Adultos

Lição 11 - Ética cristã, vícios e jogos V

SUPERINTENDENCIA DAS EBD'S DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS EM PERNAMBUCO

PORTAL ESCOLA DOMINICAL

SEGUNDO TRIMESTRE DE 2018

Adultos - VALORES CRISTÃOS: Enfrentando as questões morais de nosso tempo

COMENTARISTA: DOUGLAS ROBERTO DE ALMEIDA BAPTISTA

COMENTÁRIO: SUPERINTENDÊNCIA DAS EBD'S DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS EM PERNAMBUCO

LIÇÃO Nº 11 – ÉTICA CRISTÃ, VÍCIO E JOGOS

INTRODUÇÃO

Nesta lição, veremos uma breve abordagem sobre os jogos de azar na história e na legislação brasileira, bem como qual é o posicionamento do crente face a ética cristã diante desta prática; pontuaremos quais os princípios bíblicos que são contrários ao uso das drogas; e por fim, analisaremos qual a orientação bíblica quanto ao uso da bebida alcoólica no AT e no NT.

I – OS “JOGOS DE AZAR” NA HISTÓRIA E NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

Uma definição genérica para vício é: “um hábito, ou prática, imoral ou mau; conduta imoral; comportamento depravado e degradante” (HENRY, 2007, p. 596). A expressão “jogos de azar”, para os efeitos penais, é definida como sendo o jogo em que o ganho e a perda dependem exclusiva ou principalmente da sorte. O décimo mandamento do Decálogo condena a cobiça, que é a raiz de todos os jogos de azar (Êx 20.17) […] Depositar a esperança na sorte é pecado e implica não confiar na providência divina (Jr 17.5-7) […] pois “o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males” (1Tm 6.10). Para livrar o cristão do sofrimento de tais males, o Senhor nos orienta a ajuntar tesouros nos céus (Mt 6.21) (BAPTISTA, 2018, pp. 127,128). A propaganda das loterias, dos bingos e outros meios da jogatina, ilude os incautos, prometendo-lhes riqueza fácil.

1.1 Os jogos de azar na história. “De acordo com a definição mais comum, um jogo é um risco que envolve dinheiro, que se pode ganhar ou perder mediante uma aposta […]” (CHAMPLIN, 2010, pp. 568-9). A arqueologia registra que a origem dos “jogos de azar” remontam à Suméria por volta do século III a.C. Os sumérios implantaram um jogo que consistia em um grupo de dados fabricado em ossos de animais com símbolos cunhados nas faces, com valores determinados e específicos. Nesse jogo, o vencedor era aquele que alcançasse uma maior pontuação, arremessando os dados. Essa cultura de jogatina também foi encontrada no Egito com tabuleiros (séc. II a.C.), e na Roma Antiga com o jogo de dados e outros (séc. I a.C.). Historiadores afirmam que esses jogos somente terminavam após um dos participantes perder todos os seus bens, muitos, inclusive, perdiam a liberdade, tornando-se escravos (FERNANDES, 2012 apud BAPTISTA, 2018, p. 124). Todo e qualquer tipo de vício escraviza o ser humano, e com o viciado em jogos não é diferente. Um incontável número de jogadores perdeu tudo o que tinha em apostas variadas; eles não perderam apenas dinheiro, perderam a dignidade, a confiança, o respeito e até a moral.

