Adultos

Lição 5 - O Deus Filho V

ASSEMBLEIA DE DEUS - IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM PERNAMBUCO

PORTAL ESCOLA DOMINICAL

PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2026

Adultos - A SANTÍSSIMA TRINDADE - O Deus Único revelado em Três Pessoas Eternas

COMENTARISTA: Douglas Roberto de Almeida Baptista

COMENTÁRIO: SUPERINTENDÊNCIA DAS EBD'S DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS EM PERNAMBUCO

 

LIÇÃO Nº 5 – O DEUS FILHO

INTRODUÇÃO

Nesta lição estudaremos sobre o Deus Filho, para isto veremos as provas bíblicas que demonstram a sua divindade, analisaremos três importantes atributos incomunicáveis de Deus presente em Cristo; focaremos na kenosis, ou seja, no auto esvaziamento e por fim pontuaremos a dupla natureza do filho do Deus filho.

I - QUEM É O DEUS FILHO?

O Filho de Deus não deve ser entendido como uma criação de Deus ou uma mera representação d’Ele. Pelo contrário, o Filho é, de fato, Deus. Esse princípio é confirmado nas Escrituras, conforme destacado em Romanos 9.5 e Hebreus 1.8, onde a natureza divina de Cristo é afirmada sem margem para dúvidas. As Sagradas Escrituras fornecem provas incontestáveis acerca da divindade de Jesus Cristo. Notemos:

1.1 Jesus é chamado “Deus”. Ele foi chamado de Emanuel, que significa: “Deus conosco” (Mt 1.23). Pedro testificou: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16.16), e chamou-O de “o Santo” (At 3.14) e de “nosso Deus e salvador Jesus Cristo” (2Pe 1.1). Paulo disse que Jesus era o “próprio Filho de Deus” (Rm 8.32) e falou da glória do “grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tt 2.13). João escreveu que Jesus era o “Verbo” eterno (Jo 1.1), o “Unigênito do Pai” (Jo 1.14) e verdadeiro “Deus” (1Jo 5.20).

1.2 Jesus mesmo disse que era Deus. Ele mesmo disse: “Quem me vê a mim vê o Pai [...]” (Jo 14.9). Quando Ele foi tentado, disse a Satanás: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mt 4.10). No entanto, Ele recebeu adoração (Mt 28.9-17; 14.33; 15.25; Lc 24.52). Seria uma blasfêmia aceitar adoração, se Ele não fosse verdadeiramente Deus.

1.3 Suas obras provam a sua deidade. Jesus é descrito nas Escrituras como criador de todas as coisas (Jo 1.3; Cl 1.16; 1Co 8.6; Hb 1.2,10), e por Ele, todas as coisas subsistem (At 17.28; Cl 1.17). Ele mesmo é a ressurreição e a vida (Jo 11.25; 5.25); também perdoou e perdoa pecados (Mt 9.5; Lc 5.20; 7.47-50). O apóstolo João diz que aquele que nega a deidade de Cristo e rejeita Seu testemunho, demonstra que é inspirado pelo espírito do anticristo (1Jo 2.22,23).

II – O DEUS FILHO E SEUS ATRIBUTOS INCOMUNICÁVEIS

Deus possui atributos que se dividem em dois grupos: comunicáveis e incomunicáveis. Os atributos incomunicáveis, como o próprio termo sugere, não são partilhados com nenhuma de suas criaturas. Contudo, Jesus manifesta todos os atributos divinos, evidenciando sua unidade com o Pai. Observemos:

2.1 Onipotente. Após a ressurreição, Jesus apresentou-se aos discípulos e disse: “É-me dado todo o poder no céu e na terra.” Observe que no antigo testamento, este atributo é revelado em Deus: “Uma vez falou Deus, duas vezes ouvi isto: que o poder pertence a Deus”. (Sl 62.11). A Bíblia apresenta outros textos nos quais é demonstrado que Jesus tem todo o poder (Mt 28.18; Lc 4.35,36,41). O apostolo João registrou uma declaração de Jesus que revela de forma inequívoca a onipotência de Cristo: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso” (Ap 1.8).

