Adultos

Lição 4 - A Paternidade Divina V

ASSEMBLEIA DE DEUS - IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM PERNAMBUCO

PORTAL ESCOLA DOMINICAL

PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2026

Adultos - A SANTÍSSIMA TRINDADE - O Deus Único revelado em Três Pessoas Eternas

COMENTARISTA: Douglas Roberto de Almeida Baptista

COMENTÁRIO: SUPERINTENDÊNCIA DAS EBD'S DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS EM PERNAMBUCO

 

LIÇÃO Nº 4 – A PATERNIDADE DIVINA

INTRODUÇÃO

Nesta lição estudaremos sobre a paternidade divina revelada no Filho; pontuaremos sobre a habitação do Espírito Santo como evidência da filiação; veremos sobre a confissão de Jesus como Filho de Deus; e por fim, destacaremos algums frutos práticos da consciência da paternidade divina.

I - A PATERNIDADE DIVINA REVELADA NO FILHO

1.1 A “geração” eterna do Filho de Deus. A palavra profética, no Antigo Testamento, usa o termo “filho” para Jesus: “Tu és meu Filho, hoje te gerei” (Sl 2.7). Segundo Baptista (2025, p. 43), essa declaração de Salmos 2.7 não se refere a um nascimento temporal ou carnal, mas a uma geração eterna (Hb 1.5). De acordo com Soares (2024, p. 88,89), o Credo Niceno afirma que Jesus é “gerado, não feito, de uma só substância com o Pai” e o Credo Niceno-Constantinopolitano declara: “o gerado do Pai antes de todos os séculos”. A geração eterna não deve ser confundida com a geração na experiência humana porque ela não é física, nem temporal ou histórica, nem envolve pai e mãe como acontece com os humanos. A ideia envolve uma comunicação de essência divina do Pai ao Filho.

1.2 A “filiação” eterna do Filho de Deus. “A expressão teológica “filiação eterna” é muito diferente da outra expressão “geração eterna”. Mas, a compreensão da primeira expressão depende da segunda. A fundamentação bíblica de Isaías 9.6: “Um menino nos nasceu, um filho se nos deu”. Note que o menino nasceu, mas o Filho, segundo a palavra profética, não nasceu, mas “se nos deu”. O nascimento desse menino aconteceu em Belém, mas o Filho já existia desde a eternidade. A Bíblia ensina que Ele já era Filho antes de vir ao mundo (Jo 17.5). Além disso, a Escritura é clara em afirmar que Jesus é “o Filho do Pai” (2Jo 1.3). Isso mostra que a filiação não começou na sua encarnação. A formulação do Segundo Concilio de Constantinopla, em 553, reconhece que o Verbo foi gerado duas vezes, “... a primeira do Pai antes de todas as eras, intemporal e incorporai, e a outra nos últimos dias”, referindo-se à encarnação” (Soares, 2024, pp. 90,91,92).

1.3 A autenticidade da paternidade divina. De acordo com Baptista (2025, pp. 43,44), a geração do Filho pelo Pai é eterna, necessária e espiritual, não ocorrendo no tempo, mas na eternidade. Na oração sacerdotal Jesus disse: “E, agora, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” (Jo 17.5). O texto ensina que o relacionamento entre o Pai e o Filho é anterior à criação, revelando que a identidade de Deus como Pai é eterna. Antes que o mundo existisse, já havia uma comunhão gloriosa entre o Pai e o Filho. Sendo assim, a doutrina da paternidade do Pai inalterável e amorosa sustenta a nossa fé em tempos sombrios.

II - A HABITAÇÃO DIVINA COMO EVIDÊNCIA DA FILIAÇÃO

2.1 O Dom do Espírito Santo como selo da paternidade. Em 1João 4.13, o apóstolo João declara: “Nisto conhecemos que permanecemos nele, e ele, em nós: que nos deu do seu Espírito”. O dom do Espírito é a garantia inicial e contínua da nossa união com Deus (Jo 14.16,17). Ele é o “selo” e o “penhor” da nossa herança (Ef 1.13,14). ). Este dom não é merecido, mas concedido pela graça do Pai (At 2.38). O verbo “deu” do versículo 3 de 1João aponta para um ato gracioso e definitivo, trazendo a ideia de dar algo a alguém para o seu benefício.