1.2 Os jogos de azar e legislação brasileira. Os jogos de azar são classificados como contravenções penais (Art. 50, Decreto-Lei nº 3.688/1941), ou seja, quem joga, presencialmente ou online, ou ainda administra tal serviço está sujeito às penalidades legais […] Existem dois projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional que visam à legalização desses jogos: o projeto de lei nº 442/1991 e o projeto de lei nº 186/2016 (Senado Federal), que deseja legalizar o funcionamento de cassinos, bingos, jogo do bicho e jogos em vídeo (BAPTISTA, 2018, p. 129). Os jogos de azar, assim como o álcool, o cigarro e as demais drogas, causam dependência química e psíquica. A Organização Mundial de Saúde concluiu que jogar faz mal à saúde e incluiu o jogo compulsivo no Código Internacional de Doenças […] Tal como os outros viciados, os jogadores compulsivos tendem ao desenvolvimento de doenças psiquiátricas […] A doença denominada de “ludopatia” refere-se o jogo compulsivo ou patológico, que leva uma pessoa a não poder resistir ao impulso de jogar mais e mais, provocando graves problemas econômicos, psicológicos e familiares (BAPTISTA, 2018, p. 130 – grifo nosso).

<p.1.3 O crente e os jogos de azar. O cristão precisa adotar uma postura ética contrária a qualquer tipo de jogo de azar. Pelas seguintes razoes: a) O jogo de azar incentiva a ambição, a avareza ou o amor ao dinheiro (1Tm 6.1; Pv 28.22); b) O jogador acaba envolvendo-se em outras práticas ilícitas e passa a confiar mais na “sorte” do que em Deus (Pv 13.11; 23.5); c) O jogador é tentado a continuar na jogatina e deixar de se interessar pelo trabalho e a Bíblia manda trabalhar com afinco (Gn 3.19; Pv 21.25,26; 2Ts 3.10-12; Ef 4.28; 1Co 10.23; Gl 5.13,14; Mt 22.37; 1Ts 5.22; Rm 12.9); d) O vício aprisiona a mente e leva a pessoa a uma compulsão, que a obriga a jogar mais e mais, na esperança de superar as perdas e torna o homem escravo do jogo (Cl 3.5); e) O jogo conduz à exploração; f) O jogo associa-se a praticas ilícitas, pois os impostos arrecadados não justificam os males sociais decorrentes da jogatina, que se associa a bebidas, drogas, prostituição e outros vícios; e, g) O jogo de azar prejudica a mordomia familiar trazendo desajustes financeiros (Is 55.2; Jr 17.11; 1Tm 6.9,10).

II – PRINCÍPIOS BÍBLICOS CONTRA OS VÍCIOS

A Bíblia nos diz que: “[…] Ele (Deus) conhece os homens vãos e vê o vício […]” (Jó 11.11). Procuraram algum vício que manchasse a índole de Daniel, mas não acharam: “[…] procuravam achar ocasião contra Daniel […] mas não podiam achar […] porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum vício nem culpa” (Dn 6.4). Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam o alcoolismo como a terceira causa de morte no mundo e define como droga toda a substância que, sendo introduzida no organismo, pode modificar uma ou mais funções, alterando o sistema nervoso com a introdução da dependência física e/ou psíquica do indivíduo (BAPTISTA, 2018, p. 124). A Bíblia é categórica e irredutível: “Não vos embriagueis com vinho em que há contenda […]” (Ef 5.18), Paulo, aqui, não se refere apenas ao efeito entorpecente do vinho, mas a embriaguez provocada por qualquer tipo de bebida (ver ainda Lv 10.9-11; Jz 13.4-7; Pv 31.4; Nm 6.3; Pv 23.29-35; Lc 12.45,46; 1Ts 5.6; Tt 2.2).

