ASSEMBLEIA DE DEUS EM MUNDO NOVO - BA
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2026
Adultos - A SANTÍSSIMA TRINDADE - O Deus Único revelado em Três Pessoas Eternas
COMENTARISTA: Douglas Roberto de Almeida Baptista
COMENTÁRIO: PR JOSAPHAT BATISTA SOARES

LIÇÃO Nº 10 – ESPÍRITO SANTO – O CAPACITADOR
INTRODUÇÃO
“E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até do que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24.49). O Espírito Santo ajuda-nos a viver de maneira santa e habilita-nos a realizar, com eficácia, a obra do Senhor Jesus Cristo.
I - TEXTO BÍBLICO Joel 2.28,29; Atos 2.1-4; 8.14-17; 1 Coríntios 12.4-7.
II - ESPÍRITO SANTO — O CAPACITADOR
- A Doutrina do Espírito Santo ensina que o revestimento de poder do Alto não se restringe a uma experiência de intimidade maior com Deus. O poder do Espírito veio também para capacitar o crente de um modo especial e sobrenatural para testemunhar de Cristo. Observe que testemunhar significa não apenas proclamar a mensagem do Reino, mas, sobretudo, ter a capacidade de viver a verdade do Evangelho tão abundantemente que não restará dúvidas aos incrédulos de que somos testemunhas vivas da manifestação do poder divino (Jo 13.35). Muito se discorre sobre a manifestação do poder do Espírito no tocante ao exercício dos dons espirituais e ministeriais. De fato, a virtude do Espírito Santo capacita o crente a realizar a obra ministerial tendo como finalidade a edificação do Corpo de Cristo (Ef 4.4,7-12). No entanto, vale destacar que tais exercícios se tornam incompletos sem que haja, de fato, o compromisso ético com os princípios e valores da Palavra de Deus (Tg 1.22). Nesse sentido, o testemunho de vida cristã transcende a importância dos dons. O apóstolo Paulo exorta os tessalonicenses a não extinguirem a manifestação do Espírito (1Ts 5.19). Por certo, o apóstolo destaca que as manifestações sobrenaturais dos dons não deveriam ser reprimidas ou rejeitadas, mas cultivadas. Mas o ministério do Espírito coaduna tanto exercício dos dons quanto a prática da vida cristã. Ter e preservar a presença do Espírito significa administrar os dons sem perder de vista o temor e o compromisso com a prática dos ensinamentos do Evangelho (2Co 5.5). Em Abraçados pelo Espírito (CPAD), Charles Swindoll frisa: “Nós obtemos nossas palavras poder, dinâmica e dinamite da palavra grega dunamis. É uma palavra que se refere à 'capacitação divina'. Como eu tenho o Espírito, tendo dentro de mim capacidade suficiente para lidar com a minha carne. Eu não consigo lidar com ela sozinho. Durante todo o tempo em que estive sem Cristo, não conseguia fazê-lo, mas depois que fui a Cristo, recebi a chave do meu carro. Eu também recebi o combustível para o tanque, o que me permitia engatar as marchas. Quando o Espírito de Deus assume o controle, o seu poder vence as forças carnais que há dentro de mim — o impulso de revidar, o impulso de me vingar, o impulso de ter um ataque de nervos, o impulso de fazer as coisas à minha maneira, e assim continua a lista. Esta é a obra do Espírito, à medida que Ele proporciona, agora, a capacitação divina” (2014, p.57). O poder do Espírito virá sobre nós quando buscarmos Sua presença de todo coração, e permanecerá se abdicarmos das obras da carne para nutrir as virtudes do Fruto do Espírito.
III - A VIRTUDE DO ESPÍRITO SANTO CAPACITADOR - Atos 1:8 – “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra.”
- Palavra-chave 1: “δύναμιν” (dýnamin) – Traduzida como “virtude” ou “poder”, refere-se à capacitação sobrenatural dada pelo Espírito Santo para cumprir a missão de testemunhar. É o mesmo poder mencionado em Lucas 24:49, que capacita a igreja a realizar milagres e pregar com ousadia.
“μάρτυρες” (mártyres) – Traduzida como “testemunhas”, significa aqueles que atestam e proclamam a verdade de Cristo, mesmo até a morte, se necessário (Atos 22:20). O termo sugere não apenas uma declaração verbal, mas um testemunho de viCapacitação: Ato ou efeito de capacitar, habilitar para alguma função.
