra.
V – A COLUNA DE BETEL
“Em resposta a essa experiência, Jacó tomou a pedra que havia usado como travesseiro e erigiu em coluna, sobre cujo topo entornou azeite (28:18). O ato de derramar azeite sobre a pedra constituiu uma unção de modo a separá-la para Deus. Jacó provavelmente teria oferecido um sacrifício nessa ocasião, se houvesse algum animal para sacrificar. Mas, uma vez que estava viajando, não tinha nenhum animal consigo. No entanto, o Senhor aceita nossas ofertas, por mais simples que sejam, quando vêm do coração. Jacó chama o lugar onde dormiu de Betel, a "casa de Deus", para comemorar o que aconteceu ali (28:19). Também faz um voto expresso na forma condicional. Se o Senhor o proteger e prover para ele no futuro e se a promessa em 28:15 se cumprir, então o Senhor será o meu Deus; e a pedra, que erigi por coluna, será a Casa de Deus; e, de tudo quanto me concederes, certamente eu te darei o dízimo (Gn 28.20-22)” (Adeymo, 2012, p. 54).
CONCLUSÃO
Como pudemos ver, a experiência transformadora de Jacó teve início no momento mais difícil de sua vida. Ele estava só e fugitivo. Mas, o Senhor Deus lhe aparece em sonhos para mostrar que estava com ele e lhe fazer grandiosas promessas. Muitas vezes pensamos que Deus só se manifesta em ambientes religiosos ou em momentos extraordinários, mas Jacó aprendeu que a presença de Deus pode alcançar o homem em qualquer lugar. Há situações em que somente depois percebemos que Deus esteve conosco o tempo todo, cuidando, guiando e trabalhando silenciosamente. O mesmo Deus que apareceu a Jacó no passado, continua se revelando aos seus servos, em todas as eras, para mudar o seu caráter e transformar a sua vida! REFERÊNCIAS
• ADEYEMO, Tokunboh. Comentário Bíblico Africano. EDITORA GERAL.
• HOFF, Paul. O Pentateuco. VIDA.
• HENRY, Matthew. Comentário Bíblico. CPAD.
• RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o mundo não era digno. O legado de Abraão, Isaque e Jacó. CPAD.
• STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Fonte: https://redebrasiloficial.com.br/licao_ebd.php Acesso em 02 de Jun de 2026