2.2 A mutualidade da habitação. As palavras do apóstolo João deixam claro que a habitação é mútua, não unilateral: “estamos nele, e ele em nós” (1Jo 4.13). Existe uma relação íntima de comunhão. É Cristo vivendo em nós (Gl 2.20) e nós “enraizados” nele (Cl 2.7). Deus, como Pai, não é distante, mas habita no crente (Jo 14.23). Essa habitação gera segurança espiritual e identidade, pois o crente vive sob o cuidado paterno de Deus (Sl 68.5). A paternidade divina se manifesta em comunhão diária.

2.3 A Espírito Santo como mediador da relação paternal. Na carta aos gálatas, o apóstolo paulo disse: “E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai” (Gl 4.6). O Espírito que recebemos não é uma força impessoal, mas “o Espírito de seu Filho”. É através dele que clamamos “Aba, Pai” (expressão que denota uma confiança cega; expressa o amor e a confiança inteligente). É através do Espírito Santo que conhecemos que estamos em Deus e Deus em nós. A presença do Espírito Santo é a garantia objetiva da filiação divina. Conforme Romanos 8.16, o Espírito testifica com o nosso espírito que “somos filhos de Deus”, confirmando a paternidade divina na experiência cristã.

III – A CONFISSÃO DE JESUS COMO FILHO DE DEUS

A Primeira Epístola de João confronta os primeiros sinais do gnosticismo, que negava a humanidade real de Cristo e, consequentemente, o relacionamento pessoal com Deus, colocando em questionamento a paternidade divina em relação a Cristo e também a cada um dos que foram feitos filhos de Deus (Jo 1.12; Rm 8.15; Gl 3.26; 4.5; 1Jo 3.1). O apóstolo João refuta tais inverdades.Vejamos:

3.1 A testemunha ocular da encarnação. O apóstolo João fundamenta a autoridade das suas palavras, atestando a sua experiência pessoal em relação a convivência com o Filho de Deus encarnado: “e vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo” (1Jo 4.14). Para Henry (2008, p. 928), vemos aqui a certeza do apóstolo acerca dessa verdade, ele e seus irmãos haviam visto isso: o Filho de Deus em sua natureza humana (Jo 1.14,35-51; 1Jo 1.1), em sua convivência e obras divinas (Jo 2.11; At 10.38), em sua transfiguração no monte (Mt 17.1-5; 2Pe 1.16-18) e em sua morte, ressurreição dos mortos e ascensão magnífica ao céu (Mt 27.35-54; Mt 28.5-7; Lc 24.50-51; At 1.8); eles o viram de tal forma que estavam absolutamente seguros de que Ele era o Unigênito do Pai (Jo 1.14,18).

3.2 A confissão que gera habitação e salvação. O versículo 15 da primeira epístola de João estabelece uma condição e uma promessa entreleçada: “Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele e ele em Deus”. A confissão aqui é pública e pessoal, envolvendo reconhecimento e submissão. De acordo com Baptista (2025, p. 47), “reconhecer Jesus como Filho é reconhecer o Pai como Fonte da salvação. Não há comunhão com Deus fora da mediação do Filho (1Tm 2.5). Negar essa confissão é negar o próprio Pai: “Qualquer que nega o Filho também não tem o Pai; e aquele que confessa o Filho tem também o Pai” (1Jo 2.23). A partir dessa verdade, confessar a Cristo é viver em comunhão com o Pai. A presença de Deus se manifesta continuamente na vida do crente que confessa o Filho, pois “Deus está nele e ele em Deus” ( Jo 4.15)”.

3.3 A impossibilidade da Paternidade sem o Filho. João exclui qualquer caminho alternativo para Deus. O Pai só é conhecido através do Filho. Quem vê o Filho, vê o Pai (Jo 14.7-10). “A confissão de Cristo como Filho de Deus é condição para a salvação, essencial ao novo nascimento e à reconciliação com o Pai. A filiação eterna de Jesus revela a paternidade divina. Somente em Cristo o Pai é plenamente revelado. Ver o Filho é ver o Pai, pois Ele é a expressão exata do seu Ser (Hb 1.3). Negar o Filho é, por consequência, negar o acesso ao Pai (1Jo 2.23)” (Baptista, 2025, p. 48). Para Wiersbe (2010, p. 272), à medida que conhecemos melhor Cristo, vemos o Pai pela fé.

