ASSEMBLEIA DE DEUS - IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM PERNAMBUCO
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2026
Adultos - A SANTÍSSIMA TRINDADE - O Deus Único revelado em Três Pessoas Eternas
COMENTARISTA: Douglas Roberto de Almeida Baptista
COMENTÁRIO: SUPERINTENDÊNCIA DAS EBD'S DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS EM PERNAMBUCO

LIÇÃO Nº 8 – O DEUS ESPÍRITO SANTO
INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos a doutrina bíblica do Deus Espírito Santo, reconhecendo-o como uma Pessoa Divina, distinta do Pai e do Filho, porém coigual e coeterno com Eles.
Observaremos à luz das Escrituras, que o Espírito Santo não é uma força impessoal, mas possui atributos Divinos e realiza obras que pertencem exclusivamente a Deus (At 5.3–4; 1Co 2.10–11). Por fim, analisaremos algumas doutrinas e interpretações equivocadas que negam ou distorcem a Divindade do Espírito Santo, refutando-as com base na revelação Bíblica (Mt 28.19; 2Co 13.13).
I – O ESPÍRITO SANTO: DIVINDADE, PESSOALIDADE E SÍMBOLOS
1.1 A Divindade do Espírito Santo. Quanto à divindade do Espírito Santo, ressaltamos que as Sagradas Escrituras afirmam, de maneira clara e inequívoca, que Ele é Deus. Essa verdade é evidenciada tanto por textos que o apresentam diretamente como Deus (At 5.3–4), quanto por passagens que lhe atribuem atributos divinos (1Co 2.10–11; Hb 9.14; Sl 139.7) e obras exclusivas da Divindade, como a criação, a regeneração e a ressurreição (Gn 1.2; Jo 3.5-6; Rm 8.11). Ainda nesse aspecto, os testemunhos históricos da Igreja evidenciam uma compreensão contínua da divindade do Espírito Santo, particularmente confirmada no período patrístico. Em harmonia com a fundamentação Bíblica e Histórica, a Divindade do Espírito Santo é reafirmada na Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil, ao registrar que “a deidade do Espírito Santo é absoluta, pois ‘Espírito Santo’ e ‘Deus’ aparecem como nomes intercambiáveis nas Escrituras Sagradas. Isso mostra clara e inconfundivelmente a mesma natureza e uma só substância de ambos” (2Sm 23.2-3; At 5.3-4; 1Co 3.16) (Soares, 2024, p. 69), trazendo clareza e solidez acerca da sua Divindade.
1.2 A pessoalidade do Espírito Santo. Reconhecemos com igual ênfase a Divindade do Espírito Santo quanto a Sua pessoalidade. Observe que a “Bíblia revela o Espírito Santo como uma pessoa, a terceira Pessoa da Trindade, pois Ele é Deus. O Espírito Santo possui intelecto; Ele penetra todas as coisas (1Co 2.10,11) e é inteligente (Rm 8.27). Ele tem emoção, sensibilidade (Ef 4.30) e vontade (At 16.6-11; 1Co 12.11). Se o intelecto, a emoção e a vontade não puderem provar a personalidade do Espírito Santo, fica difícil saber o que a liderança das testemunhas de Jeová entende por personalidade, ou qual a definição que ela dá a esse termo. As três faculdades: intelecto, emoção e vontade caracterizam a personalidade” (SOARES, 2024, p. 123). Também é fundamental reconhecer que, como pessoa, o Espírito Santo não apenas age, mas também reage, aprovando ou reprovando a conduta dos homens, uma faculdade própria de quem é dotado da prerrogativa da pessoalidade (At 10.19,21; At 5.3; At 7.51; Ef 4.30; Mt 12.29-31).
1.3 Os Símbolos do Espírito Santo. Nas Escrituras, diversos elementos prefiguram ou revelam as obras do Espírito Santo em Sua missão gloriosa. Ele é representado como “Pomba”, simbolizando pureza, mansidão e manifestação pacífica (Mt 3.16; Lc 3.22); como “Fogo”, indicando santificação, purificação, poder e a presença marcante de Deus (At 2.3; Lv 9.24; Mt 3.11); como “Vento” ou “Sopro”, que revela Sua invisibilidade, liberdade e ação soberana (Jo 3.8; At 2.2); como “Água”, expressando vida, purificação e regeneração espiritual (Jo 7.37-39; Ez 36.25-27); e como “Óleo” ou “Unção”, simbolizando consagração, capacitação e santificação, uma vez que o Espírito unge e fortalece os crentes (1Jo 2.20,27; Êx 30.22-33). Ainda que representado por símbolos, o Espírito Santo continua possuindo intelecto, vontade e emoções (elementos típicos da pessoalidade). Na verdade, os símbolos do Espírito Santo não devem ser confundidos com Sua natureza, pois cada um deles recorre a elementos da criação (água, fogo, vento, etc.) para ilustrar aspectos de suas ações e obras poderosas (Gn 1.2).
