Adultos

Lição 3 - O Pai enviou o Filho V

ASSEMBLEIA DE DEUS - IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM PERNAMBUCO

PORTAL ESCOLA DOMINICAL

PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2026

Adultos - A SANTÍSSIMA TRINDADE - O Deus Único revelado em Três Pessoas Eternas

COMENTARISTA: Douglas Roberto de Almeida Baptista

COMENTÁRIO: SUPERINTENDÊNCIA DAS EBD'S DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS EM PERNAMBUCO

 

LIÇÃO Nº 3 – O PAI ENVIOU O FILHO

INTRODUÇÃO

Nesta lição, veremos que a história da salvação não é uma série de eventos desconexos, mas a execução de um plano perfeito, concebido na eternidade pelo amor de Deus (Ef 1.4; 1Pe 1.20). Pontuaremos que no epicentro deste plano, encontramos a sua expressão máxima e mais sublime: a missão do Filho (Jo 3.17). Nosso objetivo é ir além do fato histórico da vinda de Cristo, buscando compreender o seu significado profundo. Estudaremos como a missão do Filho revela a iniciativa soberana do Pai (1Jo 4.10), a perfeita unidade da Trindade (1Pe 1.2) e o cumprimento exato do tempo de Deus (Gl 4.4). I – A ORIGEM E A NATUREZA DA MISSÃO: UM DEUS QUE AMA PRIMEIRO

A origem da missão redentora não está na vontade humana (Jo 1.13; Rm 9.16), mas no caráter e na soberania de Deus (Ef 1.11). As Escrituras revelam um Deus que é, em Sua essência, amor (1Jo 4.8, 16), e cuja misericórdia se estende por todas as Suas obras (Sl 145.9). Este amor não é passivo, mas ativo e sacrificial (Rm 5.8), manifestado de forma suprema no envio de Seu Filho “para propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4.10; Rm 3.25). É um amor que age em favor de um mundo que não O amava (Jo 3.16), demonstrando uma graça que precede qualquer iniciativa nossa (Ef 2.4,5). Como afirma nossa Declaração de Fé, “cremos no Senhor Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus [...] como Salvador do mundo” (Soares [Org], 2017, p. 13).

1.1 A Soberana iniciativa do amor (1Jo 4.10). A primeira e mais fundamental verdade sobre a salvação é que ela não se origina em nós, mas em Deus (Ef 2.8). O apóstolo João é categórico ao afirmar: “Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou”. A iniciativa da salvação é um ato de pura graça e soberania divina (Tt 3.4,5). Ele nos amou primeiro, quando ainda éramos pecadores e inimigos (Rm 5.8, 10), e essa iniciativa divina é o verdadeiro ponto de partida de toda a obra da redenção.

1.2 A natureza sacrificial do amor (Jo 3.16). O amor de Deus é provado pela natureza de Sua dádiva (Rm 8.32). Ele não ofereceu algo substituível; Ele “deu o seu Filho unigênito”. Este ato de entregar o que há de mais precioso demonstra a profundidade e o custo do amor divino (Is 53.10). O teólogo pentecostal Stanley Horton nos lembra que o propósito deste sacrifício é universal em seu alcance: “Deus, por sua infinita bondade e justiça, enviou seu Filho unigênito à cruz a fim de portar a penalidade total do pecado e poder perdoar livremente e com justiça todos quantos comparecerem diante dEle” (Horton, 1996, p.193). O objetivo nunca foi a condenação (Jo 3.17), mas a vida (Jo 10.10).

1.3 A natureza da missão encarnada (Gl 4.4b). Para realizar a missão, o Filho eterno se fez homem (Jo 1.14). A encarnação era indispensável: “Nascido de mulher” garante Sua plena humanidade; Ele se tornou um de nós em tudo (Hb 2.17), exceto no pecado (Hb 4.15), para poder ser nosso representante legal e Sumo Sacerdote compassivo (Hb 2.18). “Nascido sob a lei” garante Sua obediência perfeita; Ele se submeteu e cumpriu toda a Lei em nosso lugar (Mt 5.17), algo que éramos incapazes de fazer (Rm 8.3). Myer Pearlman, em sua clássica obra, destaca a importância dessa dupla natureza: “Da mesma forma como ‘filho do homem’ significa um nascido do homem, assim também ‘Filho de Deus’ significa um nascido de Deus. Por isso dizemos que esse título proclama a Deidade de Cristo” (Pearlman, 2006, p. 115).

