ASSEMBLEIA DE DEUS TRADICIONAL NO AMAZONAS
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2026
Adultos - A SANTÍSSIMA TRINDADE - O Deus Único revelado em Três Pessoas Eternas
COMENTARISTA: Douglas Roberto de Almeida Baptista
COMENTÁRIO: EV. ANTONIO VITOR DE LIMA BORBA

LIÇÃO Nº 2 – O DEUS PAI
Nesta lição, conheceremos com maiores detalhes a identidade do Pai, Seus atributos e Sua revelação ao homem. As Escrituras comprovam a coexistência das três Pessoas da santíssima Trindade, bem como a forma como cada Pessoa se manifesta no decorrer da história (Mt 28.19; Rm 1.20). A maior revelação do Pai e que nos aproxima de Sua natureza é a Pessoa de Jesus Cristo. Enquanto esteve neste mundo, Ele revelou quem é o Pai, a saber, um Deus amoroso, compassivo, cheio de misericórdia e disposto a perdoar os pecadores e trazê-los para perto de si (Jo 3.16). O Pai se fez conhecer ao mundo por intermédio do Filho e desfaz, por meio dEle, as inimizades que separam a humanidade do seu Criador (Ef 2.15-17).
O Objetivo deste comentário é contribuir para o preparo de sua aula, e apresentar um subsídio a parte da revista, trazendo um conteúdo extra ao seu estudo. Que Deus nos ajude no decorrer desta maravilhosa lição.
A IDENTIDADE DE DEUS, O PAI
Dentro do estudo acerca da doutrina da santíssima Trindade, precisamos analisar os aspectos relacionados ao Deus Pai. Não estamos falando de uma tarefa fácil, haja vista que nós só conhecemos aquilo que Deus deixou ser compreendido, através de uma revelação progressiva nas páginas das Escrituras Sagradas.
Deus, o Pai celestial, revelou a Si mesmo por intermédio das Suas ações e palavras, bem como de maneira mais próxima através do Seu Filho Jesus Cristo. Somente podemos conhece-Lo porque os seus nomes, atributos e atos destaca-O e revela-O para que possamos refletir na grandeza do Seu poder.
A criação do mundo e tudo o que nele há fala da existência de um Criador. “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (SI 19.1). “Tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas” (Rm 1.20). Como um relógio fala da existência de um relojoeiro, assim a criação fala de um Criador que é poderoso.
É difícil falar plenamente do Pai por motivo de que ninguém é capaz de mensurar a Sua existência. O texto Sagrado destaca inúmeros versículos que demonstram essa grandeza:
“A quem pois me fareis semelhante, para que lhe seja semelhante? — diz o Santo.” – Is 40.25
“Entre os deuses não há semelhante a ti, Senhor, nem há obras como as tuas.” – Sl 86.8
“Ninguém há semelhante a ti, ó Senhor; tu és grande, e grande é o teu nome em força.” – Jr 10.6
“Grande é o Senhor nosso e mui poderoso; o seu entendimento não se pode medir". – Sl 147.5
“Grande é o SENHOR e mui digno de ser louvado; a sua grandeza é insondável". – Sl 145.3
“Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos!" – Rm 11.33
“Eis que Deus é grande, e nós o não compreendemos, e o número dos seus anos não se pode calcular.” – Jó 36.26
Deus é infinitamente perfeito (Mt 5.48; Dt 18.13). Por isso a sua obra é perfeita (Dt 32.4) e também os seus caminhos o são (SI 18.30). Todas as características da sua Pessoa e da sua natureza não são apenas expressões de algumas atitudes que demonstra ou tem, mas constituem a própria substância, a essência da sua divindade.
Destaque
Se temos algum conhecimento de Deus é porque Ele optou por se nos revelar. Mas este conhecimento que agora temos, embora confessadamente limitado, é mui glorioso e constitui-se na base suficiente de nossa fé.