- O Dia de Pentecostes inaugurou uma nova fase no relacionamento do Espírito Santo com a humanidade (At 2). Esse acontecimento também demarcou o início da capacitação sobrenatural — o “revestimento de poder” — para que a Igreja cumpra eficazmente a Grande Comissão que nos confiou o Senhor Jesus (Mt 28.19,20). Na lição de hoje, veremos que o Consolador atua em nossa conversão, auxilia-nos a viver de modo santo e digno e habilita-nos a realizar a obra de Deus.da sacrificial. (João 15:26-27; Apocalipse 12:11).
- OBS: ARGUMENTO TEOLÓGICO - “RECEBEREIS A VIRTUDE.* Este é o versículo essencial do livro de Atos. O principal propósito do batismo no Espírito é o de receber poder para testemunhar e para o serviço cristão. Esse poder tem como objetivo o de que aqueles que não têm um relacionamento pessoal com Deus possam receber o seu perdão, aprendam a seguir Jesus e cumpram o seu propósito para as suas vidas. O resultado final é que mais pessoas venham a conhecer, amar e honrar a Jesus como Senhor — o líder e a autoridade em suas vidas (Mt 28.18-20; Lc 24.49; Jo 5.23; 15.26,27). “Virtude” (gr. dynamis): quer dizer mais que força ou habilidade; a palavra indica poder em ação. Lucas (em seu Evangelho e no livro de Atos) enfatiza que o poder (ou virtude) do Espírito Santo inclui autoridade para expulsar espíritos malignos (isto é, ordenar que os espíritos deixassem de controlar as vidas das pessoas) e a unção (isto é, a capacitação e comissão) para curar os enfermos.” (Bíblia de Estudo Pentecostal — Edição Global. Rio de Janeiro: CPAD, 2022, p.1921).
IV - O PODER CAPACITADOR PARA TESTEMUNHAR
- Nos círculos pentecostais, nenhum aspecto dos propósitos do batismo no Espírito tem recebido mais atenção do que a sua utilização para a evangelização do mundo. Isso é firmemente baseado em Atos 1.8: ‘Recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra’. O livro de Atos é um comentário desses dois temas relacionados, que os discípulos receberiam poder quando o Espírito viesse sobre eles e de que eles seriam testemunhas de Jesus por todo o mundo. Quando Jesus disse aos seus discípulos que eles seriam suas ‘testemunhas’, o pensamento não é tanto que seriam seus representantes, embora isso seja verdade, mas sim que iriam atestar a sua ressurreição. A ideia do testemunho ocorre ao longo do livro de Atos; ela é aplicada geralmente aos discípulos (1.8,22; 2.32; 3.15; 5.32; 10.39,41; 13.31) e especificamente a Estêvão (22.20) e a Paulo (22.15; 26.16).
- A evangelização mundial pelos pentecostais, que aconteceu no século XX, é um testemunho da realidade da experiência pentecostal. Infelizmente, alguns historiadores e missiologistas da igreja moderna foram lentos ao reconhecer a tremenda contribuição do movimento pentecostal com relação à propagação do evangelho por todo o mundo. Os pentecostais não podem e não se atrevem a negar a obra maravilhosa e frequentemente sacrificial dos missionários ao longo da história da Igreja, que não experimentaram o batismo no Espírito como compreendido pelos pentecostais. Nós agradecemos a Deus por todos os corpos eclesiásticos e todas as agências missionárias que contribuíram para a empreitada missionária mundial. E como outros assuntos previamente discutidos, a diferença entre esses missionários e os pentecostais está no nível da gradação. Seria irresponsável os pentecostais dizerem que os outros não sabem nada sobre o poder do Espírito.
- A associação entre o poder (do grego dunamis) e o Espírito Santo é frequentemente feita no Novo Testamento, onde os dois termos são intercambiáveis (por exemplo, Lc 1.35; 4.14; At 10.38; Rm 15.19; 1 Co 2.4; 1 Ts 1.15). O poder do Espírito Santo concedido aos primeiros discípulos, no entanto, não pode se restrito ao poder para evangelizar” (PALMA, A. D. O Batismo no Espírito Santo e Com Fogo: Os Fundamentos e a Atualidade da Doutrina Pentecostal. 1.ed., RJ: CPAD, 2002, pp.86,87).