II – O RESULTADO DA MISSÃO: UMA NOVA IDENTIDADE EM CRISTO

A obra redentora de Cristo não apenas resolve o problema do pecado (Cl 2.13-14), mas também nos concede uma nova posição e identidade diante de Deus. Deixamos de ser “filhos da ira” (Ef 2.3) e estranhos às alianças da promessa (Ef 2.12) para sermos feitos “filhos de Deus” (Jo 1.12). Essa transformação é tão profunda que as Escrituras a descrevem como uma “nova criação” (2Co 5.17). Essa nova vida é caracterizada por etapas de desenvolvimento: Regeneração espiritual, Plenitude do espírito, Maturidade espiritual e Dedicação ao Senhor no seu trabalho (Gilberto et al., 2008, p. 335). Essa nova identidade precisa ser evidenciada com um relacionamento de intimidade com o Pai, garantido pelo sacrifício do Filho e selado pelo Espírito Santo (Ef 1.13-14), que testifica em nosso coração sobre nossa nova condição (Rm 8.16).

2.1 Da escravidão para a adoção (Gl 4.5). O fruto da missão de Cristo é duplo: redenção e adoção. A redenção nos liberta, pagando o preço da nossa dívida com o pecado (1Pe 1.18, 19). A adoção, por sua vez, nos eleva, dando-nos uma nova posição (Rm 8.15). Não somos apenas ex-escravos perdoados; somos feitos filhos de Deus. Como nossa Declaração de Fé ensina, a salvação inclui a “regeneração, santificação e glorificação” (Soares [Org.], 2017, p.64), um processo completo que muda nossa natureza e nosso destino.

2.2 A evidência da filiação (Gl 4.6). A prova de que essa adoção é real em nossa vida é a presença do Espírito Santo (Jo 14.17). É Ele quem nos dá a ousadia e a intimidade para clamar “Aba, Pai” (Rm 8.15). Este não é um título formal, mas a expressão de um relacionamento filial e de profunda confiança. O dicionário Wycliffe define o fruto do Espírito como “os hábitos e princípios misericordiosos que o Espírito Santo produz em cada cristão (GI 5.22,23; Ef 5.9)” (Pfeiffer et al., 2007, p. 824). A presença desse fruto (Gl 5.22-23) e desse clamor em nosso coração é o testemunho interior de que a missão do Filho nos alcançou.

2.3 A herança da filiação (Rm 8.17). A adoção como filhos nos torna também “herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo” (Rm 8.17). Essa herança não é material, mas espiritual e eterna (1Pe 1.4). Inclui a promessa da vida eterna (Tt 1.2), a
participação na glória futura (Rm 8.18) e a posse de um corpo glorificado, semelhante ao de Cristo (Fp 3.21). A missão do Filho não nos deu apenas um novo presente, mas também um novo e glorioso futuro.

III – A MISSÃO E SUAS IMPLICAÇÕES: VIVENDO COMO RESPOSTA À OBRA DA TRINDADE

A obra da salvação, sendo uma ação conjunta da Trindade, exige de nós uma resposta que também envolva todo o
nosso ser (Rm 12.1). Se o Pai nos amou (1Jo 4.19), se o Filho nos redimiu (Ap 5.9) e se o Espírito nos selou (Ef 1.13), nossa vida não pode permanecer a mesma. A compreensão da missão trinitária nos leva a uma vida de adoração (Jo 4.23-24), testemunho (Mt 28.19) e santidade (1Pe 1.15).