II – HERESIAS SOBRE A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO
2.1 Heresia quanto à Divindade e a Pessoalidade. “O movimento das Testemunhas de Jeová nega a divindade e a personalidade do Espírito Santo. Seus líderes alegam que o fato de o Espírito Santo falar, ensinar, dar testemunhos, ouvir, etc. não prova que Ele tenha personalidade, mas que se trata apenas de figura de linguagem” (SOARES, 2006, p. 126). Neste mesmo sentido, eles afirmam: “Quanto ao ‘Espírito Santo’, a suposta terceira Pessoa da Trindade, já vimos que não se trata de uma pessoa, mas da força ativa de Deus” (SOARES, 2006, p. 126). Tais considerações são apresentadas de equivocadas ao serem interpretadas pela própria Bíblia Sagrada. Sendo assim, é importante refletir sobre as seguintes questões a respeito do Espírito Santo: (1) Se a Bíblia afirma que o Espírito Santo ensina (Jo 14.26), como esse ensino poderia acontecer sem inteligência, intenção e comunicação consciente, características próprias de uma pessoa? (2) Quando se diz que o Espírito Santo fala às igrejas (Ap 2.7,11,17), como negar que Ele tenha voz, mensagem e autoridade pessoal? (3) Da mesma forma, ao afirmar que o Espírito Santo guia os filhos de Deus (Rm 8.14; Gl 5.18), fica evidente que isso envolve discernimento, direção intencional e um relacionamento pessoal. (4) Além disso, quando o Espírito Santo clama “Aba, Pai” em nossos corações (Gl 4.6), vemos uma ação claramente relacional e consciente, típica de um ser pessoal. (5) Por fim, como o Espírito Santo poderia convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.7–8) sem consciência moral e capacidade de julgamento? Dessa forma, fica tão claro quanto a luz do dia que o Espírito Santo é uma Pessoa Divina.
2.2 Heresia quanto à distinção de natureza e grau. Quando dizemos que o Espírito Santo é a terceira pessoa da Santíssima Trindade, isso não quer dizer que Ele seja inferior ao Pai e ao Filho. O Espírito Santo tem o mesmo poder e a mesma essência que o Pai e o Filho. A expressão “terceira pessoa” não indica hierarquia, mas apenas segue a forma como a Bíblia apresenta a Trindade, especialmente em Mateus 28.19, onde aparecem o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Ou seja, Deus foi se revelando aos poucos ao longo da história: primeiro o Pai ficou mais conhecido, depois o Filho, e mais tarde o Espírito Santo. Nos primeiros séculos da Igreja, muitos tentaram explicar esse mistério usando a razão humana e as ideias filosóficas da época, ocasião em que surgiu o chamado subordinacionismo, que ensinava, de forma equivocada, que o Filho e o Espírito Santo eram inferiores ao Pai. Esse ensino foi rejeitado pela Igreja, pois a fé cristã reconhecia que Pai, Filho e Espírito Santo são iguais em natureza e glória.
2.3 Heresia quanto à confusão entre as Pessoas da Trindade. O ensino equivocado do modalismo sustenta a ideia de que “Deus é uma só Pessoa que se revela ora como Pai, ora como Filho e ora como Espírito Santo, negando assim a distinção real e eterna entre as Pessoas da Trindade” (Soares, 2006, p. 85). Tal interpretação distorcida tem levado muitos ao erro, pois afirma que não há coexistência pessoal na Trindade. De acordo com essa doutrina, “o Pai é o próprio Filho, e o Filho é o próprio Espírito Santo; trata-se apenas de nomes diferentes atribuídos ao mesmo Deus em épocas distintas” (Soares, 2006, p. 86). Em oposição direta a esse pensamento, a Bíblica apresenta de forma consistente a distinção entre as Pessoas da Trindade. Por exemplo, na promessa do Consolador (Jo 16.7) fica claro que o Filho e o Espírito não são a mesma Pessoa. Do mesmo modo, no ensino acerca da blasfêmia contra o Espírito Santo, Jesus diferencia explicitamente Sua própria Pessoa da Pessoa do Espírito (Mt 12.32). Assim, fica evidente que o Espírito Santo é uma Pessoa Divina distinta, dotada de identidade própria e atuação específica, em perfeita unidade de natureza e atributos com o Pai e o Filho.