V - O RELACIONAMENTO DO ESPÍRITO SANTO COM A HUMANIDADE
1. O Espírito Santo operando em nossas faculdades mentais. O Espírito Santo trabalha no coração e na mente do homem para que este se renda a Cristo, pois é da vontade de Deus que todos, sem exceção, sejam salvos (1 Tm 2.1-4). O Senhor Jesus Cristo ensinou que um dos trabalhos do Espírito Santo é justamente convencer o pecador dos seus erros (Jo 16.8-11), dando-lhe o entendimento necessário para que creia e se arrependa, sendo assim vivificado espiritualmente (Rm 8.1,2).
2. O Espírito Santo operando nos sentimentos e vontades. O convencimento intelectual do homem não é suficiente para levá-lo a receber a Cristo (Mt 7.26,27; Tg 1.21-25). Por isso, na esfera das emoções, é preciso que o pecador seja encorajado pelo Espírito Santo a inclinar-se às coisas espirituais, levando o homem ao arrependimento e a decidir-se por Cristo (Jo 12.42,43). Stanley Horton, teólogo pentecostal, afirma que “esse trabalho do Espírito Santo é chamado de ‘a doutrina da vocação’ ou do ‘chamamento’”. Estejamos certos de algo muito importante: é Deus, mediante o Espírito Santo, quem dá o primeiro passo em direção ao pecador. Todavia, é bom lembrar que Ele não restringe a liberdade do indivíduo e respeita o nosso livre arbítrio (Jo 12.47,48).
3. O Espírito Santo e a adoção. Sem a ação do Espírito Santo, jamais seríamos adotados pelo Pai (Rm 8.15). Adotar significa “pôr como filho”. Após decidir-se pelo Senhor Jesus Cristo, passamos a ser herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo (Rm 8.17). A partir desse momento, inicia-se o processo de falar e agir em conformidade com a Palavra de Deus (Rm 12.2). A boa notícia é que não estamos sozinhos; o Espírito de Deus fortalece-nos e ajuda-nos também nessa nova etapa (Gl 5.16-26).
VI - O ESPÍRITO SANTO NA VIDA DO CRENTE
1. A presença constante do Espírito Santo. Como acabamos de verificar, mesmo após a conversão, o Espírito Santo continua a trabalhar em nossa vida, aperfeiçoando-nos o caráter, moldando-nos a personalidade e controlando-nos o temperamento. Sem essa presença e companhia constantes, não seria possível ao crente viver de maneira fiel na presença de Deus (Jo 14.16,17; Rm 8.9).
2. O desenvolvimento da relação com o Divino Espírito Santo. Assim como o processo de adoção não termina com o ato em si (na realidade, é neste momento que tudo, de fato, inicia-se), da mesma forma ocorre quando, através da adoção (Rm 8.15), tomamo-nos “filhos de Deus” (Jo 1.12,13). A partir de então, passamos a desfrutar de um relacionamento que deve aprofundar-se e estreitar-se a cada dia (Jo 11.13). Evidentemente, uma das formas mais eficazes de desenvolver um relacionamento é desfrutar da presença da pessoa a quem amamos. Com o Espírito Santo não é diferente, precisamos buscá-lo e desejar-lhe a presença (At 5.32; 7.55; 9.31; 13.2; 2 Tm 1.14).
3. Ser “cheio do Espírito Santo”.* Paulo ensina que devemos manter-nos sempre cheios do Espírito Santo (Ef 5.18). Estar “cheio do Espírito Santo” ou “deixar que o Espírito nos encha” significa ser controlado, governado e guiado por Ele (Cl 5.16). Como filhos de Deus, precisamos de uma renovação contínua em nosso ser a fim de que sejamos instrumentos do Altíssimo.
VII - O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO CAPACITA-NOS A FAZER A OBRA DE DEUS
1. Intrepidez para testemunhar. Já aprendemos que o batismo com o Espírito Santo encoraja e fortalece o crente a testemunhar de Cristo, capacitando-o a cumprir a missão máxima da Igreja — a evangelização (At 1.8). Seu propósito não é somente capacitar-nos a falar línguas estranhas, mas preparar-nos para o serviço cristão. Os discípulos de Cristo, após receberem a promessa, saíram ousadamente a pregar a Palavra de Deus (At 4.13). Antes, eram tímidos e temerosos, porém, após o revestimento de poder, passaram a proclamar audaciosamente o Evangelho de Cristo e a realizar sinais, milagres e maravilhas (At 2.14-40; At 3.1-10). Você tem pregado o evangelho com abnegação, amor e poder?
