ASSEMBLEIA DE DEUS TRADICIONAL NO AMAZONAS
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2026
Jovens:PLANO PERFEITO - A SALVAÇÃO DA HUMANIDADE, A MENSAGEM CENTRAL DAS ESCRITURAS
COMENTARISTA: MARCELO DE OLIVEIRA
COMENTÁRIO: PB. ANTONIO VITOR DE LIMA BORBA

LIÇÃO Nº 8 - A ELEIÇÃO NA SALVAÇÃO
O Objetivo deste comentário é contribuir para o preparo de sua aula, e apresentar um subsídio a parte da revista, trazendo um conteúdo extra ao seu estudo. Que Deus nos ajude no decorrer desta maravilhosa lição.
O CONCEITO BÍBLICO DE ELEIÇÃO
“Eleição” e “escolha” são apenas um termo, no original: ecloge. A eleição “olha” para o aspecto passado da nossa salvação (1 Pe 1.2; Ef 1.4). Eleição divina é, pois, a nossa escolha para a salvação, feita por Deus. Nós, pecadores por natureza, não sabemos escolher, mas o Senhor nos escolhe (Jo 15.16).
Quando refletimos sobre a obra da salvação efetuada em nós, a doutrina da eleição é um dos pontos a serem refletidos. Muitas controvérsias foram levantadas ao longo dos séculos, principalmente quando o debate gira em torno da incondicionalidade ou condicionalidade da eleição. Contudo, devemos fugir das rodas de polêmicas e voltar-nos às Sagradas Escrituras com corações humildes, e refletir no que o grande compêndio bíblico nos aponta sobre esse tema.
Na Bíblia mencionam-se a eleição divina coletiva, como a de Israel (Is 45.4; 41.8,9) e a da Igreja (Ef 1.4); e a individual, como a de Abraão (Ne 7.9) e a de cada crente (Rm 8.29). A vocação e a eleição do crente, do seu lado humano. Em 2 Pedro 1.10 lemos: “Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis”.
A eleição não ocorre de maneira incondicional, isto é, Deus elegendo incondicionalmente quem será salvo. Isso é um absurdo teológico que pode, de certo modo, ir de encontro à justiça de Deus. A eleição bíblica é condicional, ou seja, aqueles que responderem positivamente ao chamado da salvação, que é realizado através da pregação do evangelho, seremos contados como o povo escolhido de Deus, e participantes da grande obra da salvação.
A escolha divina ocorre da maneira como é descrita em 1 Tessalonicenses 1.4-10. Ela se dá pelo recebimento do evangelho, pela fé, e permanência em Cristo, mediante a santificação daqueles que se convertem dos ídolos ao Deus vivo e verdadeiro, a fim de servi-lo “e esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura” (v. 10). Deus não elege uns para a salvação, e outros, para a perdição. O homem é capaz de fazer a livre-escolha. E a graça de Deus não é irresistível, como muitos ensinam, valendo-se do falacioso chavão “Uma vez salvo, salvo para sempre”.
A ELEIÇÃO BÍBLICA FUNDAMENTADA EM JESUS
Toda a doutrina da eleição encontra o seu ponto de partida e linha de chegada na pessoa de Jesus Cristo, conforme já enfatizamos. Ele é o Eleito por excelência, o Cordeiro de Deus escolhido antes da fundação do mundo para realizar a obra redentora em favor da humanidade (1 Pe 1.19,20; Ap 13.8). Essa eleição não se restringe ao título de Salvador, mas abrange o sacrifício perfeito e definitivo que Ele ofereceu em nosso lugar, abrindo o caminho da salvação a todos os que nEle creem. Cristo é, portanto, o primeiro e o verdadeiro eleito, e é somente unidos a Ele que podemos ser chamados de povo escolhido.
Através do sacrifício de Cristo na cruz do calvário, a obra da salvação aponta, passa e está condicionada a Ele. Como assim? O pecador somente será salvo se crer que Cristo morreu e ressuscitou, e, a partir da fé nEle, se arrepender de seu pecado e o reconhecer Jesus como o Senhor de sua vida.
Os salvos foram escolhidos em Cristo, antes da fundação do mundo, para que fossem feitos santos por meio da separação do pecado, sendo separados para Deus e santificados pelo Espírito Santo, como consequência de sua eleição em Cristo. Todos aqueles que são escolhidos para a felicidade final são escolhidos para que tenham a santidade como meio para alcançarem este final.
Através de Cristo, fomos alcançados pela tão maravilhosa graça que nos faz sermos contados como os eleitos para a vida eterna. Sem Cristo não há eleição. O mérito dessa tão grande obra passa por Ele, e por isso que Jesus é o autor e consumador da nossa fé.
Por isso, em nossa perspectiva pentecostal, a eleição é profundamente cristocêntrica: tudo gira em torno de Jesus e da sua obra redentora. É em Cristo, e somente nEle, que a eleição torna-se realidade. A cruz, onde o seu sangue foi derramado, não apenas revela o plano eterno de Deus, como também assegura que nossa eleição não é resultado de um decreto abstrato, e sim do amor concreto manifestado no sacrifício do Filho.
IMPLICAÇÕES DA ELEIÇÃO BÍBLICA
A eleição divina não é um privilégio fechado em si mesmo, mas um chamado para cumprir um propósito global de proclamar o evangelho. Quando Cristo ordenou: “Ide, ensinai todas as nações” (Mt 28.19), deixou claro que a missão de anunciar o evangelho pertence a toda a Igreja. Ser eleito em Cristo não significa apenas desfrutar das bênçãos da salvação, mas é também assumir a responsabilidade de compartilhar essa graça com o mundo.
Não fomos eleitos para sermos egoístas e guardar a salvação apenas para nós. O cristão que foi verdadeiramente salvo tem em seu coração a chama da evangelização, pois ele deseja pescar os pecadores para Cristo, pois entende que a salvação o convoca para ser um pescador de homens.
Ser eleito por Deus significa ser separado para viver de maneira distinta neste mundo. Nesse caso, a santidade não é um adorno opcional, mas a marca do povo que pertence a Cristo. Não por acaso, o apóstolo Pedro claramente nos lembra: “Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pe 1.16). Assim, a eleição é um convite para refletirmos o caráter de Deus em nossas palavras, atitudes e escolhas.
Devemos ter sempre em mente o quão maravilhosa é a salvação que nos alcançou. Como mortos em delitos e pecados, não éramos dignos de nada além da morte. Mas o sangue de Cristo nos resgatou e nos conduziu para uma nova condição, a que fomos feitos filhos de Deus. Por este motivo a santificação diária deve ser um exercício permanente até a nossa glorificação.
A eleição também nos conduz ao serviço. Não fomos escolhidos apenas para desfrutar das bênçãos da salvação, mas também para participar ativamente da obra do Reino — aliás, o apóstolo Paulo afirma que somos “criados em Cristo Jesus para boas obras” (Ef 2.10). Isso significa que cada eleito recebeu uma missão: servir a Deus com os dons que Ele mesmo concedeu.
Referências:
1 – GILBERTO, Antonio et al. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
2 – OLIVEIRA, Marcelo. O Plano Perfeito. Rio de Janeiro: CPAD, 2025.
3 – HENRY, Matthew. Comentário bíblico de Matthew Henry. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.
COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - PB. ANTONIO VITOR LIMA BORBA