O Novo Testamento enfatiza a paternidade de Deus. A maneira mais comum pela qual o Senhor Jesus se referia a Deus era “Pai”. Na teologia cristã, este termo é originalmente reservado à primeira pessoa da Trindade. Mas, a designação Pai é algumas vezes usada em relação ao Deus Supremo (1 Pedro 1.17; Isaías 9.6, onde “Pai da Eternidade” conota a verdadeira divindade do Messias). O conceito de Deus como Pai está presente no Antigo Testamento que descreve um relacionamento criativo e redentor, ou de aliança. Os contemporâneos de Malaquias perguntam: “Não temos nós todos um mesmo Pai? Não nos criou um mesmo Deus?” (Ml 2.10). Isaías compara as ideias de pai e de oleiro chamando Deus de Criador (64.8).
Em um sentido único, Deus é o Pai de Jesus Cristo pela geração eterna, expressiva de um relacionamento essencial e de duração infinita.
O PAI REVELADO EM CRISTO
Como já tratamos aqui, o Deus Pai somente é conhecido por aquilo que Ele mesmo revelou de Si. É impossível que a mente humana tenha a completa dimensão de um Ser tão poderoso e grandioso. Contudo, Ele mesmo decidiu enviar o Seu Filho, para que possamos, por Ele, compreender o Pai naquilo que Ele assim permitiu.
A Bíblia enfatiza que o homem, como uma criatura, foi especialmente feito para conhecer seu Criador, que se revela ao homem na natureza, na consciência e, adicionalmente, em acontecimentos históricos em particular. Esta revelação divina, que culmina em Jesus Cristo como a autorrevelação de Deus em carne, está narrada e interpretada com autoridade pelas Escrituras. O Deus da teologia bíblica é, portanto, decisivamente conhecido a partir das informações das Escrituras, isto é, da revelação profética-apostólica, centrada em Jesus Cristo como a revelação encarnada da divindade.
Em Jesus temos uma mediação para alcançarmos um nível maior de conhecimento sobre o Pai. Essa mediação está exclusivamente centrada nEle, isto é, no próprio Filho, destacando a vontade do Deus incognoscível em revelar a Sua criação o traços de Sua personalidade e vontade.
Jesus, o Filho de Deus, cuja existência e vida nesse mundo estão historicamente comprovadas, veio para revelar Deus aos homens (Lc 10.22) e o fazer conhecer (Jo 1.16). Jesus disse: “Quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14.9). O caminho mais curto para conhecer a Deus é aceitar a Jesus como seu Salvador, porque Ele é o caminho para o Pai (Jo 14.6).
Sem a presença do Filho entre nós, e suas ações reveladas e descritas nas Escrituras Sagradas, não poderíamos, de maneira alguma, conhecer o Deus Pai. O próprio comentarista da revista destaca que “a obra, as palavras e o caráter de Jesus são expressão direta da ação do Pai (Jo 14.10,11)”. A terra só recebeu a presença do Filho porque o Pai amou o mundo de maneira inexplicável (Jo 3.16), e o Filho transmitiu quem é o Pai para aqueles que creram nEle e na palavra que aqui transmitiu.
Destaque
A revelação do Novo Testamento, mostrando que Deus é Espírito (Jo 4.24) acrescenta a dramática ênfase de que o Deus invisível tornou-se encarnado - de uma forma única- em Jesus Cristo (Jo 1.14,18). A revelação de Deus em Cristo mostra que Deus é um ser social. No Deus único existe uma associação de pessoas divinas; além disso, este Deus precioso procura restaurar os pecadores condenados a uma comunhão pessoal consigo mesmo, ainda que esta bênção lhe custe uma morte sacrificial. A revelação do “nome de Jesus”, da eterna paternidade e da eterna filiação no próprio ser de Deus, prossegue com a revelação de que em Deus há três pessoas em uma única divindade: “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28.19).
