Adultos

Lição 2 - O nascimento de um líder profético em Israel V

SUPERINTENDENCIA DAS EBD'S DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS EM PERNAMBUCO

PORTAL ESCOLA DOMINICAL

QUARTO TRIMESTRE DE 2019

Adultos - O GOVERNO DIVINO EM MÃOS HUMANAS: liderança do povo de Deus em 1º e 2º Samuel

COMENTARISTA: OSIEL GOMES DA SILVA

COMENTÁRIO: SUPERINTENDÊNCIA DAS EBD'S DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS EM PERNAMBUCO

 

LIÇÃO Nº 2 – O NASCIMENTO DE UM LÍDER PROFÉTICO EM ISRAEL

INTRODUÇÃO

Nesta lição, estudaremos rapidamente sobre a biografia de Samuel; veremos seu triplo ofício; pontuaremos os três níveis das consagrações de Samuel; e por fim, notaremos como ele nos deixou o exemplo de obediência e submissão a Deus e aos homens.

I – QUEM FOI SAMUEL

1.1 O nome de Samuel. Para o significado exato do nome Samuel existem várias alternativas sugeridas pelos intérpretes. Asprincipais são: “ouvido por Deus”, “aquele que provém de Deus”, “nome de Deus” e “prometido ou dado por Deus”. Pela vocalização do nome em hebraico “Shemu’el” sugere-se o significado de “nome de Deus” e, sem dúvida, isso está certo.

1.2 Local do nascimento de Samuel. De acordo com o livro de Samuel, Ramá (nome abreviado de Ramataim-Zofim) foi o lugar do nascimento (1Sm 1.19), da residência (1Sm 7.17) e sepultamento (1Sm 25.1) (CHAMPLIN, 2001, p. 1125 – grifo nosso). A cidade de Ramataim-Zofim estava situada na região montanhosa de Efraim, distando ao norte de Jerusalém aproximadamente 24 quilômetros. Samuel era de Ramataim-Zofim, palavra que do hebraico é “vigilante em dupla altura” ou então “cumes gêmeos de Zofim”. Esse local é descrito como sendo a terra do nascimento da família de Samuel, e dele mesmo. Um detalhe importante pode ser dito sobre essa localidade: ela será o lugar permanente de Samuel. Vale dizer que somente aqui é que aparece a completude dessa localidade, sendo que em outras passagens bíblicas vem apenas o primeiro nome: Ramá. Assim, pode-se crer que Zofim vem para fazer distinção entre outras regiões que também eram denominadas de Ramá, que quer dizer cume (1Sm 7.17), nela Samuel nasce, morre e é sepultado (1Sm 25.1) (GOMES, 2018, p. 28 – grifo e acréscimo nosso).

1.3 A família de Samuel. Elcana do hebraico “criado ou adquirido de Deus” era levita descendente de Coate (1Cr 6.26,33-38), e estava habitando na terra de Efraim (1Cr 6.22-30). Os coatitas eram encarregados do serviço nas coisas santíssimas (Nm 4.4). Temos que ter sempre em mente que Elcana era um levita, mas efraimita somente por causa de sua residência (BEACON, 2005, p. 179). Samuel irá atuar como sacerdote porque era de origem levita também (1Cr 6.66,33,34) (GOMES, 2018, p. 29 – grifo nosso). A mãe de Samuel era Ana e seu nome vem do hebraico “Hannah” que significa: “graciosa, benevolência ou “favor”. Algumas tradições judaicas atribuem a Ana sete filhos por influência do cântico de 1Samuel 2.5. O registro bíblico, entretanto, fala somente em cinco filhos além de Samuel, totalizando seis. Ou seja, Samuel tinha três irmãos e duas irmãs (CHAMPLIN, 2001, p. 1133 – grifo nosso).

1.4 A linhagem de Samuel. A genealogia de Elcana mencionada até a quarta geração passada, pode ser uma indicação de sua posição na sociedade, embora nada mais se conheça sobre as pessoas ali citadas. Elcana é um nome recorrente na lista dos descendentes de Coate (1Cr 6.22-30). E, em 1 Crônicas 6.66,33,34, apresenta Samuel como um levita. Vale assinalar o seguinte:[…] Belém é também chamada de Efrata no AT (Gn 36.15,19; Rt 4.11; Mq 5.2) e efraimita [...] pode indicar um membro da tribo de Efraim ou um belemita [...] havia ligações entre os levitas de Belém e os da região montanhosa de Efraim (Jz 17.7-12; 19.1-21). Se Elcana teve algum vínculo de parentesco com pessoas de Belém, seria natural que seu filho Samuel voltasse ali para oferecer sacrifício (1Sm 16.2,5), embora a família tivesse se reunido mais frequentemente em Siló no santuário de Efraim (BALDWIN apud GOMES, 2018, p. 29 – grifo nosso).

