ASSEMBLEIA DE DEUS TRADICIONAL NO AMAZONAS
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
TERCEIRO TRIMESTRE DE 2026
Adultos - A IGREJA DOS GENTIOS: Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos
COMENTARISTA: Wagner Tadeu dos Santos Gaby
COMENTÁRIO: EV. ANTONIO VITOR DE LIMA BORBA

LIÇÃO Nº 2 – A PORTA DA FÉ SE ABRE PARA OS GENTIOS
O propósito de Deus para alcançar todas as nações contou com a colaboração de um servo escolhido especificamente para esta missão. O apóstolo Paulo foi posto pelo próprio Cristo como” luz para os gentios” (At 13.47) e, dessa forma, grande parte da evangelização do mundo antigo teve a participação deste valoroso homem de Deus.
O Objetivo deste comentário é contribuir para o preparo de sua aula, e apresentar um subsídio a parte da revista, trazendo um conteúdo extra ao seu estudo. Que Deus nos ajude no decorrer desta maravilhosa lição.
A MISSÃO EM CHIPRE: A PRIMEIRA PORTA ABERTA ENTRE OS GENTIOS
A primeira viagem missionária de Paulo foi marcada por muitos incidentes e acidentes. Enfrentou oposição, perseguição e até apedrejamento. Essa viagem missionária contém o relato do primeiro período de atividade missionária de Paulo e Barnabé. E a que mais tem direito de ser chamada de “viagem missionária”, pois nas outras duas seguintes Paulo se deteve por longo tempo em cidades estratégicas como Corinto e Éfeso.
Seguindo a orientação e condução do Espírito Santo, os dois missionários de Antioquia seguiram em direção a Chipre. Durante o percurso, ambos anunciaram o Evangelho por onde passavam, cumprindo assim o chamado para o qual foram separados, e alcançando multidões com o poder do Evangelho.
A ilha de Chipre havia sido conquistada pelos romanos e elevada a província imperial, estando agora sob a jurisdição do senado romano. Para evitar as áreas montanhosas do interior da ilha, os missionários viajaram 160 km, da costa leste até a costa oeste, em direção a Pafos. Essa cidade era famosa por suas lindas edificações e um templo dedica do à deusa Afrodite. A cidade era o centro administrativo e religioso da ilha, bem como a residência do procônsul romano. Esse tinha autoridade militar e judicial absoluta (18.12; 19.38).
Na chegada a Pafos, as portas da pregação do Evangelho foram abertas, contudo, eles encontraram, ao mesmo tempo, aceitação e oposição. Devemos lembrar que as boas novas surgem onde nunca foram anunciadas antes, bem como as culturas criaram suas religiões e deuses, o que faz com que a mensagem do Evangelho seja confrontante.
A pregação do evangelho produziu resultados opostos em Pafos. Enquanto o procônsul Sérgio Paulo demonstrava interesse em ouvir a Palavra, o mágico Elimas oferecia resistência aos missionários. Elimas se dá conta de que, se o procônsul se convertesse ao cristianismo, seus serviços não seriam mais necessários e ele perderia a sua fonte de renda. Ao mágico Elimas, cujo nome judaico Barjesus significava “filho de Jesus”, Paulo chama de filho do diabo. Paulo estava cheio do Espírito Santo, mas Elimas estava cheio de engano e malícia. Paulo representava Jesus Cristo, e Elimas representava o diabo.
Destaque
Em sua primeira viagem missionária, o apóstolo vivenciou manifestações gloriosas do poder divino, ao passo que o próprio apóstolo afirma que Deus “abrira aos gentios a porta da fé” (At 14.27). Um fato marcante durante o cumprimento da missão por Paulo e Barnabé é que o anúncio do Evangelho sempre foi seguido de embates contra as forças espirituais das trevas, bem como por perseguições.
