Adultos

Lição 9 - Vontade — O que move o ser humano VI

ASSEMBLEIA DE DEUS TRADICIONAL - CEADTAM - CGABD

PORTAL ESCOLA DOMINICAL

QUARTO TRIMESTRE DE 2025

Adultos - CORPO, ALMA E ESPÍRITO: A restauração integral do ser humano para chegar à estatura completa de Cristo

COMENTARISTA: Silas Queiroz

COMENTÁRIO: EV. ANTONIO VITOR DE LIMA BORBA

LIÇÃO Nº 9 – A VONTADE - O QUE MOVE O SER HUMANO

Nesta aula, veremos mais um aspecto inerente à natureza humana. Não menos importante do que os demais, vamos compreender com maiores detalhes a vontade ou volição como também é chamada. Na cosmovisão cristã, a vontade é um tema muito discutido, haja vista ser uma capacidade humana que ficou comprometida pela ação do pecado após a Queda.

Vale destacar que a volição não é por natureza ruim. Antes, é a motivação inerente da alma, que nos leva a agir e a tomar decisões. Foi o Criador quem nos concedeu essa capacidade e, portanto, nos cabe o dever de submetê-la a Deus, conforme os ensinamentos de sua santa Palavra.

O Objetivo deste comentário é contribuir para o preparo de sua aula, e apresentar um subsídio a parte da revista, trazendo um conteúdo extra ao seu estudo. Que Deus nos ajude no decorrer desta maravilhosa lição.

VONTADE: MOTIVAÇÃO E AÇÃO

A vontade é uma força interior dada por Deus e que põe o ser humano em movimento em todas as áreas da vida. Essa força foi corrompida com a Queda (assim como tudo o mais no homem), mas ainda se mostra vital para a existência humana. Num sentido geral, vontade ou volição pode ser conceituada como a capacidade humana de desejar, querer, almejar, escolher e agir.

Essa capacidade movimenta o interior do ser humano, fazendo-o interessar e agir segundo seus interesses. Essa vontade recebe a influência direta dos pensamentos, bem como de nossa condição espiritual: quanto mais carnais formos, mais as nossas vontades estarão inclinadas a carnalidade; quanto mais espirituais formos, mais as nossas vontades estarão mais alinhadas com as Sagradas Escrituras.

A vontade pode ser entendida também como motivação. Sem desejo ou vontade, não há motivação e, via de consequência, ação. Em um sentido geral, sempre agimos movidos por nossa vontade. Nesse conceito amplo, há manifestação da vontade mesmo quando o que fazemos não era originariamente nossa vontade, mas de outrem, se a ela aderimos voluntariamente (SI 143.10; Lc 22.42).2

Destaque

As Escrituras são contundentes em mostrar que a vontade divina, muitas vezes, contraria os anseios da natureza humana sem Deus. Grande parte dos desejos humanos é influenciada diretamente pela ganância do possuir o que não lhe pertence, do ser na intenção de satisfazer ao ego e do poder para ostentação e status (1 Jo 2.16,17). O grande desafio da vida cristã é viver neste mundo de tal forma que os desejos da natureza humana não comprometam as decisões ou mesmo a conduta cristã. Nesse sentido, os anseios da natureza humana devem ser disciplinados pelo ensino da Palavra de Deus. O apóstolo Paulo ressalta que "a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis" (Gl 5.17).

DESEJOS: DA ESCRAVIDÃO À REDENÇÃO

Ser escravo dos próprios desejos é uma das circunstâncias mais trágicas que o ser humano pode enfrentar. Isso, porém, não acontece senão após uma rebelde insistência do homem em agir frontalmente contra a vontade divina. Não raro essas atitudes revelam ingratidão, como aconteceu com o povo hebreu no deserto.