II - OS OFÍCIOS DE SAMUEL

2.1 Samuel atuou como profeta. Nessa função de profeta, Samuel deu a sentença para a casa de Eli (1Sm 3.1-18), ungiu Saul e Davi (1Sm 10.1; 16.13), reprovou Saul por desobediência (1Sm 13.13; 15.22,23), encorajou a Davi (1Sm 19.18), e escreveu a história dos atos de Deus em Israel (1Cr 29.29).

2.2 Samuel atuou como juiz. Samuel se tornou, no sentido exato do termo, o maior e último juiz de Israel (1Sm 7.15-17). Como os juízes de outrora, ele conduziu o povo em batalhas exercendo este ofício (ZUCK apud GOMES, 2018, pp. 29,30).

2.3 Samuel atuou como sacerdote. Quando era menino Samuel usava o éfode feito de linho, o sinal de sacerdócio (1Sm 2.18; 3.1; 2Sm 6.14). É significativo, portanto, que Eli tenha dado ao menino Samuel uma estola de linho (éfode), o que o identificava com o um sacerdote, e não com o mero levita que executava trabalhos manuais: “Samuel, porém, ministrava perante o Senhor, sendo ainda menino, vestido de uma estola sacerdotal de linho” (1Sm 2.18 - ARA). A estola de linho era usada pelos sacerdotes, mas não pelos levitas em geral (1Sm 22.18; 2Sm 6.14). D. L. Moody diz que esta estola sacerdotal era uma vestimenta usada pelos sacerdotes menos graduados, os levitas juízes e pessoas importantes, com propósitos religiosos (2Sm 6.14) (MOODY, sd, p. 10). Já a túnica, elaborada com grande cuidado por Ana que ela trazia de ano em ano, era uma espécie de sobretudo do hebraico “me'îl”, além de fazer parte de uma veste sacerdotal (1Sm 2.19 ver Êx 28.4). O Talmude diz que tal peça podia ser confeccionada pela mãe de um sacerdote […] E é provável que o exemplo dado pela túnica de Ana tenha aberto precedente para tal prática (CHAMPLIN, 2001, p. 1133 – grifo nosso). Como sacerdote Samuel liderou na adoração do Senhor no lugar alto em uma das cidades benjaminitas (1Sm 9.11-24), praticou o papel sacerdotal de sacrificar e ensinar (1Sm 7.9; 6.13-15; 13.8-14; 10.17-27; 12.1-25; 16.1-3;), e o próprio Deus testificou do seu sacerdócio (1Sm 3.35) (ZUCK apud GOMES, 2018, pp. 29,30 – grifo e acréscimo nosso).

III – AS ETAPAS DAS CONSAGRAÇÕES DE SAMUEL

3.1 A dedicação de Samuel desde o ventre de sua mãe. Samuel foi dedicado a Deus por sua mãe como parte de um voto que ela fez antes dele nascer. O nascimento de Samuel foi fruto de uma promessa feita por sua mãe, Ana, que fez um voto com Deus, prometendo que seu filho seria um nazireu deste o ventre (1Sm 1.11). A Bíblia nos diz que o nazireado já é possível desde o ventre materno: “Porque eis que tu conceberás e terás um filho sobre cuja cabeça não passará navalha; porquanto o menino será nazireu de Deus desde o ventre [...]” (Jz 13.5). Nazireu vem do hebraico “nazir” derivado de “nazar” que significa: “separar; consagrar; abster-se”. Vem ainda da palavra “nezer” que significa: “diadema; coroa de Deus” (Nn 6.3-6). Em virtude desta consagração, tanto a mãe, durante a gravidez, como o futuro nazireu deviam abster-se de certos alimentos, de bebidas fermentadas, de cortar o cabelo e tocar em cadáveres. Este voto podia ser feito tanto por um homem como por uma mulher (Nm 6.1-21).

3.2 A dedicação de Samuel na sua infância. Mesmo quando criança, Samuel recebeu sua própria túnica, uma vestimenta normalmente reservada a um sacerdote enquanto ministrava diante do Senhor na tenda da congregação em Siló, onde a arca da aliança era mantida (1Sm 2.18; 3:3). Sem dúvida, Ana contou a seu esposo, sobre seu voto, pois sabia que, de acordo com a lei mosaica, o marido poderia anular o voto da esposa caso não concordasse com ele (Nm 30). Como levita, nazireu, profeta e juiz, Samuel serviria fielmente ao Senhor e a Israel e ajudaria a dar início a uma nova era na história de seu povo. As mães israelitas costumavam desmamar os filhos aos 3 anos de idade: “[…] E era o menino ainda muito criança” (1Sm 1.24-c) (CHAMPLIN, 2001, p. 1129). Sem dúvida, durante esses anos preciosos, Ana ensinou o filho e o preparou para servir ao Senhor […] Quando Elcana e Ana apresentaram o filho ao Senhor, Ana lembrou a sacerdote Eli que ela era a mulher que havia orado pedindo um filho três anos ante (1Sm 1.24-27) (WIERSBE, 2010, p. 203).

