ASSEMBLEIA DE DEUS TRADICIONAL NO AMAZONAS
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2026
Adultos - A SANTÍSSIMA TRINDADE - O Deus Único revelado em Três Pessoas Eternas
COMENTARISTA: Douglas Roberto de Almeida Baptista
COMENTÁRIO: EV. ANTONIO VITOR DE LIMA BORBA

LIÇÃO Nº 8 – O DEUS ESPÍRITO SANTO
Juntamente com o Pai e o Filho, o Espírito Santo é plenamente divino e atua para consolar, ensinar e santificar a igreja. A Palavra de Deus nos revela o Espírito Santo como a Terceira Pessoa da Trindade que foi enviada a este mundo para avançar a obra de Cristo. Uma vez que o Filho Unigênito de Deus, que consolava e ensinava Seus discípulos, foi assunto ao Céu, o Pai enviou "outro" Consolador para que estivesse com eles até o fim (Jo 14.16). Este mesmo Espírito da verdade que o mundo não pode receber seria responsável por conduzir os discípulos a cumprir a missão de tomar mundialmente conhecida a mensagem do Evangelho (Mc 16.15). Os três aspectos de Sua atuação (consolo, ensino e santificação) não estariam restritos aos primeiros anos da igreja, mas se estendem às próximas gerações e continuam presentes.
O Objetivo deste comentário é contribuir para o preparo de sua aula, e apresentar um subsídio a parte da revista, trazendo um conteúdo extra ao seu estudo. Que Deus nos ajude no decorrer desta maravilhosa lição.
A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO
O Espírito Santo não é simplesmente uma influência benéfica ou um poder impessoal. É uma pessoa, assim como Deus e Jesus o são. Ele é mencionado junto com o Pai e o Filho (Mt 28.19; 2 Co 13.13) e a Bíblia afirma que os três são um (1 Jo 5.7). Assim, há “um só Espírito” (Ef 4-4); “um só Senhor” (Ef 4 5); e “um só Deus e Pai de todos” (Ef 4.6). O Espírito é chamado “Espírito de Deus” (Rm 8.9); “Espírito do Pai” (Mt 10.20); “o Espírito de Cristo” (Rm 8.9; 1 Pe 1.11); “o Espírito de Jesus” (At 16.7), indicando assim que Ele os representa e também age por Eles; quando o Espírito Santo opera, o Cristo vivo está presente (Jo 14.18).
Sua ação é autônoma, bem como o Espírito Santo é possuidor de personalidade própria que o identifica como uma pessoa integrante da Trindade. Ele compartilha da mesma essência que o Pai e o Filho, tendo sido enviado pelo Pai para uma missão dinâmica na Igreja, impulsionando a obra que aconteceria após a ascensão do Filho aos céus.
O Espírito Santo revela-se claramente como uma Pessoa e como Divino, Ele tem os atributos da personalidade, intelecto (Rm 8.27; 1 Co 2.10-13), emoções (Ef 4.30) e vontade (1 Co 12.11), Ele executa as ações da personalidade. Ele ensina (Jo 14.26), dá testemunho (Jo 15;26), orienta (At 8.29; 13.2), dirige (Rm 8.14), adverte (1 Tm 4.1). Ele é Divino porque é o Espírito de Deus e de Cristo (Rm 8.9), e origina-se eternamente do Pai (Jo 15.26; G1 4.6).
Ele veio ao mundo como o Consolador prometido pelo Filho em suas palavras, mais um grande elemento para apresentar a sua distinção na Trindade. Essa distinção não deve colocar o Espírito Santo em uma “prateleira” diferente do Pai e do Filho, pois ele é plenamente Deus.
As três divinas Pessoas da Trindade são coeternas e iguais entre si. Mas, em suas operações concernentes à criação e à redenção, Deus, o Pai, planejou a criação de tudo (Ef 3.9); Deus, o Filho, executou o plano, criando (Jo 1.3; Cl LI6; Hb 1.2; 11.3); e Deus, o Espírito Santo, vivificou, ordenou, pôs tudo, todo o universo, em ação: desde a partícula infinitesimal e invisível até ao super-macroscópico objeto existente (Jó 33.4; Jo 6.63; G1 6.8; SI 33.6; Tt 3.5). Ou seja, o Pai domina, o Filho realiza, e o Espírito Santo vivifica, preserva e sustenta.