Estar escravo dos nossos próprios desejos nos aprisiona na busca pelo prazer e satisfação pessoal. Sempre buscaremos agir de acordo com aquilo que nos apraz, e fugindo da vontade de Deus para nossa vida. O povo hebreu viveu envolto aos seus desejos, e com isso se afastou de seu propósito na caminhada no deserto.

O drama dos desejos humanos continua na era cristã com uma diferença fundamental: Cristo venceu o pecado e dá poder a nós para que também o vençamos (Rm 6.6). Mas, enquanto estamos neste corpo mortal, há um conflito espiritual constante. Todo cristão precisa decidir diariamente entre a sua vontade e a vontade do Espírito (G1 5.17).

Nossos desejos e vontades foram contaminados pelo pecado original, e isso faz com que em nós seja urgente a necessidade de cada dia mais mortificar o velho homem. Enquanto estivermos nessa vida, essa guerra será infindável.

Diante dos desejos da carne e da vontade do Espírito, o homem espiritual recebe de Deus a graça para decidir pelas "coisas do Espírito" (Rm 8.5), como resultado da sua nova natureza em Cristo (Ef 4.24; 2 Co 5.17). Nosso papel é não nos conformar com os desejos da velha natureza, dedicando-nos, pelo poder do Espírito, ao processo de mortificação de nossa carne (Rm 8.11-13; Cl 3.5).

Destaque

A natureza pecaminosa, ou a "carne" (gr. "sarx"), indica a natureza humana com os seus desejos corruptos e a sua tendência de desafiar a Deus e seguir o seu próprio caminho. Isto tem acontecido desde que o primeiro homem e a primeira mulher desobedeceram a Deus e permitiram que o peca do entrasse no mundo e infectasse a existência humana (Gn 3; Rm 5.12-21). A natureza pecaminosa permanece nos cristãos, mesmo depois que eles decidem aceitar e seguir a Cristo; ela continua a ser o seu inimigo mortal, que batalha contra o seu espírito (Rm 8.6-8, 13; Gl 5.17, 21). Os que seguem as tendências e os comportamentos da natureza pecaminosa não podem fazer parte do reino de Deus (Gl 5.21).

O ENSINO SOBRE OS DESEJOS EM TIAGO

A carta que escreveu Tiago destaca muito bem esse conflito que estão envoltos os nossos desejos. Ele afirma que somos tentados por nossas próprias concupiscências (Tg 1.14), pois elas nos atraem com vontades e desejos contaminados pela natureza humana caída. Nisso compreendemos que a tentação só alcança seu objetivo naquilo que realmente desejamos.
Em primeiro lugar, vemos que a tentação só tem efeito porque existem desejos pecaminosos. Em segundo lugar, há um processo que começa sutil, sedutor, e que se fortalece até o ponto de arrastar-nos. [...] a faculdade da vontade é retratada como um elemento de comunicação interna com o ser humano, com capacidade de atraí-lo e enganá-lo.

São os maus desejos que abrem as portas para a tentação. A tentação convida o crente a pecar, e esse pecado vem desejando aprisionar o ser humano em sua concupiscência, manipulando as suas ações.

Uma terceira observação está voltada ao fato de que não é possível racionalizar os desejos. Eles têm um terrível potencial de atrair e enganar. O termo grego para atrair em Tiago
1.14 é deleazo, que tem o sentido de "atrair por isca", o que demonstra sedução e engano, cuja consumação realiza-se pela força. Esse é o sentido de arrastar, presente em várias versões, como a NVI ("arrastado e seduzido") e a NVT ("nos seduzem e nos arrastam") e tudo isso em relação aos desejos.

Destaque

O crente deve ter sua mente ocupada continuamente com coisas espirituais (Cl 3.2-7), buscando a sabedoria que vem do Alto (Tg 3.13-18), a fim de que o exercício diário resulte em uma vida que mortifique a carne e cultive o Fruto do Espírito (Gl 5.19-22).

COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - EV. ANTONIO VITOR LIMA BORBA

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