3.3 A dedicação de Samuel na adolescência. Samuel teve uma infância e uma juventude incomum. Logo muito cedo começou uma vida de serviço no tabernáculo que ficava em Silo, a mais de 30 quilômetros de sua casa, em Ramá. O historiador judeus Fávio Josefo também conhecido pelo seu nome hebraico Yosef ben Mattityahu disse que Samuel, por essa época, tinha 12 anos de idade (JOSEFO, 2007, p. 276). Aos 12 anos um menino israelita se tornava “adulto para as coisas religiosas” como aconteceu com Jesus (Lc 2.39). É nesta idade que Samuel vai ouvir a voz de Deus e o Senhor vai se manifestar a ele confirmando o seu chamado (1Sm 3.4,10,11). Samuel foi escolhido por Deus para mudar a história de seu povo (1Sm 3.21).

IV – SAMUEL COMO EXEMPLO DE OBEDIÊNCIA E SUBMISSÃO

4.1 Samuel crescia diante de Deus e dos homens. Em alguns casos a maturidade espiritual supera a maturidade física. Samuel crescia em estatura e no favor do Senhor e “fazia-se agradável tanto para Deus como para homens” (1Sm 2.21;26). Samuel crescia em Deus e quando crescemos em Deus, também crescemos diante dos homens (1Sm 3.1;19). Samuel era aprendiz de Eli, mas acima de tudo aprendiz do Senhor pois o próprio Deus testificou disso (1Sm 2.35). Naquela época as obrigações que um aprendiz tinha era de abrir as portas do tabernáculo todas as manhãs (1Sm 3.15), limpar as mobílias do templo, varrer o chão e etc. Aos poucos, a medida que crescia em Deus, Samuel ajudava Eli nos holocaustos. Uma das maiores virtudes de Samuel era servir a Deus em submissão.

4.2 Samuel aprendeu a servir em submissão e obediência. Hoje muitos querem servir a Deus, querem ser “profetas”, mas não querem se submeter as suas lideranças. Samuel poderia muito bem seguir o exemplo dos filhos de Eli (1Sm 8.1-3) mas preferiu viver em submissão ao seu tutor. Muitos querem fazer a obra de Deus, mas não se submetem em obedecer seus líderes. Na história dos reis de Israel vemos que existiam homens que faziam o que era “reto a Deus”, mas também os que fizeram o que era “mal perante ao Senhor”. Todos esses responderam por seus atos. Deus permite que isso aconteça para ver a nossa obediência e submissão. Para ver se realmente sabemos ouvir e seguir o nosso chamado em obediência.

4.3 Samuel aprendeu ouvir o chamado de Deus. A vida de Samuel foi caracterizada por ouvir o chamado de Deus (1Sm 3.3-10). Samuel seguiu o seu chamado “ouvindo ao Senhor” e obedecendo sua palavra. Como um aprendiz e jovem profeta faltava a Samuel experiência com Deus. Samuel veio a servir a Deus na época da velhice de Eli (1Sm 2.22), e por isso, tinha dificuldade pois a referência de ouvir a Deus não era clara por parte de Eli e seus filhos, que como sacerdotes não eram exemplos. E Samuel aprendeu em sua própria experiência a ouvir a voz de Deus e lhe obedecer.

4.4 Samuel um verdadeiro exemplo moral e espiritual. Tradicionalmente, os filhos do sacerdote sucederiam o ministério do pai; no entanto, os filhos de Eli, Hofni e Finéias, eram iníquos por serem imorais e mostrarem desprezo pela oferta do Senhor (1Sm 2.17,22). Enquanto isso, Samuel continuou a crescer em estatura e em favor do Senhor e dos homens (1Sm 2.26). Podemos aprender que Samuel era mais que um profeta, um sacerdote ou juiz. Samuel era um líder espiritual a ser seguido e imitado. Seus relacionamento com Deus fez com que ele se tornasse referência a povo santo (Jr 15.1; At 3.24; 13.20). Por ter sido fiel a Deus, o Senhor o fez juiz, sacerdote, profeta, conselheiro e intercessor de Deus e dos homens. Um homem de Deus que desempenhava bem os papéis atribuídos a Ele. Um homem que em nada tinha de dolo (1Sm 12.1-4).

CONCLUSÃO

Aprendemos com a vida de Samuel que é possível servirmos a Deus fielmente mesmo emmeio a uma geração corrompida e desviada, e servos sal da terra e luz do mundo glorificando ao Senhor por meio de nossa vida.

REFERÊNCIAS

 HOUAISS, Antônio. Dicionário da Língua Portuguesa. SP: OBJETIVA, 2001.

 JOSEFO, Flávio (Trad. Vicente Pedroso). História dos Hebreus. RJ: CPAD, 2007.

 STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, 1997.

 TENNEY, Merril C. Enciclopédia da Bíblia. SP: CULTURA CRISTÃ, 2010.

 WIERSBE Warren W. Comentario Bíblico Claro e Conciso AT – Históricos. SP: GEOGRÁFICA, 2010

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