III – A IGUALDADE ENTRE AS PESSOAS DA TRINDADE
3.1 As três pessoas da Trindade são iguais. O livro “Protopentecoste: Ações do Espírito Santo no Antigo Testamento” comenta que: “É sempre relevante destacar que as três Pessoas da Trindade são iguais e não há entre elas primeiro, segundo e terceiro [não existe a ideia do subordinacionismo ou hierarquismo] assim como está no Credo de Atanásio: ‘E, nessa trindade, não existe primeiro nem último; maior nem menor. Mas as três Pessoas são coeternas, são iguais entre si mesmas’. Existem diversos textos em que o Espírito Santo é citado na Trindade como a primeira pessoa (Is 61.1; Lc 1.35; 4.18a; Jo 14.26; 15.26; 1Co 12.4-6; Ef 4.4-6; Jd 1.20,21); em outros, como a segunda pessoa (Mt 3.16,17; 1Co 2.11,12; 12.12,13; Gl 4.6; Fp 3.3; Hb 9.14; 1Pe 1.2; Jd 1.17-19); e em outros, como a terceira pessoa (Mt 28.19; Jo 14.16; At 10.38; 2Co 13.13; 1Jo 5.7). “Logo, o Espírito Santo é da mesma substância, da mesma espécie, de mesmo poder e glória do Pai e do Filho”. Deus é uno e, ao mesmo tempo, triúno (Gn 1.1,26; 3.22; 11.7; Dt 6.4; 1Jo 5.7). O Pai, o Filho e o Espírito são três divinas e distintas Pessoas da Trindade que são co-eternas e iguais entre si” (Barreto, 2024, p. 160).
3.2 A terminologia “Terceira Pessoa da Trindade” para o Espírito Santo é meramente didática. A obra “A Adoração ao Espírito Santo: Uma Abordagem Bíblica, histórica e Teológica no Contexto da Trindade” nos diz que: “[…] por razões históricas e teológicas […] opto por utilizar a expressão: “O Espírito Santo é uma das Pessoas da Trindade”. Dessa forma, evito qualquer possível associação com o pneumatomaquismo, subordinacionismo ou hierarquismo, visões que apresentam o Espírito Santo como um ser criado ou um poder subordinado. Embora reconheça que a terminologia tradicional “Terceira Pessoa da Trindade”, utilizada por “nossos pais”, tenha fins meramente didáticos, prefiro afirmar que o “Espírito Santo é uma das Pessoas da Trindade”, em vez de dizer que Ele é a “Terceira Pessoa da Trindade” (Barreto, 2025, p. 79).
3.3 A Consubstancialidade e Unidade Essencial na Trindade. A igualdade trinitária fundamenta-se na doutrina da consubstancialidade (o termo teológico homoousios), que afirma que o Pai, o Filho e o Espírito Santo compartilham a mesma essência divina. Não há divisões de poder ou de natureza; a distinção entre as Pessoas é exclusivamente relacional e não de “status” ou substância. Assim, ao adorarmos a uma das Pessoas, adoramos a Deus em Sua totalidade, pois o Espírito Santo não possui “menos” divindade que o Pai, nem o Filho é “posterior” a Ele em existência. A unidade de Deus é preservada na diversidade das Pessoas, garantindo que a Trindade seja um só Deus em eterna e perfeita comunhão.
CONCLUSÃO
É essencial compreender que a Trindade é inseparável em Glória. Embora existam distinções pessoais entre Pai, o Filho e o Espírito, não há desigualdade quanto à natureza ou dignidade. A missão do Espírito de glorificar o filho (Jo 16.14) não deve ser interpretada como sinal de subordinação ontológica, mas como expressão de comunhão eterna e da perfeita harmonia entre as pessoas divinas na obra da redenção (Barreto, 2025, p. 64).
REFERÊNCIAS
SOARES, Esequias [Org.]. Declaração de Fé das Assembleias de Deus. CPAD, 2017.
SOARES, Esequias. Heresias e Modismos: Uma Análise Crítica das Sutilezas de SATANÁS. CPAD, 2006.
SOARES, Esequias. Em Defesa da Fé Cristã: Combatendo as Antigas Heresias que se Apresentam Com Nova Aparência. CPAD, 2024.
BARRETO, Alessandro. Protopentecoste: Ações do Espírito Santo no Antigo Testamento. Editora Bereia Acadêmica, 2025.
BARRETO, Alessandro. A adoração ao Espírito Santo: Uma Abordagem Bíblica, Histórica e Teológica no Contexto da Trindade. Editora Bereia Acadêmica, 2025.
Fonte: https://redebrasiloficial.com.br/licao_ebd.php Acesso em 16 de Fev de 2026