2.1 A bebida alcoólica no Antigo Testamento. A Bíblia vê o alcoolismo de modo diferente do mundo. Nela, verificamos que o alcoolismo, a bebedeira e outros vícios, são vistos como atos pecaminosos (Is 5.11,12; 28.1,7). Apreende-se com tal afirmação que o uso do álcool resulta em situações danosas e constrangedoras para a família (Pv 20.1; 23.21,31,32; 31.4,5; Os 4.11; Lc 21.34; Ef 5.18; 1Co 6.10). De acordo com a Bíblia Pentecostal (STAMPS, 1995, p. 241), no AT existem diversas palavras para designar “vinho”. Uma delas é “yayin”, termo usado cerca de 141 vezes, indicando “vários tipos de vinhos fermentados” (Gn 9.20,21; 19.32,33). A expressão “yayin” também se aplica ao “suco doce não-fermentado da uva”. O uso do vinho fermentado sempre foi motivação para praticas ilícitas (Gn 9.20-29; 19.31-38). Por isso, o sacerdote deveria afastar-se da bebida alcoólica (Lv 10.9-11). O “yayin” fermentado é sempre relacionado à embriaguez, “é escarnecedor” (Pv 20.1; 23.31). Outra palavra é “tirosh”, com o significado de “vinho novo”, refere-se à bebida extraída da vide, não-fermentada, ou o suco doce da uva (Dt 11.14; Pv 3.10; Jl 2.24). A palavra “tirosh” aparece cerca de 38 vezes no AT sempre referindo-se ao vinho não-fermentado, onde “tem benção nele” (Is 65.8). A Bíblia faz uma referência quanto ao uso do vinho pelos sacerdotes (Is 28.7-8). O posicionamento do crente a respeito da bebida alcoólica deve ser taxativo, é pecado usar bebida alcoólica, pois a Bíblia não faz concessão à bebedice (Is 5.11-12).

2.2 A bebida alcoólica no Novo Testamento. Paulo colocou no mesmo nível de condenação os bêbados, os devassos, os idolatras, os homossexuais e os ladrões, os quais não herdarão o Reino de Deus (1Co 6.9-10; Rm 13.13; 1Pe 3.3-5). Nosso posicionamento deve ser o de total condenação ao álcool. À luz da Palavra, podemos dizer que o alcoolismo é um pecado grave contra o Senhor e contra o corpo que é o templo do Espírito Santo (1Co 6.19-20). O consumo do álcool é tanto um vício como um pecado (Ef 5.18). O apóstolo Paulo ainda recomendou ser: “não dado ao vinho[…]” (1Tm 3.3 ver ainda 1Tm 3.8; Tt 1.7, 2.3). Na Santa Ceia Jesus não tomou vinho embriagante (Mt 26.29), Ele tomou “do fruto da vide” do grego “guenematos tês ampelou”, indicando tratar-se do “suco fresco da uva” (Mt 26.29; Mc 14.25; Lc 22.18). Se fosse vinho fermentado (alcoólico) a palavra seria “guenematos tês oinos”. O cristão não deve ingerir vinho, cerveja com ou sem álcool, champanhe ou qualquer outra bebida mesmo que seja consideraa “leve”, mas, deve “afastar-se da aparência do mal” (1Ts 5.22; 1Pe 3.11 ver Jó 28.28; Sl 34.14; 42.7a; Pv 4.27; 14.16; 27.12). A Bíblia condena a embriaguez e o alcoolismo com veemência. O posicionamento do crente a respeito da bebida alcoólica deve ser taxativo, é pecado usar bebida alcoólica, e a Bíblia não faz concessão à bebedice.

2.3 As drogas ilícitas e lícitas. O termo “droga” vem do grego “pharmakeia”, de onde vem a palavra farmácia. As drogas podem ser ingeridas, inaladas ou injetadas e quase sempre conduzem o indivíduo à dependência. Existem, pelo menos, dois tipos de drogas: As drogas lícitas que se comercializam livremente, tais como álcool, cigarros e alguns medicamentos; e as drogas ilícitas que são proibidas e são comercializadas clandestinamente, como cocaína, crack, heroína, maconha, etc. Há nas Escrituras várias referências que condenam os vícios e seus funestos resultados (Pv 20.1; 21.7; 31.4; Is 5.22; 28.7; Ef 5.18). Deus condena terminantemente todo tipo de vício, inclusive as drogas. A legislação brasileira se posiciona contra o uso e contra a venda de entorpecentes (Lei nº 11.343/2006). […] o uso de entorpecentes é imoral, antiético, bem como prejudicial à saúde do usuário e das pessoas do seu convívio social (BAPTISTA, 2018, p. 126 – grifo nosso). O fato de não haver de maneira explícita alguma orientação a respeito do fumo (cigarro), a Bíblia não permite, em absoluto, considerar que seu uso seja permitido embora seja uma droga “lícita”. Nem tudo que é lícito convém ao crente mesmo que seja algo legalizado pela legislação (1Co 10.23; 6.12).