IV - OS FRUTOS PRÁTICOS DA CONSCIÊNCIA DA PATERNIDADE DIVINA

4.1 Quem está em amor está em Deus (1Jo 4.16). “O amor é um atributo divino eterno. Esse amor é sacrificial e redentor. O amor do Pai é inquebrável; nenhum poder ou circunstância pode separar o crente desse amor (Rm 8.38-39). Mesmo em meio às lutas, o salvo é guardado na certeza do amor que não falha. O amor do Pai não é apenas geral, mas é individual, pessoal e íntimo, voltado para cada filho que crê (Jo 16.27)” (Baptista, 2025, pp. 48,49).

4.2 Confiança para o Dia do Juízo (1Jo 4.17,18). “O medo punitivo que antes nos dominava é substituído pela confiança filial, gerada pela presença do Espírito, que testifica a adoção: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para, outra vez, estardes em temor, mas recebestes o espírito de adoção” (Rm 8.15). Essa confiança estabelece a segurança da condição do salvo como filho de Deus. Assim, o crente regenerado, embora consciente da realidade do juízo final (Hb 9.27), não vive sob terror [...]. Isso não significa que o crente não possa perder a salvação. Essa confiança, não anula a vigilância. O risco da apostasia é real (Ez 18.24; 1Co 10.12)” (Baptista, 2025, p.49).

4.3 O amor fraternal (1Jo 4.19-21). Para Stamps (2015, p.1962), embora o amor seja um aspecto do fruto do Espírito (Gl 5.22,23) e uma evidência do novo nascimento (1Jo 2.29; 3.9,10; 5.1), é também algo que temos a responsabilidade de desenvolver. “O amor de Deus não é perfeito nele, mas em nós e conosco. Seu amor não poderia ser projetado para ser ineficaz e infrutífero em nós. O amor divino aos irmãos deve constranger o nosso. Os objetos do amor divino deveriam ser os objetos do nosso amor. Será que nos recusaremos amar aqueles que o Deus eterno amou?” (Henry, 2008, pp. 927,928).

4.4 Vida de obediência como expressão da filiação (1Jo 5.1-3). A consciência da paternidade divina conduz inevitavelmente a uma vida de obediência amorosa. Para o apóstolo João, amar a Deus e guardar os seus mandamentos não são realidades dissociadas, mas dimensões complementares da mesma experiência filial. “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou ama também ao que dele é nascido” (1Jo 5.1). A obediência cristã não é legalista nem opressiva, mas resulta de um relacionamento de amor e pertencimento. Os mandamentos do Pai não são pesados (1Jo 5.3), porque são cumpridos no contexto da graça e da comunhão, e não do medo servil. Assim, o crente obedece não para tornar-se filho, mas porque já o é. A obediência revela a maturidade da fé, preserva a comunhão com Deus e testemunha ao mundo a realidade da nova vida em Cristo (Jo 14.21; 15.10). Nesse sentido, viver segundo a vontade do Pai é um fruto visível da consciência da paternidade divina e da identidade regenerada do cristão.

CONCLUSÃO

A Paternidade Divina, revelada em 1 João 4.13-16, é a realidade mais transformadora da vida cristã. Ela é confirmada pela habitação do Espírito, fundamentada na confissão de Jesus, definida pela natureza do amor e demonstrada numa vida de confiança e amor fraternal.

REFERÊNCIAS

• BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade. O Deus Ùnico Revelado em Três Pessoas Eternas. CPAD

• HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Matthew Henry – Vol. 6. CPAD.

• SOARES, Esequias. Em Defesa da Fé Cristã. CPAD.

• STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

• WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Novo Testamento. Geográfica Editora.

Fonte: https://redebrasiloficial.com.br/licao_ebd.php Acesso em 22 de Jan de 2026

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