Adultos

Lição 7 A teologia de Bildade: se há sofrimento, há pecado oculto? V

SUPERINTENDENCIA DAS EBD'S DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS EM PERNAMBUCO

PORTAL ESCOLA DOMINICAL

QUARTO TRIMESTRE DE 2020

Adultos - A FRAGILIDADE HUMANA E A SOBERANIA DIVINA: o sofrimento e a restauração de Jó

COMENTARISTA: JOSÉ GONÇALVES

COMENTÁRIO: SUPERINTENDÊNCIA DAS EBD'S DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS EM PERNAMBUCO

 

LIÇÃO 7 - A TEOLOGIA DE BILDADE: SE HÁ SOFRIMENTO, HÁ PECADO OCULTO?

INTRODUÇÃO

Nesta lição estudaremos sobre quem foi Bildade, um dos amigos de Jó; notaremos os três discursos dele contra o patriarca; pontuaremos um pouco da sua teologia e a devida refutação bíblica; analisaremos as contestações de Jó as palavras de Bildade; e por fim, veremos as causas pelas quais sofremos no mundo.

I – INFORMAÇÕES SOBRE BILDADE

1.1 Quem foi Bildade. Segundo o dicionário de Strong o nome de Bildade significa: “amor confuso”. Não possuímos muitas informações acerca de Bildade. Limita-se a Bíblia a informar que este amigo de Jó era um suíta. Certamente morava ele em Canaã, ou em suas imediações, pois: a) falava uma língua aparentada a de Jó e a de seus amigos; b) não demorou em encontrar-se com Elifaz e Zofar quando combinaram vir consolar o patriarca; c) sua visão de mundo era bem parecida com a de seus dois outros companheiros. Bildade um semita que habitava no território cananeu, onde Suá, à semelhança de Temã, era um dos muitos pequenos reinos ali estabelecidos (ANDRADE, 2011, p. 146).

1.2 Sua relação com Jó. Bildade é descrito como o segundo dos três amigos de Jó (Jó 2.11; 8.1; 18.1; 25.1; 42.9), que veio condoer-se dele, quando soube de sua aflição, mas que, na verdade, aumentou seu sofrimento (Jó 2.11). Os três amigos de Jó eram idosos (Jó 32.6) e é bem possível que Bildade fosse o segundo mais velho, uma vez que seu nome aparece em segundo lugar e ele fala depois de Elifaz (Jó 8.1-4).

1.3 Lugar de origem. Quanto ao seu lugar de origem é dito que ele era “suíta”, provavelmente por ser descendente de um filho de Abraão e Quetura chamado Suá (Gn 25.2; 1Cr 1.32; Jó 2.11), ou por ter sido membro de uma tribo aramaica que viveu no sudeste da Palestina (Gn 25.2,6).

1.4 A teologia de Bildade. Uma teologia do “toma-lá-dá-cá”, ou seja, uma teologia da barganha que destaca uma meritocracia humana no processo de justificação diante de Deus as ideias por ele defendidas. Logo, o enfoque de Bildade não é a graça que flui de Deus, mas o esforço humano que, por mérito próprio, pretende justificar o homem diante de Deus. Esta era uma demonstração da cultura gentílica, a ideia da troca de favores. Um moralismo fundamentado na tradição (Jó 8.5,6). Pode-se descrever Bildade com uma só palavra: legalista. Seu lema era: “Eis que Deus não rejeita o íntegro, nem toma pela mão os malfeitores” (Jó 8.20).

II – OS TRÊS DISCURSOS DE BILDADE

2.1 Primeiro discurso (Jó 8.1-22). Neste capítulo observamos Bildade, dizendo que Jó não poderia queixar-se de seu sofrimento, pois Deus é justo e jamais traria tal angústia sobre ele, se pelo menos seus filhos não houvessem pecado (Jó 8.1-3). Bildade foi o primeiro dos três a acusar os filhos de Jó de transgressão, e por sua vez, de merecerem a calamidade que lhes sobreveio. Se Jó se arrependesse, Deus restituir-lhe-ia a prosperidade. Os tempos passados mostram que Deus destrói o perverso e sustenta o justo (Jó 8.5-7; 20-22). Portanto, seu sofrimento não era injusto, mas punitivo, por algum pecado que Jó mesmo podia desconhecer.