Destaque
Não podemos negligenciar a necessidade que temos da Pessoa do Espírito Santo. Sem Sua presença, não podemos exercer o chamado que fomos desafiados a cumprir. É Ele quem nos escolhe para realização da Sua obra a partir da oração (At 13.2). O exercício dos dons espirituais e ministeriais (1Co 12.8-10; Ef 4.11,12), as decisões na condução de Sua obra, a tarefa de convencer os pecadores a Cristo (Jo 16.8) ou mesmo a libertação do pecado ou perdão entre irmãos são obras que dependem inquestionavelmente da atuação do Espírito Santo na Igreja. Nossa dependência dEle é uma forma de glorificá-IO. Quando reconhecemos que sem Ele nada podemos, Sua presença se manifesta para nos mostrar a verdade, direcionar as decisões e nos aconselhar para que tenhamos uma vida sábia.
O fato de o Espírito ser um com Deus, com Cristo e, ao mesmo tempo, distinto dEles é parte, como já dissemos, do grande e insondável mistério da Trindade Santa para a mente humana. O Espírito de Deus não é tão-somente uma influência, um poder, uma energia, uma unção — como os heréticos concluem por si e assim ensinam — , mas uma Pessoa divina e real.
“Outro Consolador” (gr. állos parákletos) significa alguém da mesma natureza que Jesus. O uso do adjetivo állos (outro), e não heteros (diferente), sinaliza que o Espírito Santo é divino, pessoal e eterno. Esse versículo sustenta a Personalidade do Espírito Santo, que não é inferior ao Filho, mas assume o papel da presença permanente de Deus na vida dos crentes (Mt 28.19-20).
A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO
A terceira Pessoa da Trindade não aparece com nomes revelados, como o Pai e o Filho, e sim com títulos descritivos das suas natureza e missão no mundo, entre os homens, bem como através de seus atos realizados. “Espírito Santo” não é rigorosamente um nome como apelativo, e sim um título descritivo da sua natureza (Espírito) e da sua missão principal (Santo), a de santificar-nos nesta dispensação.
Contudo, precisamos destacar um ponto comum da Trindade, como bem escreveu o comentarista da lição: “todos os atributos divinos do Pai e do Filho podem ser igualmente relacionados com o Espírito Santo”. Esses atributos somente ressaltam a deidade do Espírito Santo. Por isso conhecemos que o Espírito Santo também é Deus.
O verbo “proceder” sinaliza que “o Espírito Santo é dado pelo Pai, em resposta à solicitação do Filho. Ele procede tanto do Pai como do Filho. O Pai o dá; o Filho o envia”. O apóstolo Paulo usa preposições gregas como ek (“de”) para expressar a relação do Espírito com o Pai e o Filho compatíveis com a doutrina que o Espírito também procede do Filho, a saber: “[...] se alguém não tem o Espírito de Cristo” (Rm 8.9); e, “Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho” (G1 4.6).
Outro ponto que precisa ser entendido aqui é que também identificamos o Espírito Santo, nas Sagradas Escrituras, pelos símbolos que a Ele são relacionados. Estes descrevem e revelam a divindade do Espírito Santo, e auxiliam o crente a compreender o seu caráter e propósito de atuação.
Jesus usou, no ensino sobre o Espírito Santo, vários símbolos. Ele falou de “rios de água viva” (Jo 7.37-39); disse: “Vim lançar fogo na terra” (Lc 12.49), “O vento assopra onde quer” (Jo 3.8). Falando da sua experiência com o Espírito Santo, afirmou: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu” (Lc 4.18). Falou ainda da necessidade de levar azeite nas vasilhas (Mt 25.2-4). Quando Jesus foi batizado nas águas, o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea de uma pomba (Lc 3.22; Jo 1.33). O médico Lucas, autor dos Atos dos Apóstolos, usou, quando escreveu sobre o milagre do Pentecostes, dois símbolos: o vento (At 2.2) e as “línguas de fogo” (At 2.3).
Destaque
Ele tem vontade: “O mesmo Espírito opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer” (1 Co 12.11; Jo 3.8). Ele tem conhecimento: “Ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus” (1 Co 2.11). Ele tem sentimento: “Não entristeçais o Espírito Santo de Deus” (Ef 4-30). Ele ama: “Rogo-vos... pelo amor do Espírito” (Rm 15.30).