2. Formação de discípulos. Em o Novo Testamento, a palavra discípulo significa “aprendiz” e “seguidor do seu mestre”. Jesus chamou-nos a seguir seus passos. Você tem seguido os passos do Salvador? O próprio Mestre oferece-nos uma condição para que venhamos a ser, de fato, seus discípulos: “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.31b,32). O Espírito Santo é quem ajuda-nos a seguir os passos do Mestre, seu exemplo e seus ensinamentos. Neste ponto, cabe-nos uma reflexão. Todas as atividades desempenhadas pela Igreja são importantes, mas a prioritária é a evangelização e a formação de discípulos (Mt 28.19,20). O progresso de uma igreja não pode ser medido, ou avaliado, apenas por suas atividades filantrópicas, educacionais e materiais. Estas, apesar de importantes, não constituem o principal trabalho da Igreja de Cristo. O progresso de uma igreja, por conseguinte, deve ser mensurado por seu trabalho missionário e evangelístico, juntamente com seus frutos espirituais, como resultado da semeadura da Palavra de Deus (At 6.2; 15.36-41).
3. Chamados para servir. Deus chamou-nos a servir. Muitos, recusando esse chamado, querem apenas ser servidos. As Sagradas Escrituras mostram que Jesus, nosso Mestre e Senhor, foi ungido pelo Espírito Santo para servir (Lc 4.18,19). Certa vez, Jesus declarou: “[...] o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida em resgate de muitos” (Mt 20.28). Se quisermos realmente servir ao Senhor com inteireza de coração, é preciso que sirvamos aos nossos irmãos (1 Jo 3.16-18). Assim agia Jesus, nosso perfeito modelo de líder servidor. Ele viveu para fazer a vontade do Pai e servir a todos (Mc 10.45). Você está disposto a servir ao Mestre? O que você tem feito — pela Igreja e pelas demais pessoas — com os dons e talentos que recebeu do Senhor? Um dia teremos que prestar contas de tudo que recebemos dEle.
VIII - CAPACITADOS ATRAVÉS DOS DONS DO ESPÍRITO SANTO OS DONS ESPIRITUAIS
OBS: “Paulo, no capítulo 12 de 1 Coríntios, descreve a Igreja como o Corpo de Cristo e afirma que os crentes são membros desse Corpo, com diferentes dons, provindos de Deus pelo Espírito Santo, do mesmo modo como os membros do corpo humano têm diferentes funções para diversos propósitos. Os dons do Espírito são os meios pelos quais os membros do Corpo de Cristo são habilitados e equipados para a realização da obra de Deus. Sem os dons do Espírito, ao invés de a Igreja ser um organismo vivo e poderoso seria apenas mais uma organização humana religiosa.
- Cremos que a Igreja da época atual é a Igreja dos últimos dias e a noiva destinada a encontrar-se com Cristo no dia do arrebatamento, para as Bodas do Cordeiro. À luz do Novo Testamento, os últimos dias da Igreja de Cristo na terra serão assinalados pelo maior avivamento espiritual de todos os tempos: ‘Acontecerá que nos último dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne...’ (At 2.17). Em adição, revelam-nos as Escrituras, e também a história da Igreja, que o verdadeiro avivamento se caracteriza pela manifestação abundante dos dons do Espírito, tal como aconteceu nos dias apostólicos e em outros períodos de avivamento espiritual. Paulo referiu-se à vinda de Cristo, associando-a com a manifestação dos dons do Espírito, nestes termos: ‘assim como o testemunho de Cristo tem sido confirmado em vós, de maneira que não vos falte nenhum dom, aguardando vós a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo’ (1 Co 1.6,7)” (SOUZA, E. Â. Os nove Dons do Espírito Santo. RJ: CPAD, 1985, pp.11,12).
1. O significado da palavra “dom” e o crescimento da Igreja. Na língua grega, a palavra “dom” está no singular — charisma (At 2.38). O termo tem mais de um sentido, pois há dons naturais (habilidades, aptidões e competências inatas), dons ministeriais (Rm 12.7,8) e dons espirituais (1 Co 14.1). O livro de Atos relata que, na Igreja Primitiva, havia abundante manifestação de dons espirituais, e que estes ajudavam a promover a expansão e o crescimento do Evangelho, apesar de tanta oposição e dificuldades (At 5.12-16).