2.2 Segundo discurso (Jó 18.1-21). Neste segundo discurso, Bildade declara que os pecadores recebem apenas miséria nesta vida e desonra após a morte (Jó 18.21). Assim como Elifaz, Bildade classificou as aflições de Jó como as que sobrevêm aos perversos.

2.3 Terceiro discurso (Jó 25.1-6). No terceiro discurso, ele sustenta a majestade e a perfeição de Deus em supremacia à imperfeição de todas as coisas criadas e argumentou que o homem é “um verme” e por isso impuro diante de Deus (Jó 25.4-6). As ideias de Bildade idênticas a defendida a milênios depois pelo deísmo que afirma que Deus criou o mundo, mas ausentou-se dele abandonando suas criaturas, ferindo até a doutrina da onipresença divina.

III – A TEOLOGIA DE BILDADE REFUTADA PELA BÍBLIA

3.1 Não é verdade que se sofremos é porque pecamos. A Bíblia deixa claro que os sofrimentos vieram sobre o ser humano por causa do pecado original, nem sempre por causa de um pecado pessoal (Gn 3.16-19). No caso de Jó, de forma nítida, observamos que ele não havia transgredido contra Deus para passar por tudo aquilo, muito pelo contrário, é porque era fiel que estava sendo provado por Deus com tal sofrimento, conforme o testemunho do próprio Deus: “E disse o Senhor a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal, e que ainda retém a sua sinceridade, havendo-me tu incitado contra ele, para o consumir sem causa” (Jó 2.3).

3.2 Não é verdade que só resta sofrimento para o ímpio na terra. De acordo com a história sagrada os ímpios podem prosperar financeiramente, às vezes, até mais que os justos. A geração de Caim, por exemplo era tecnologicamente avançadíssima apesar de ímpia (Gn 4.17-22). Asafe, observou que os ímpios apesar de viverem no pecado prosperam (Sl 73.3-12). No entanto, sua prosperidade material não lhes assegura felicidade plena e vida eterna (Sl 73.16-20).

3.3 Não é verdade que o homem não possa ser justo diante de Deus apesar de suas limitações e imperfeições. O homem pode ser relativamente justo, somente Deus pode ser absolutamente justo. Jó, teve testemunho de sua justiça pelo próprio Deus: “E disse o Senhor a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desvia do mal” (Jó 1.8 - ACF). Outros servos de Deus também são tidos como justos em suas gerações, tais como: Daniel e Noé (Ez 14.14).

<p?>IV – AS CONTESTAÇÕES DE JÓ AS PALAVRAS DE BILDADE

4.1 Jó não se considerava absolutamente justo (Jó 9.1-35). Ao contrário do que pensava e afirmava Bildade, Jó não se considerava cem por cento justo. Ele sabia que era um homem com imperfeições: “Na verdade sei que assim é; porque, como se justificaria o homem para com Deus?” (Jó 9.2). No versículo 15 ainda afirmou: “Porque, ainda que eu fosse justo, não lhe responderia; antes ao meu Juiz pediria misericórdia” (Jó 9.15). Logo, Bildade estava equivocado. Jó não acusara Deus de injustiça por fazê-lo sofrer sem aparente causa. Ele apenas não entendia porque estava passando por tudo aquilo, visto que não tinha consciência de ter pecado, embora soubesse que era pecador (Jó 10.1,2).