O profeta Joel, quando profetizou sobre o derramamento do Espírito, usou como símbolo a chuva (Jl 2.23). Quando o rei Davi profetizou sobre o derramamento do Espírito Santo na Igreja, o corpo de Cristo, usou dois símbolos: “o óleo precioso” e “o orvalho” (Sl 133.2,3). [...] Por meio dos símbolos do Espírito Santo podemos focalizar importantes detalhes sobre sua pessoa e sua obra. Através desses símbolos vemos salientadas a limitação humana e a absoluta dependência que temos da operação do Espírito Santo, enxergamos o seu modo de ação, registramos a sua natureza inalterável, sua plenitude e, principalmente, as diferentes manifestações e maneiras de agir do Espírito sobre a vida de cada um.
AS OBRAS DO ESPÍRITO SANTO
As obras do Espírito Santo provam a sua divindade, assim como as obras que Jesus realizou como homem comprovam que Ele é o Filho de Deus (Jo 5.36; 10.25,38; 14.11). O Espírito Santo sempre opera em conjunto com a Trindade, pois é o ativador de todas as coisas. [...] Na pessoa de Jesus, o Espírito Santo renovou e vivificou, através dos séculos, a promessa de Deus de enviar o Messias (Gn 3.15; 1 Pe 1.9-11; operou ativamente na encarnação de Jesus (Lc 1.35; Mt 1.20); guardou, por meio de uma divina revelação, a vida de Jesus quando Herodes queria matá-lo (Mt 2.12); revelou a Simeão que Jesus era o Messias (Lc 2.25-29); revestiu Jesus com poder para que exercesse o seu ministério (Lc 3.22), selando-o (Jo 6.27) e ungindo-o (Lc 4-18); guiou-o (Lc 4.14) e operou maravilhas e sinais por meio dele (Lc 5.17; 6.19; Mt 12.28); operou na vida de Jesus uma renúncia total (Hb 9.14), dando-lhe força para, voluntariamente, se oferecer em sacrifício (Ef 5.2); e operou na ressurreição e ascensão de Jesus (Rm 8.11; Ef 1.20).
Hoje o Espírito Santo atua na vida do crente operando a santificação. Trataremos em outras lições sobre a atuação do Espírito Santo na obra da salvação, mas é importante destacar aqui o papel santificador que o Espírito tem na vida do salvo. Ele habita no crente o preparando para a salvação, transformando o coração do homem para que ele se aproxime cada vez mais de Deus.
Toda a Trindade operou e opera na salvação do homem. Deus Pai deu o seu Filho unigénito (Jo 3.16), e “estava em Cristo, reconciliando o mundo consigo” (2 Co 5.19). O Filho deu-se a si em sacrifício (Ef 5.2), sendo a causa de eterna salvação (Hb 5.9). O Espírito Santo aplica essa salvação na vida dos homens. Jesus disse: “Há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar” (Jo 16.15). Assim, o Espírito Santo opera no sentido de que, por meio da salvação, haja uma total restauração de todo o estrago que o pecado causou na vida do homem, seja no seu espírito, na sua alma ou no seu corpo.
Destaque
Nas Escrituras, também o Espírito Santo é revelado como o agente vivificador dessa obra. Paulo declara: “o Espírito daquele que res suscitou a Jesus dos mortos [...] também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós” (Rm 8.11, TB). Essa afirmação possui duas dimensões: aponta para a ação direta do Espírito Santo na ressurreição de Cristo; e garante aos crentes que esse mesmo Espírito lhes concederá vida na ressurreição final (1 Co 15.51-54). Dessa forma, a ressurreição de Cristo é uma obra trinitária: Esse ato revela a unidade e a igualdade do Espírito Santo com o Pai e o Filho, afirmando que Ele é plenamente Deus e participante da obra salvífica desde a encarnação até a consumação final.
A santificação é, ao mesmo tempo, uma dádiva concedia pela graça e um chamado à cooperação diária com o Espírito. Ela comprova a divindade do Espírito Santo, pois apenas Deus pode regenerar e preservar um pecador frutificando por toda a vida até o dia de Cristo.
Referências:
1 – Revista o Ensinador Cristão. Rio de Janeiro: CPAD, Ano 27, nº 104.
2 – BERGSTÉN, Eurico. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.
3 – PFEIFFER, Charles F. et al. Dicionário bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
4 – GILBERTO, Antonio et al. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
5 – BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.
COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - EV. ANTONIO VITOR LIMA BORBA