III – POR QUE A BÍBLIA CONDENA O USO DE DROGAS ILÍCITAS?

A palavra vício significa: “condição de ser fisiologicamente ou psicologicamente dependente de uma substância viciosa”. As drogas afetam a vida escolar, financeira, profissional, familiar e, principalmente, espiritual. Apesar de a Bíblia não falar especificamente sobre entorpecentes, podemos observar que as Escrituras são contrárias ao seu uso. Vejamos porque:

3.1 Porque as drogas escravizam e causam sofrimento. As drogas conduzem o ser humano à dependência química e ao vício. Deus não criou o homem para viver dominado pelo vício (Rm 8.5,6). Por isso, o apóstolo Paulo diz que o cristão não deve se deixar dominar por coisa alguma (1Co 6.12). Milhares de pessoas sofrem no mundo por causa das drogas. Salomão diz que a bebida fermentada provoca brigas (Pv 20.1), pobreza (Pv 23.20,21), contenda (Pv 23.29,30), e injustiça (Pv 31.4,5).

3.2 Porque as drogas conduzem o homem a perdição. Se não houver o arrependimento e o abandono do vício, os viciados em drogas não herdarão o reino de Deus “[…] bebedices […] os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus” (Gl 5.21). O apóstolo Paulo ainda diz: “bêbados […] não herdarão o reino de Deus” (1Co 6.9,10 ver Rm 13.13; 1Pe 4.3-5).

3.4 Porque as drogas destroem o corpo. Assim como a prostituição é um pecado deliberado contra o corpo (1Co 6.18-20), também o são as drogas (1Co 3.17). Nosso corpo é propriedade do Criador, e não podemos violar os padrões de vida estabelecidos por Ele, nosso corpo, é templo do Espírito Santo (1Co 6.19). Deus considerava qualquer quantidade de bebida embriagante incompatível com seus elevados padrões de piedade (Pv 23.29-35; 1Tm 3.3; Tt 2.2).

3.5 Porque as drogas causam sofrimento ao usuário e ao próximo. Apesar de o viciado ser o principal prejudicado pelas drogas (Pv 5.22,23), os familiares sofrem bastante com a situação (Pv 4.17; 23.29-35). É incontestável o fato de que as drogas afastam o homem dos caminhos do Senhor (1Co 6.10; Gl 5.21; 1Pe 4.3). Por trás dos vícios, existe uma influência maligna, com o intuito de escravizar o ser humano e distanciá-lo de Deus. A Bíblia descreve claramente a ação do diabo na humanidade (Jo 10.10; Ef 2.1,2; 1Pe 5.8). A Bíblia adverte a fugir dos desejos da mocidade (2Tm 2.22).

CONCLUSÃO

Concluímos que a Bíblia enaltece a vida moderada, o trabalho honesto e a boa administração da família. Desse modo, as Escrituras eliminam qualquer possibilidade de o cristão envolver-se na prática dos vícios ou jogos de azar. De igual modo o cristão deve abster-se da prática de todo e qualquer envolvimento com o uso de qualquer droga.

REFERÊNCIAS

 HENRY, Carl (Org). Dicionário de Ética Cristã. Editora Cultura Cristã.

 BURNS, J. Uma palavra sobre sexo, drogas & rock'n' roll. CPAD.

 BAPTISTA, Douglas. Valores cristãos. CPAD.

 STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL (FORNECIMENTO DO MATERIAL) - PROF. PAULO AVELINO

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