2. A concessão dos dons espirituais. Os dons espirituais acham-se disponíveis à Igreja de Cristo (At 2.39). Entretanto, não esperemos recebê-los como prêmio por algum serviço prestado a Deus. Sua concessão não depende de méritos pessoais; depende única e exclusivamente da vontade soberana do Espírito Santo (1 Co 12.7). Ele quer que os utilizemos para a edificação, exortação e consolação da Igreja de Cristo, a fim de que esta cumpra a missão redentora que lhe confiou o Senhor (Mt 28.19,20; Mc 16.17-20).
3. A manifestação do dom. De acordo com Stanley Horton, teólogo pentecostal, os dons são como “faculdades da Pessoa divina operando no ser humano”. Ou seja, o Espírito Santo manifesta-se através dos dons espirituais concedidos aos crentes (1 Co 12.7-11). Qual o propósito destas manifestações? Não é para o nosso deleite, ou demonstração de superioridade espiritual, mas para o fortalecimento e santificação da Igreja (1 Co 12.7; 14.12).
IX - OS PROPÓSITOS DOS DONS ESPIRITUAIS
1. Edificar a Igreja. O que dizer dos que utilizam os dons para fortalecer o seu marketing pessoal? Os dons do Espírito Santo são concedidos para a realização da obra de Deus, expansão de seu Reino e edificação da Igreja de Cristo. A comercialização de coisas santas constitui-se num gravíssimo pecado (At 8.17-21). Muito cuidado, pois, com o que Deus lhe concedeu. Não o utilize para a sua promoção nem para o seu enriquecimento. Lembre-se: nada podemos fazer sem a graça de Deus em nossa vida.
2. Promover a pregação do evangelho. Os dons tomam a pregação do Evangelho mais eficaz, pois confirmam a Palavra de Deus que está sendo proclamada (Hb 2.3,4). Infelizmente, muitos utilizam os dons, principalmente os de curar, para atrair multidões. Enquanto isto, a mensagem que leva o pecador ao arrependimento é deixada de lado. De que adianta ser curado no corpo e ter a alma lançada no inferno? A pregação verdadeiramente bíblica e pentecostal é centrada em Cristo e na sua morte na cruz. Cremos na cura divina e na operação de maravilhas. No entanto, este é o maior milagre: o novo nascimento que Deus opera no coração do pecador mediante a ação do Espírito Santo. O compromisso do Espírito é com a “palavra da cruz”, “o evangelho da salvação” (Ef 1.13; 1 Co 1.18).
3. O aperfeiçoamento dos santos (Ef 4.11,12). Os dons contribuem também para o desenvolvimento e aperfeiçoamento dos crentes. Todavia, para que isso aconteça, temos de utilizá-los com sabedoria. Observemos, pois, a recomendação bíblica quanto ao seu uso: “Mas faça-se tudo decentemente e com ordem” (1 Co 14.40).
4. Os dons são oferecidos à Igreja. “Convém, portanto, que os dons sejam usados na igreja. Assim, a igreja poderá exercer a sua influência espiritual de modo constante. Todos os dons cabem no trabalho da Igreja (At 5.12-16; 6.7,8; 14.7-10). Alguns acham que, tendo recebido um dom, torna-se mais convenientes exercê-lo em um trabalho particular, isto é, desvinculado da Igreja. A igreja não precisa de nenhum trabalho ‘especializado’ à parte dela, como por exemplo, um trabalho profético, ou de cura, ou de discernimento de espíritos e de revelação. Não, mas todos os dons podem e devem funcionar na Igreja, no seu trabalho normal. Deus colocou os ministros na direção da Igreja. Os dons são dados aos membros da Igreja, para que sirvam de ajuda como uma confirmação da parte de Deus para a pregação do Evangelho (cf. Mc 16.20). Porém, a direção da igreja continua na mão dos ministros, pois ninguém, por possuir um dom espiritual, torna-se ‘líder da igreja’.