A experiência pessoal da salvação, por meio do sangue de Jesus Cristo, faz com que nos aproximemos de Deus (Ef 2.13), e temos, então, absoluta certeza da existência dEle, porque o Espírito do seu Filho clama em nós: “Aba, Pai” (G1 4-6), e nós podemos, com toda a tranquilidade, orar no coração: “Pai nosso, que estás nos céus” (Mt 6.9).
O Deus verdadeiro e incognoscível revelou-se a si mesmo em sua Palavra. Assim, o homem pode conhecê-lo — haja vista ser Ele também imanente — o suficiente para que exista um relacionamento entre ambos. Em virtude da infinita grandeza do Criador, esse conhecimento acerca dEle é comparável ao reflexo de um espelho, como um enigma (1 Co 13.12), pois “em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos” (1 Co 13.9). Nesse sentido, Deus é cognoscível, conquanto esse conhecimento não signifique simplesmente o fato de alguém possuir informações sobre Ele. Trata-se de uma expressão que denota a autorrevelação de Deus, em Jesus Cristo, para a vida eterna.
A PESSOA DE DEUS PAI
Deus também é revelado pelos seus atributos. Nas Sagradas Escrituras entendemos que o nosso Pai transmite informações sobre a Sua personalidade e poder através do que conhecemos sobre Ele, e isso somente é possível por meio de seus atributos.
Esses atributos são geralmente classificados em dois grupos principais, nos tratados de teologia sistemática. O primeiro reúne todos aqueles atributos exclusivos da divindade ou deidade, como infinitude, imensidão, eternidade, transcendência etc. São os atributos incomunicáveis, chamados de atributos naturais, absolutos ou, ainda, de imanentes (ou intransitivos).
A incognoscibilidade divina é oriunda dos seus atributos incomunicáveis — como a infinitude e a imensidão: “a sua grandeza, inescrutável” (SI 145.3); “o seu entendimento é infinito” (SI 147.5) — e da limitação do entendimento humano. Deus revelou-se a si mesmo na Bíblia, mas pode ser considerado incognoscível quando se trata do conhecimento pleno do seu Ser e de sua essência.
O segundo grupo de atributos são chamados de comunicáveis, isto é, aqueles nos quais o nosso Deus compartilhou, de maneira limitada, aos seres humanos, como espécie de uma assinatura moral do Seu caráter em nós. Devemos destacar que essa assinatura nos faz possuir a imagem e semelhança de Deus, embora a corrupção ocorrida pelo pecado original.
Outro ponto a ser lembrado é o fato de o nosso Deus ter relevado a Si mesmo através dos seus nomes conhecidos nas Escrituras. Wycliffe diz que os termos e os nomes de Deus mostrados na Bíblia Sagrada - genéricos, próprios e pessoais - fornecem uma apresentação do Criador, Preservador, Redentor e Juiz da vida.
Destaque
Para compreendermos com clareza a natureza do Pai, precisamos conhecer algumas de Suas qualidades mais inerentes, também chamadas pelos estudiosos de atributos. Os atributos são as qualidades que Deus manifesta em Seu caráter e O tornam conhecido. Esses atributos são classificados como incomunicáveis, que são aqueles que pertencem exclusivamente a Ele; e comunicáveis, que são os que compartilha com as Suas criaturas. Dentre os atributos naturais de Deus, há um que nos garante conhecer a Sua Pessoa, mesmo de forma limitada.
Estamos falando da cognoscibilidade. A respeito de Deus, esse termo significa que Ele pode ser conhecido e compreendido intelectualmente pelo ser humano.
Deus não se oculta para encobrir seus atributos, mas para deixar-nos bem patentes nossos limites diante do seu ilimitado poder. Pelo fato de Deus ter decidido agir através de seu Filho (Hb 1.2) e ter a sua plenitude habitando nEle (Cl 1.19), podemos estar confiantes de que encontraremos em Jesus as grandiosas manifestações do caráter divino. Jesus não somente torna conhecido o Pai, como também revela o significado e a importância do Pai Celestial.
COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - EV. ANTONIO VITOR LIMA BORBA