4.2 Jó não ficava aliviado, com as palavras de seus amigos (Jó 19.1-29). Os amigos de Jó vieram consolá-lo (Jó 2.11), no entanto, suas palavras descabidas sobre Deus para tentar aliviar o sofrimento do patriarca se tornaram como flechas na sua alma, acrescentando-lhe mais dor (Jó 19.1). Não bastava para eles, que os parentes lhe deixassem, os servos e servas e sua esposa não suportar o seu hálito por causa da doença (Jó 19.13-19). Diante de tudo isto, Jó rogou que eles tivessem misericórdia e parassem de acusá-lo: “Compadecei-vos de mim, amigos meus, compadecei-vos de mim, porque a mão de Deus me tocou” (Jó 19.21). Apesar de tão grande sofrimento, não perdera sua fé, amor e esperança em Deus: “Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra” (Jó 19.25).

4.3 Jó reconhece a grandeza de Deus e defende sua integridade (Jó 26.1-14; 27.1-23). Assim como Bildade em seu terceiro discurso louva a Deus (Jó 25.1-6), Jó também o louva (Jó 26.1-14). No capítulo 27, o patriarca acrescenta que não manchará seus lábios de forma alguma, conservando sua integridade (Jó 27.1-4).

V – AS CAUSAS PELAS QUAIS SOFREMOS

A Bíblia aponta diversas causas pelos quais sofremos. Notemos:

5.1 Por causa do pecado original. Deus criou tudo perfeito e bom. No entanto, por causa da Queda, uma das consequências do pecado foi que o sofrimento entrou na vida humana (Gn 3.17-19).

5.2 Por causa de pecado pessoal. Não podemos negar que também podemos sofrer pelas escolhas erradas que tomamos na vida. Israel por diversas vezes por causa das atitudes erradas que fez (Jr 25.14; Mq 7.13). Diversos personagens bíblicos colheram o fruto de suas obras (Nm 12.1-10; 2Cr 26.19; At 5.1-6). A lei da semeadura ainda está em vigor (Gl 6.7).

5.3 Porque estamos no mundo. O fato de estarmos no mundo, contaminado pelo pecado, também nos faz sofrer. Jesus conscientizou os seus seguidores desta árdua verdade: “[...] no mundo tereis aflições [...]” (Jo 16.33). 5.4 Porque somos crentes. Ser filho de Deus não dá imunidade ao sofrimento. Pelo contrário, há tribulações que são pertinentes a vida daqueles que servem a Deus (Mt 5.11,12; At 14.22; 2Tm 3.12), pelo fato de sermos santos num mundo perverso e por que somos provados para sermos aperfeiçoados (Sl 119.71; 1Pd 4.12), através do sofrimento tal qual Jó (Jo 23.10; 42.2).

5.5 Porque Deus permite para moldar nosso caráter. De certa forma a provação deve até ser acolhida com prazer (Rm 5.3), pois tais provações têm algumas finalidades. São elas: a) mostrar ao homem a sua própria fraqueza e conscientizá-lo de sua dependência divina (Dt 8.3,16); b) aperfeiçoar o seu caráter (Is 48.10); c) aprofundar o seu conhecimento em relação a Deus (Jó 42.5); d) conceder-lhe experiências (Rm 5.3; 2Co 1.3); e) provar e aperfeiçoar a sua fé (1Pd 1.7); e, f) corrigir os erros cometidos (Sl 119.67,71; Dt 8.5; Hb 12.6).

CONCLUSÃO

A Bíblia nunca sugeriu aos crentes que sua vida seria um caminho fácil. Pelo contrário, adverte-os que se encontrariam envoltos em “várias provações e afições” (Jo 16.33; Tg 1.2). Assim, sabemos que enfrentaremos muitas “provas e tentações”, porém de todas nos livrará o Senhor da glória. Amém!

REFERÊNCIAS

• ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. CPAD.

• ANDRADE. Claudionor Corrêa de. Jó: O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Propósito. CPAD.

• GILBERTO, Antônio, et al. Teologia Sistemática Pentecostal. CPAD.

• HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa. OBJETIVA.

• PFEIFFER, Charles F. Comentário Bíblico Wycliffe. CPAD.

• STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

• CHAMPLIN, Russell Norman. Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Hagnos

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