A missão em Chipre é um retrato da missão da Igreja em todos os tempos: proclamar com ousadia, enfrentar as forças do mal e confiar no poder transformador do evangelho. Que, como Paulo e Barnabé, estejamos prontos para levar a Palavra a todos mesmo diante de oposição, confiantes de que o Senhor confirma a sua obra com sinais e frutos duradouros. Em seguida, atravessaram a ilha até o outro extremo dela, cerca de cento e quarenta e cinco quilômetros, chegando a Pafos (At 13.6-12).
A missão em Chipre mostra que Deus abre portas entre os gentios, alcançando até os governantes e mudando realidades por meio da pregação fiel (1 Tm 3.2-6). O evangelho não se limita a uma dimensão isolada, mas permeia todas as áreas da vida, transformando a maneira como pensamos, sentimos e agimos. O impacto do evangelho é intelectual, espiritual e prático.
A MISSÃO EM ANTIOQUIA DA PISÍDIA: O EVANGELHO QUE ILUMINA
Os missionários continuaram sua jornada de Perge até Antioquia da Pisídia. Tiveram de viajar por muitos dias, seguindo o rio Cestro, e subir a uma altitude de 1.100 metros. Além disso, a rota era perigosa porque bandidos locais atacavam os viajantes nas passagens estreitas das montanhas (2Co 11.26). Os missionários entraram num território que os romanos chamavam de Província da Galácia. Ali ficava a cidade de Antioquia da Pisídia. Localizada à margem direita do rio Antios, ocupava a parte centro-noroeste da Ásia Menor (hoje Turquia). A cidade era lar para numerosos gregos, frígios, romanos e judeus. A população judaica tinha construído uma sinagoga e familiarizado os gregos com os ensinamentos do Antigo Testamento.
O que Paulo procurou ao chegar na cidade foi a oportunidade para pregar o Evangelho. Inicialmente, sua mensagem foi direcionada aos judeus e gentios tementes a Deus, e sua exposição se desenvolveu a partir dos fatos ocorridos na Antiga Aliança, e como eles apontam para a pessoa de Cristo.
Paulo se dirige aos judeus e prosélitos da sinagoga, fazendo uma poderosa aplicação da sua mensagem ao mostrar que o povo de Jerusalém e as autoridades judaicas não reconheceram Jesus nem entenderam a mensagem dos profetas, que era lida todos os sábados em suas sinagogas, pois condenaram o Messias que lhes fora prometido. Entretanto, ao fazer isso, cumpriram tudo aquilo que estava escrito acerca de Jesus. Paulo foca sua mensagem na morte (13.27-29) e ressurreição de Cristo (13.30-37), ressaltando que esse era o núcleo do evangelho que ele lhes anunciava. Paulo ainda afirma que é por meio de Jesus, e não mediante a lei de Moisés, que eles teriam a remissão de pecados e a justificação (13.38-41). O apóstolo termina sua exposição alertando para o perigo de desprezar essa mensagem salvadora (13.42,43).
Como ocorrido em Chipre, aqui também o evangelho encontrou oposição. Dessa vez, os judeus se portaram de maneira invejosa e resistiram duramente à mensagem que lhes fora pregada por Paulo. Esse efeito negativo por parte dos judeus fez com que eles voltassem o foco da pregação para os gentios, que de coração aberto receberam a palavra pregada.
O evangelho tem sempre duplo efeito sobre o povo que o ouve (2Co 2.14-16). Em alguns gera quebrantamento; em outros, endurecimento. O despertamento espiritual foi imediatamente seguido de implacável e cruel perseguição. Tomados de inveja, os judeus com blasfêmia contradiziam o que Paulo falava. Nesse momento, Paulo e Barnabé, com toda ousadia, ao verem os judeus rejeitando a vida eterna, se voltam para os gentios (13.46,47). Os gentios muito se alegram e glorificam a Palavra do Senhor. E Lucas relata: ... e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna (13.48).
