ASSEMBLEIA DE DEUS DE MOEMA - MINISTÉRIO DO BELÉM - Setor 124 / SP
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2025
Juvenis: Uma viagem pelo Antigo Testamento
COMENTARISTA: THIAGO PANZARIELLO
COMENTÁRIO: PROFª. AMÉLIA LEMOS OLIVEIRA
LIÇÃO Nº 5 – ÊXODO: DE VOLTA À TERRA PROMETIDA
Flávio Josefo, em sua História aos Hebreus, nos relata que Israel passou dezessete anos no Egito. Ele vai para o Egito, provavelmente, no ano de 1659 a.C. O êxodo da descendência israelita do Egito ocorreu 218 anos depois, em torno de 1.448 a.C. Quando as Escrituras falam em 430 anos, estão fazendo referência ao período transcorrido desde a promessa feita a Abraão. Antes de partir, Jacó deixou algumas recomendações para seus filhos, além das bênçãos do patriarca que tinham uma dimensão profética e indicaram exatamente como seria o futuro de seus filhos:
Ele morreu velho nos braços de seu filho, depois de lhe desejar toda sorte de prosperidade. Predisse com espírito profético que cada um deles possuiria uma parte de Canaã, o que no correr dos tempos, não deixou de acontecer. Louvou muito a José porque ele em vez de se ressentir dos maus-tratos dos irmãos, fizera-lhes ainda mais bem do que se a isso estivesse obrigado. Ordenou que acrescentassem ao seu número Efraim e Manassés, filhos de José, para dividir com eles a terra de Canaã. (Flávio Josefo, 2021, p.136)
À qual promessa feita à Abraão estamos nos referindo? Lembremo-nos que Abraão também esteve no Egito e, lá, agiu de forma desagradável ao Senhor. Na primeira vez, declarou que Sara era a sua irmã e trouxe enfermidades à casa do faraó e, na saída, trouxe Agar junto com a sua família. As duas situações lhe trouxeram problemas. A prosperidade que ele angariou, as riquezas adquiridas, foram resultantes de um falso testemunho, porque o Faraó lhe presenteara por ser irmão de uma bela mulher. Contudo, a descendência abraâmica foi acolhida quando retornou à mesma terra com a seguinte promessa de Deus: “Então disse a Abrão: Saibas, de certo, que peregrina será a tua descendência em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos, mas também eu julgarei a nação, à qual ela tem de servir, e depois sairá com grande riqueza.” (Gn 15. 13,14)
O Senhor já havia prometido também que a semente de Abraão seria tão numerosa quanto as estrelas dos céus e foi exatamente o que aconteceu. O povo se multiplicou e foi ficando extremamente forte, o que começou a gerar temor naqueles que ocupavam o poder: “E levantou-se um novo rei sobre o Egito, que não conhecera a José; O qual disse ao seu povo: Eis que o povo dos filhos de Israel é muito, e mais poderoso do que nós.” (Ex 1.8,9)
Era a demonstração do temor de um povo que esteve no comando do Egito e formou as 15ª e 16ª dinastias faraônicas, até 17ª (o reino era concominante à 16ª), quando o Egito foi tomado por um grupo de semitas que não eram egípcios. Este povo migrou para o Egito em época de paz, da mesma forma que Jacó foi para lá em busca de alimento. Este grupo de asiáticos era denominado como hicsos (um nome grego). Cresceram de tal modo que, num momento de fragilidade política, derrubaram o faraó egípcio e instituíram um faraó hicso. Cultivaram toda a cultura egípcia. Eram semitas, descendentes de Sem. O Faraó egípcio foi para o Alto Egito. O Reinado dos hicsos dominava todo o Baixo Egito e a terra de Canaã. Em contrapartida, o verdadeiro faraó estava no sul.
Houve melhorias visíveis no Egito na época: eles trouxeram a carruagem, o cavalo, os nilômetros (ou seja, indicavam a época do Egito no qual haveria chuvas e cheia no Nilo, bem como a estação seca; veriam tudo isto pelo volume de águas do rio), usariam escadas cujos degraus eram o índice da medida. Avaris era a capital dos hicsos.
Por causa da presença desta dinastia, que não era verdadeiramente egípcia, mas semita, no comando do Egito, o Faraó (que não era hicso) temeu pelo povo de Israel. Seria um novo pesadelo? Teria que lutar novamente pelo poder do Egito?
Diante daquele povo forte e numeroso, para o homem é mais simples ordenar a opressão, esclarecendo a todos que o Egito e a sua dinastia estão no poder.
E levantou-se um novo rei sobre o Egito, que não conhecera a José; O qual disse ao seu povo: Eis que o povo dos filhos de Israel é muito, e mais poderoso do que nós. Eia, usemos de sabedoria para com eles, para que não se multipliquem, e aconteça que, vindo guerra, eles também se ajuntem com os nossos inimigos, e pelejem contra nós, e subam da terra. E puseram sobre eles maiorais de tributos, para os afligirem com suas cargas. Porque edificaram a Faraó cidades-armazéns, Pitom e Ramessés. Mas quanto mais os afligiam, tanto mais se multiplicavam, e tanto mais cresciam; de maneira que se enfadavam por causa dos filhos de Israel. E os egípcios faziam servir os filhos de Israel com dureza; assim que lhes fizeram amargar a vida com dura servidão, em barro e em tijolos, e com todo o trabalho no campo; com todo o seu serviço, em que os obrigavam com dureza. (Ex 1. 8-14)
Segundo ARCHER Jr. (2012, p. 252 -258), há alguns motivos pelos quais José não ascendeu ao posto de Governador / Primeiro-Ministro durante a dinastia dos hicsos:
A provável data de migração de Jacó ara o Egito durante a primazia de José foi cerca de 1870 a.C. Isto representa entre 94 e 140 anos antes da ascensão dos hicsos e coloca José na 12ª dinastia.
Há indicações claras no texto de Gênesis, e também em Êxodo 1, de que o Faraó que deu as boas-vindas a José era egípcio nativo, e não estrangeiro semita. A dinastia egípcia reinante demonstra desdém nacionalista por estrangeiros asiáticos. Quando José recebe seus irmãos em sua sala de banquete, ele os força a se sentarem sozinhos, e não como convidados à sua mesa (Gn 43:32)
O sentimento do governo egípcio na época de José era fortemente adverso aos pastores (Gn 46:34): “[...] porque todo pastor de ovelhas é abominação para os egípcios.” Teria sido o mais grosseiro exagero afirmar que os israelitas eram mais numerosos que os egípcios, mas é bem possível que ultrapassassem a casta guerreira dos hicsos. (ARCHER Jr., 2012, p. 252 -258),
É possível que o novo rei (que não havia conhecido José) fosse da dinastia dos hicsos e obrigasse os hebreus a trabalharem nos projetos de construções.
COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - PROFª. AMÉLIA LEMOS OLIVEIRA