3.1 A implicação da obediência (Jo 14.15). Se a missão do Filho foi um ato de perfeita obediência à vontade do Pai (Jo 6.38; Fp 2.8), nossa resposta como filhos adotivos deve ser um reflexo dessa obediência. Jesus foi claro: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14.15; 1 Jo 5.3). A obediência deixa de ser um fardo legalista e se torna a expressão mais sincera de nosso amor e gratidão. Não obedecemos para sermos salvos, mas porque fomos salvos pela obediência dEle.

3.2 A implicação do testemunho (At 1.8): A missão de Cristo na terra culminou com a Grande Comissão (Mt 28.19-20). A missão que Ele recebeu do Pai, Ele agora delega à Sua Igreja (Jo 20.21). Se fomos alcançados por tão grande salvação, temos a responsabilidade e o privilégio de anunciá-la (Mc 16.15). O Espírito Santo, que aplicou a salvação em nós, é o mesmo que nos capacita com poder para sermos “testemunhas” (At 1.8). Viver a implicação da missão é entender que não fomos salvos apenas do mundo, mas salvos para sermos enviados ao mundo.

3.3 A implicação da santidade (1Pe 1.15-16). A obra da Trindade é uma obra santa. O Pai é Santo (Jo 17.11), o Filho é o Santo de Deus (Mc 1.24) e o Espírito é o Espírito Santo. Se fomos chamados por um Deus Santo (Lv 11.44) e redimidos por um sacrifício santo (Hb 10.10), somos chamados a uma vida de santidade (Hb 12.14). O apóstolo Pedro exorta: “como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (1Pe 1.15,16). A santidade não é uma opção, mas a consequência natural de quem agora somos em Cristo.

IV – A MISSÃO E A NOSSA ESPERANÇA FUTURA

A missão do Filho não garante apenas nossa posição presente como filhos, mas também assegura nosso destino
eterno. A obra de Cristo tem implicações que transcendem esta vida e se estendem por toda a eternidade. A salvação que recebemos é o início de uma jornada que culminará na glória, quando seremos plenamente conformados à imagem de Cristo (Rm 8.29). O apóstolo João escreveu que “Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1 Jo 5.12).

4.1 A garantia da vida eterna (Jo 17.3). A missão de Cristo nos deu mais do que perdão; ela nos deu vida eterna. E Jesus define essa vida não como uma duração infinita, mas como um relacionamento: “E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3). A missão nos abriu a porta para um relacionamento com o Deus Triúno que começa agora e jamais terá fim (Jo 10.28).

4.2 A promessa da glorificação (Fp 3.20-21). Nossa identidade como filhos de Deus nos torna também cidadãos dos céus (Fp 3.20). A missão de Cristo garante que nossa jornada não termina aqui. Aguardamos a Sua volta, quando Ele “transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso” (Fp 3.21). Esta é a nossa bem-aventurada esperança (Tt 2.13). A mesma obra que começou com a encarnação do Filho terminará com a nossa glorificação.

CONCLUSÃO

A missão do Filho é o amor de Deus traduzido em ação sacrificial. Ela nasce na eternidade, entra na história no
tempo perfeito e resulta em nossa eterna adoção como filhos. Esta verdade, porém, não deve gerar em nós apenas conforto, mas também um profundo senso de responsabilidade e uma esperança inabalável. Que a nossa resposta a esta missão seja uma vida de obediência por amor, um testemunho corajoso por gratidão e uma busca incessante por santidade, com os olhos fixos na promessa da glória que nos aguarda, para louvor do Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

REFERÊNCIAS

● BAPTISTA, Douglas. Lições Bíblicas - Professor, 1º Trimestre 2026. CPAD.

● HORTON, Stanley M. (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. CPAD.

● GILBERTO, Antonio. Teologia Sistemática Pentecostal. CPAD.

● PEARLMAN, Myer. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. VIDA.

● Declaração de Fé das Assembleias de Deus. CPAD.

● PFEIFFER, Charles (et. al.). Dicionário Bíblico Wycliffe. CPAD.

Fonte: https://redebrasiloficial.com.br/licao_ebd.php Acesso em 15 de Jan de 2026

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