Adultos

Lição 12 - A mordomia do cuidado com a Terra V

SUPERINTENDENCIA DAS EBD'S DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS EM PERNAMBUCO

PORTAL ESCOLA DOMINICAL

TERCEIRO TRIMESTRE DE 2019

Adultos - TEMPO, BENS E TALENTOS: sendo um mordomo fiel e prudente com as coisas que Deus nos tem dado

COMENTARISTA: ELINALDO RENOVATO DE LIMA

COMENTÁRIO: SUPERINTENDÊNCIA DAS EBD'S DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS EM PERNAMBUCO

 

LIÇÃO Nº 12 – A MORDOMIA DO CUIDADO COM A TERRA

INTRODUÇÃO

Nesta lição aprenderemos sobre o significado do termo “terra” à luz das Escrituras; veremos também, que o universo foi criado por Deus e quais os seus propósitos em relação aos homens; destacaremos os princípios do cuidado com a criação, partindo do exemplo de Adão e Eva; e por fim, veremos os deveres cristãos no exercício da mordomia do cuidado com a terra.

I – DEFINIÇÃO DA PALAVRA TERRA

No Antigo Testamento duas palavras são frequentemente usadas para terra; o termo: “érets” que denota: o planeta inteiro, como também algumas partes que compõem a terra; país (Gn 1.1,2,10-12; 2.1; 4.12; Êx 8.17; 10.5; Lv 11.2,21; Jó 1.7; 2.2); como também a palavra: “adamah” que aponta mais diretamente para o solo cultivável (Gn 1.25; 2.6; Êx 10.6; Dt 4.10; 1Sm 4.12). Já no Novo Testamento, temos a expressão grega: “gê”, podendo indicar: “o próprio globo terrestre, como o solo, uma região, um país, os habitantes da terra” (Mt 5.5,13,18; 10.34; João 17.4; At 1.8; Rm 10.18; 1Co 8.5; Ef 1.10; Ap 1.5,7,10; 5.3; 10.2; 21.1,24) (CHAMPLIN, 2004, p. 388 – acréscimo nosso).

II – DEUS CRIOU A TERRA

A Bíblia não da suporte para a teoria da evolução, pois inicia afirmando o criacionismo: “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1 ver Sl 104.5). O que evoluiria seria a ciência, as pesquisas, o saber (Dn 12.4). Notemos então, os propósitos de Deus na criação em relação a terra:

2.1 Para que o homem pudesse viver de forma saudável. Assim nos informa o escritor sagrado: “E plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden, da banda do Oriente, e pôs ali o homem que tinha formado” (Gn 2.8). A palavra Éden significa: “deleite” ou “lugar de muita água”, indica que esse jardim era um paraíso vindo das mãos de Deus, criado para proporcionar o melhor ambiente possível para o primeiro casal. Neste sossegado lugar de indescrit ível beleza, o homem devia desfrutar da comunhão e do companheirismo do Criador, e trabalhar de acordo com o esquema divino para a realização de Sua vontade perfeita. Um adequado suprimento de água era fornecido por um vasto sistema de irrigação, um emaranhado de rios que brotavam dentro e à volta do jardim, dando-lhe vida (Gn 2.9,10-14).

2.2 Para que o homem pudesse desfrutar dela. As árvores que Deus plantou no jardim não eram apenas para mostrar a beleza de Sua criação (Gn 1.31; Ec 3.11), mas para a provisão diária de suas criaturas: “E o SENHOR Deus fez brotar da terra toda árvore agradável à vista e boa para comida […]” (Gn 2.9), Deus portanto, criou a terra para que o homem pudesse desfrutar dela de forma equilibrada (Gn 2.16), para seu mantimento e deleite pessoal (Gn 1.29,30; Sl 104.14,15).