2.2 Onisciente. Jesus conhece todas as coisas, inclusive nossos pensamentos (Jo 21.17). No contexto da cura do paralítico em Cafarnaum, Jesus conhecendo os pensamentos de desaprovação dos escribas, disse: “por que pensais mal em vossos corações?” (Mt 9.4). Significa que Ele sabe o que está no coração e na mente das pessoas (Jo 2.25; Ap 1.8) (Baptista, 2025, p. 58).

2.3 Onipresente. Jesus garantiu aos seus discípulos: “[...] onde estiverem dois ou três reunido no meu nome, aí estou no meio de vós” (Mt 18.20). Essa declaração de Cristo relava o atributo da onipresença, algo pertencente somente a Deus. “Os olhos do Senhor estão em toda parte, observando atentamente tanto os bons quanto os maus”. (Pv 15.3). Após a ressurreição, Jesus afirmou de forma categórica que esta característica é intrínseca à sua natureza: “[...] estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” (Mt 28.20).

III - O DEUS FILHO E O “AUTO-ESVAZIAMENTO” OU KENOSIS

O vocábulo “kenosis”, é oriundo do verbo grego, “kenoun”, que significa “esvaziar”. Talvez ele tenha relação com expressões do AT na Septuaginta (Tradução do Antigo Testamento para o grego), que descreve o ato de “derramar” (Gn 24.20), “esvaziar” (Is 53.12). A expressão “ekenôsen” não tem a intenção de falar do sentido metafísico, isto é, que Cristo tenha se despojado de seus atributos divinos, mas é uma expressão da totalidade de sua autorenúncia. Ele não quis usar de todos os seus direitos pessoais e seus interesses a fim de assegurar o bem-estar dos outros (Moody, sd, p. 15). Abaixo destacaremos duas interpretações da kenosis para melhor nosso melhor entendimento:

3.1 A maneira errada desta doutrina. A kenosis ou Teoria Kenótica ou ainda Teologia Kenótica surgiu quando vários teólogos interpretaram Filipenses 2.5-7 erroneamente ensinando que Jesus deixou de ser Deus no seu auto esvaziamento.
Essa opinião da doutrina da kenosis postula que Jesus se “esvaziou da forma de Deus”, retendo apenas os atributos éticos de sua divindade como amor, misericórdia, paz etc, e renunciou aos atributos infinitos como onipotência, onipresença, onisciência assumindo qualidades humanas.

3.2 A maneira correta desta doutrina. Concordamos com a ideia do “auto esvaziamento de Cristo”, mas não com a noção de que ele deixou de ser divino, como alguns teólogos afirmam. A kenosis foi mais uma aquisição de atributos humanos do que uma desistência dos atributos divinos. O Logos se tornou carne e, enquanto nesta forma, assumiu uma subordinação temporária. Em outras palavras, sendo o Deus encarnado, ele livremente deixou de usar seus atributos (não deixou de tê-los) especialmente os atributos incomunicáveis, como onipresença ou onipotência, embora estes atributos ainda fizessem parte de sua natureza divina. [...] ao retornar ao trono celestial, ele assumiu novamente a plena igualdade, em todos os sentidos, com o Pai (Ferreira, 2010, pp. 529,530).

IV – O DEUS FILHO E A UNIÃO DAS DUAS NATUREZAS

A afirmação correta da plena divindade de Cristo, bem como de sua plena humanidade, tem implicações soteriológicas fundamentais. Cristo é plenamente Deus e plenamente homem. A doutrina da união “hipostática” é definida pela existência de Cristo em duas naturezas, divina e humana, que não se fundem nem se alteram; por outro lado, não se separam e nem se dividem, compondo e estabelecendo uma só pessoa e uma só “subsistência” eternamente (Grudem, 1999, p. 454). Em suma, isso quer dizer que Cristo é plenamente divino e totalmente humano para todo o sempre, visto que Cristo, mesmo agora, na eternidade, possui um corpo humano (At 1.11; Ap 5.6). “[...] embora distintas, cada Pessoa da Trindade partilha a essência divina numa união perfeita e indivisível” (Barreto, 2025, p. 107). Vejamos:

4.1 A concepção virginal ressalta a união hipostática. Jesus é plenamente Deus e plenamente homem, sem confusão de naturezas. Por sua geração única, Ele é o Filho “Unigênito” do Pai (Jo 1.14,18; 3.16,18). A expressão unigênito “monogenes” é composta por dois vocábulos: “monos” [único, sozinho]; e “genos” [tipo, espécie, classe]. A junção desses termos significa “único em sua espécie”; “sem igual”; “singular” ou “exclusivo”. Desse modo, Jesus é único do seu tipo, o Filho singular em sua espécie, não criado, mas eterno, de natureza divina e com uma relação exclusiva com o Deus Pai (Baptista, 2025, p. 55, grifo nosso)

4.2 Jesus é plenamente Deus. Há abundante relato bíblico afirmando a divindade de Cristo. Jesus é apresentado na Escritura como sendo preexistente (Jo 1.3; 1Co 15.47), qualidade logicamente restrita à Deidade. O Senhor também manifestou, mesmo em sua primeira vinda, todos os atributos chamados incomunicáveis, logicamente pertencentes somente a Deus (Jo 5.17; Jo 17.5; Hb 13.8; Mt 18.20; Jo 2.23;). Do fato de Cristo ter, ele mesmo, perdoado pecados (Mt 9.2), aceitado adoração (Jo 13.13), exercido poder sobre demônios e realizado milagres e sinais (Jo 5.21), além de ter declarado explicitamente sua divindade (Jo 10.30), depreende-se também a realidade de sua natureza divina.

4.3 Jesus é plenamente homem. Tal como a Escritura declara nitidamente a divindade de Cristo, aponta também sua plena humanidade. Esta humanidade pode ser vista no fato de que Cristo chamava a si mesmo por nomes que designam humanidade (Lc 19.10), e foi assim chamado por seus apóstolos (1Tm 2.5). Como homem, Cristo esteve sujeito às limitações condizentes ao ser humano: sentiu fome, sede, se cansou, chorou etc. (Mt 4.2; Jo 19.28; 4.6; 11.35). Cristo também possuía e possui uma natureza humana completa, isto é, ele não tinha (ou tem) apenas um corpo humano (Lc 2.52), mas também alma e espírito humanos (Mt 26.38; Lc 23.46). Em suma, Cristo, desde sua encarnação, é um ser humano completo. Em Cristo, Deus se fez homem e, novamente, se assim não fosse, não poderia redimir a humanidade. Quem recebeu a promessa de morte não foi o corpo de um ser humano, mas um homem completo, com sua constituição material e imaterial. Logo, somente alguém que possuísse uma natureza humana completa poderia sofrer a penalidade estipulada (Morris, 2007, p. 83).

4.4 A união hipostática e suas implicações soteriológicas e mediadoras. A união das duas naturezas em Cristo não é apenas uma formulação dogmática abstrata, mas possui implicações diretas e essenciais para a obra da salvação. Sendo plenamente Deus, Cristo possui valor infinito para satisfazer plenamente a justiça divina; sendo plenamente homem, pode representar legitimamente a humanidade diante de Deus. É nessa condição singular que Ele se apresenta como o único “Mediador entre Deus e os homens” (1Tm 2.5). A natureza divina garante a eficácia eterna de sua obra redentora, enquanto a natureza humana assegura a identificação real com aqueles que Ele veio salvar (Hb 2.14-17). Assim, a união hipostática fundamenta tanto a possibilidade quanto a suficiência da expiação, pois somente alguém que fosse simultaneamente Deus e homem poderia reconciliar plenamente a humanidade caída com o Deus santo.

CONCLUSÃO

Nesta lição, foi abordado que o Filho de Deus possui atributos divinos equivalentes aos do Pai. Também foram
discutidas duas doutrinas relevantes acerca da pessoa de Cristo: a doutrina do autoesvaziamento e a doutrina das duas naturezas, bem como suas implicações para a ortodoxia cristã.

REFERÊNCIAS

• ANDRADE, Claudionor Correia de. Dicionário Teológico. CPAD.

• BAPTISTA, Douglas. A Santíssima Trindade: O Deus Único Revelado em Três Pessoas Eternas. CPAD.

• BARRETO, Alessandro. A Adoração ao Espírito Santo: Uma Abordagem Bíblica, Histórica e Teológica no Contexto da Trindade. BEREIA.

• SOARES, Esequias. Declaração de Fé das Assembleias de Deus. CPAD.

• THIESSEN, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática. IBR.

Fonte: https://redebrasiloficial.com.br/licao_ebd.php Acesso em 30 de Jan de 2026

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