Destaque
A mensagem de Paulo na sinagoga de Antioquia da Pisídia foi tão impactante que surtiu imediatamente dois efeitos. O primeiro é que os líderes da sinagoga pediram uma repetição da mesma mensagem no sábado seguinte (13.42). O segundo é que muitos dos judeus e prosélitos piedosos seguiram Paulo e Barnabé, e foram persuadidos a perseverar na graça de Deus (13.43).
A MISSÃO EM ICÔNIO, LISTRA E DERBE: A FÉ QUE PERSEVERA
Os missionários deixaram Antioquia e rumaram para Icônio. Essa cidade ficava na estrada romana cerca de 145 km ao leste de Antioquia, na mesma área da província da Galácia. [...] Paulo e Barnabé chegam a Icônio e ali demoram muito tempo, mesmo debaixo de tensão e perseguição. Na sinagoga de Icônio, Paulo e Barnabé falam com tal poder que grande multidão, composta por judeus e gregos, crê no Senhor (14.1).
A convicção da pregação de Paulo e Barnabé alcançou muitos judeus e gentios, e estes creram no Senhor Jesus Cristo. Além do que, a pregação do Evangelho ali fora acompanhada de muitos sinais e maravilhas, o que abria ainda mais as portas para que a mensagem fosse aplicada aos corações.
Os missionários não pregaram apenas aos ouvidos, mas também aos olhos. Não apenas falaram, mas também demonstraram. Somos informados de que eles falavam com ousadia no Senhor, o qual confirmava a palavra da sua graça, concedendo que, por mãos deles, se fizessem sinais e prodígios (14.3). Os milagres não são o evangelho, mas abrem portas para ele. Os milagres não são realizados pelos missionários, mas por Deus por intermédio dos missionários. A pregação do evangelho precisa ser em demonstração do Espírito e de poder. Precisamos pregar não apenas aos ouvidos, mas também aos olhos.
Como anteriormente, a pregação do Evangelho encontrou oposição. Outro fator de destaque foi o fato de que muitos desejavam colocar Paulo e Barnabé na posição de deuses, pelos sinais que operavam pelo Espírito Santo. Esse é o cuidado que o missionário precisa possuir, de não deixar com que o ego suba a cabeça por algo que não depende dele, mas sim da operação do Espírito Santo.
Depois de anunciarem o evangelho em Derbe, Paulo e Barnabé tomam a decisão de voltar para o seu quartel-general em Antioquia da Síria. Nessa volta eles não se afastam dos redutos de tensão. Ao contrário, passam pelas mesmas cidades onde foram perseguidos - Listra, Icônio e Antioquia da Pisídia.
Destaque
A experiência missionária em Derbe revela a essência da obra evangelística da Igreja. Após ser apedrejado e dado por morto, Paulo não desistiu, mas, fortalecido pelo Senhor, levantou-se e seguiu adiante. Ele não se deixou intimidar pelo sofrimento, mas entendeu que “por muitas tribulações nos importa entrar no Reino de Deus” (At 14.22). Esse ato demonstra que a missão não se apoia em circunstâncias humanas, mas na fidelidade de Deus que sustenta os seus servos (2 Co 4.8-10; Cl 1.28).
Note que a obediência e submissão ao direcionamento do Espírito Santo resultou em grandes avanços da missão evangelizadora da Igreja. Todavia, este progresso para o Evangelho trouxe custos à integridade física e mental dos apóstolos que tiveram de enfrentar ameaças e apedrejamentos. O admirável dessa história é que o relato de Barnabé e Paulo não é de tristeza, mas de felicidade por haverem padecido em razão do Evangelho. Trata-se de um testemunho vivo da ação do Espírito Santo na vida de crentes que foram separados e entenderam o que significa viver em prol da causa de Cristo. Há recompensa gloriosa pelo esforço de levar o Evangelho (1Co 9.16,17).
COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - EV. ANTONIO VITOR LIMA BORBA