2.3 Para que o homem pudesse cuidar dela. Os homens foram criados para ter domínio sobre a Terra (Gn 1.26,28). Adão e Eva foram os primeiros regentes da criação de Deus (Sl 8.6-8). Assim declara o salmista: “Os céus são os céus do Senhor, mas a terra, deu-a ele aos filhos dos homens” (Sl 115.16), de modo que dentro desta administração inclui o cuidado necessário com a terra: “E tomou o SENHOR Deus o homem e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar” (Gn 2.15). Entre as responsabilidades de Adão quanto a sua mordomia do cuidado com a terra, destacamos: (a) deveria estabelecer-se no Éden e cuidar especialmente desse lindo jardim paradisíaco (Gn 2.15); (b) deveria dar nomes a todas as criaturas (Gn 2.19,20); (c) deveria reproduzir-se e popular a terra com sua espécie (Gn 1.28); e, (d) deveria deleitar-se dos frutos de diversas árvores (exceto uma, a árvore do conhecimento do bem e do mal) (Gn 2.16).

III – ADÃO E O CUIDADO COM A TERRA

3.1 A elevada posição do ser humano na criação. Ao criar o homem, o Senhor lhe deu uma elevada posição diante de toda a criação (Gn 1.28; Sl 8.6). Segundo Berkof (2000, p. 174): “O homem é descrito como alguém que está no ápice de todas as ordens criadas. Foi coroado como rei da criação inferior e recebeu domínio sobre todas as criaturas inferiores. Como tal, foi seu dever e privilégio tornar toda natureza e todos os seres criados, que foram colocados sob seu governo, subservientes à sua vontade a o seu propósito, para que ele e todos os seus gloriosos domínios magnificassem o onipotente Criador e Senhor do universo”. Sua posição destacada fica evidente quando lemos que: “[…] Deus os abençoou e Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra” (Gn 1.28).

3.2 Os deveres de Adão e Eva na mordomia da terra. Deus ao criar o ser humano segundo a sua imagem (Gn 1.27), tinha como propósito, entre outras razões, permitir que Adão governasse a terra: “[…] e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra (Gn 1.26). O homem deveria exercer autoridade sobre toda a natureza (Sl 8.6-8). O Novo Testamento deixa claro que o homem foi feito para exercer domínio, sobre toda a criação (Hb 2.5-8). O escritor bíblico informa: “E tomou o SENHOR Deus o homem e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar” (Gn 2.15). A palavra guardar denota a ideia de manter, Deus estava ensinando a Adão sobre a necessidade de trabalhar para preservar o jardim, a fim de que não se tornasse um ambiente desordenado. Desde o princípio do mundo, Deus teve a preocupação de conservar a ecologia da terra.

3.3 O pecado de Adão e as suas consequências sobre a terra. Por ocasião da entrada do pecado no mundo através de Adão (Gn 3; Rm 5.12; 1Co 15.22), sobrevieram consequências físicas e espirituais (Gn 3.14-16; Rm 3.23). A Queda não atingiu apenas o homem, mas também toda natureza, é o que fica claro quando lemos: “E a Adão disse: […] maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos e cardos também te produzirá [...]” (Gn 3.17,18), de modo que além da terra passar a produzir espinhos e cardos, a realidade do pecado na esfera humana, também mudou a relação entre homens e animais: “E será o vosso temor e o vosso pavor sobre todo animal da terra e sobre toda ave dos céus […]” (Gn 9.2), os animais passaram a possuir ferocidade (Is 65.25), e estes passaram a pertencer a dieta alimentícia do homem (Gn 1.29,30; 9.3; Dt 12.15; Rm 14.2,3,6). O apóstolo Paulo retrata a condição da terra após o pecado como: (a) sujeita a vaidade (Rm 8.20); (b) gemendo como dores de parto (Rm 8.22); e, (c) em expectativa de restauração (Rm 8.19,21).

IV – A MORDOMIA CRISTÃ NO CUIDADO COM A TERRA

Desde a Queda, o homem deixou de tratar da terra como deveria, e até incorrendo no outro extremo de divinizar a natureza, como alguns chamam de “mãe terra ou mãe natureza” (Rm 1.25). No entanto, Deus deu ordens para que ela fosse devidamente administrada. Vejamos:

4.1 No trato com o solo. Deus deixou estabelecido em Sua Palavra, o princípio de preservação do solo (Gn 2.15; 8.22), de modo que a terra não deveria ser usada demasiadamente, sem o devido descanso: “Também seis anos semearás tua terra e recolherás os seus frutos; mas, ao sétimo, a soltarás e deixarás descansar […] (Êx 23.10,11 ver Lv 25.1-5; 26.34,35). Apesar deste princípio ser claro, há alguns hoje que pensam só nos seus lucros, não na saúde da terra; priorizam o sucesso imediato e presente, e desconsideram as consequências futuras dessa má administração (Is 24.1-12; Jr 12.4; Jl 1.10,20). A quebra desse princípio foi uma das razões que levou Judá ao cativeiro babilônico (Lv 26.43; 2Cr 36.21). A ideia de sujeitar a terra (Gn 1.28), não significa que devemos escravizá-la para satisfação de nossos desejos de lucros, dando vazão a uma exploração ilimitada dos seus recursos. Como cristãos, devemos ter zelo pela criação divina, tendo preocupação ecológica, uma vez que, a ira de Deus será derramada sobre os que destroem a terra (Ap 11.18).

4.2 No trato com as árvores. O princípio do cuidado com a flora, fica evidente também na narrativa de Gênesis: “E tomou o SENHOR Deus o homem e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar” (Gn 2.15). Esse cuidado era necessário para a manutenção do jardim do Éden, uma vez que a deterioração é própria das coisas finitas que vieram a existência, não há nada na terra que não exija manutenção. Sobre o trato com as árvores Deus diz: “Quando sitiares uma cidade por muitos dias, pelejando contra ela para a tomar, não destruirás o seu arvoredo, metendo nele o machado, porque dele comerás; pelo que o não cortarás (pois o arvoredo do campo é o mantimento do homem ), para que sirva de tranqueira diante de ti” (Dt 20.19). Num contexto de guerra, onde a ética dos homens muda, e o que tem valor pode vir a perdê-lo; Deus ressalta a importância de se tratar corretamente do arvoredo ou das florestas, visto que é fundamental para a existência humana. Se antes da Queda a flora precisava de cultivo e proteção, quanto mais agora, quando a maldição está sobre o habitat humano (Gn 3.17; Rm 8.19-22).

4.3 No trato com os animais. O domínio do homem sobre os animais, também fica evidente no relato da criação: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra” (Gn 1.26). O cuidado com a fauna, também é visto nas Escrituras de forma abrangente: (a) a lei de descanso para os animais (Êx 20.10; 23.12); (b) o cuidado com a sua alimentação (Êx 23.11; Dt 25.4; Jó 38.39-41; Sl 147.9); (c) na preservação das espécies (Gn 6.19; Dt 22.6,7; Sl 36.6; Jn 4.11); e, (d) contra os maus tratos (Êx 23.4,5,12; Nm 22.27-31; Dt 22.10; Pv 12.10; Sl 11.5; Lc 14.5). Pelo texto bíblico, aprendemos que, Deus nunca autorizou tratar os animais com crueldade. Ele se preocupa e cuida até do mais simples animal (Sl 104.24-30; 145.16; Is 56.8,9; 2Rs 3.17). Salientamos porém, que apesar de toda a preocupação de Deus em relação aos animais, eles não foram criados com a capacidade de raciocinar ou ter espiritualidade (2Pd 2.12; Jd 19), sendo assim, não devem ser tratados como pessoas, ou seja, humanizados (Lc 13.15; 14.1-5; Mt 6.26; 10.31; Lc 12.7). Afinal, a Bíblia descreve o tempo em que, sob o Reino de Cristo no Milênio, entre outros efeitos, virá a administração correta do planeta, prevalecendo a harmonia entre o homem e os animais como era no princípio (Is 11.6-8).

CONCLUSÃO

Deus quer que nós preservemos a criação, que é a sua propriedade (Sl 24.1). Como mordomos do Senhor, cuidemos bem daquilo que Deus nos deu para o nosso deleite.

REFERÊNCIAS

 CAMPOS, Heber Carlos. O Habitat Humano: O paraíso criado. SP: HAGNOS, 2011.

 ____________________. O Habitat Humano: O paraíso perdido. SP: HAGNOS, 2012.

 CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. vl 06. SP: HAGNOS, 2004.

 STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, 1995.

COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL (FORNECIMENTO DO MATERIAL) - PROF. PAULO AVELINO

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