5. Os crentes de hoje devem ser orientados a buscar os dons. Vivemos agora no tempo do derramamento do Espírito Santo (cf. At 2.17). É o tempo de buscar a Deus. Devemos ensinar sobre a necessidade de buscar dons. Foi isso que o apóstolo Paulo fez (cf. 1 Co 12,1-31). Insistiu para que os crentes não fossem ignorantes acerca dos dons, e os ensinou sobre o valor deles (cf. 1 Co 14.12,39). ‘A fé é pelo ouvir, e o ouvir pela Palavra de Deus’ (Rm 10.17). Os dons enriquecem a igreja (cf. 1 Co 1.5). Devemos orientar os crentes a buscarem os dons pela oração (cf. Hc 3.1-4; 2 Tm 1.6), Devemos orar buscando os dons conforme a orientação da Bíblia (cf. 1 Co 12.31; 14.1,13,39). Quando o rei Salomão pediu, Deus lhe deu o dom de sabedoria (cf. 1 Rs 3.6-13). Devemos pedir com fé (cf. Tg 1.6; 1 Jo 5.14,15; Mc 11.22-24). Devemos ficar então na expectativa, esperando no Senhor (cf. Sl 27.14; Is 30.18). ‘Ele a nós virá como chuva’ (Os 6.3). E, quando vier, devemos obedecer-lhe (cf. At 5.32)” (BERGSTÉN, E. Teologia Sistemática. 4.ed., RJ: CPAD, 2005, pp.105,106,109).
- Portanto, destacamos que Deus deseja conceder dons espirituais aos crentes. Vimos também a importância e o propósito destes. A Igreja, por conseguinte, precisa não apenas ensinar os crentes a usar os dons, mas também incentivá-los a buscá-los. Você tem buscado com zelo, fervor e oração os dons espirituais? Carecemos deles para que o povo de Deus seja edificado, consolado e fortalecido.
CONCLUSÃO
- Fomos chamados para a santificação e o serviço. Sabemos que ainda há muito trabalho a ser feito, por isso precisamos do revestimento de poder que vem do alto. Sem o Espírito Santo não conseguiremos cumprir as demandas e reivindicações da Grande Comissão (Mt 28.19,20; Mc 16.15), pois somente alguém cheio do Espírito Santo é capaz de ouvir, compreender e obedecer à voz do Senhor.
- Bibliografia
- Bíblia de Estudo Gesiel Gomes
- Bíblia Cronológica
- Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa
- Apontamentos Teológicos do autor
- Disciplina "A Doutrina do Espirito Santo I e II CTEC VIDA CRISTÃ
- MENZIES, W. W.; HORTON, S. M. Doutrinas Bíblicas: Os Fundamentos da Nossa Fé. 5.ed., RJ: CPAD, 2005. PALMA, A. D. O Batismo no Espírito Santo e Com Fogo: Os Fundamentos e a Atualidade da Doutrina Pentecostal. 1.ed., RJ: CPAD, 2002.
- Lições Bíblicas CPAD - Jovens e Adultos - 2º Trimestre de 2011 - Título: Movimento Pentecostal — As doutrinas da nossa fé - Comentarista: Elienai Cabral - Lição 4: Espírito Santo – Agente capacitador da Obra da Deus - Data: 24 de Abril de 2011
- Comentário: Pastor Josaphat Batista – Pr. Presidente da Assembleia de Deus em Mundo Novo-Ba. Pós-graduado em Docência do Ensino Superior - Bacharel em Teologia convalidado pelo MEC – Pós-Graduando em História, Membro da academia Pré-Militar (ACPMB) – Pós-Graduando Ciências da Religião (Famart) – Juiz de Paz (CONAJ), Graduando História (Facuminas), Formação da Alfabetização da Língua Grega (Koiné), DIRETOR do CTEC VIDA CRISTÃ (Centro Teológico de Educação e Cultura), Autor do livro 1000 Esboços Bíblico para Sermões – Autor da Revista de Estudo Bíblico acerca de João Batista – Autor da Revista acerca de Absalão, Autor do Livro Evidências Reais do Apocalípse - Autor do Livro Escatologia Bíblica Panorâmica, Conferencista, Seminaristas, Escritor e fundador dos Congressos EBD no Campo de Camaçari-Ba. - Aproveite e estude cursos gratuitos no CTECVIDACRISTA.COM e comentários anteriores das Lições Bíblicas EBD. Ver outros comentários (anteriores) do trimestre em vigor no Site: www.portalebd.org
COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - PR. JOSAPHAT BATISTA
