ASSEMBLEIA DE DEUS - MINISTÉRIO DO BELÉM - SEDE - SÃO PAULO/SP
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
TERCEIRO TRIMESTRE DE 2026
Adultos - A IGREJA DOS GENTIOS: Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos
COMENTARISTA: Wagner Tadeu dos Santos Gaby
COMENTÁRIO: Pr. Caramuru Afonso Francisco

LIÇÃO Nº 12 – O EVANGELHO CHEGA AO CORAÇÃO DO IMPÉRIO
- Na sequência do estudo da segunda parte do livro de Atos dos Apóstolos, analisaremos a primeira estada de Paulo em Roma.
- Paulo dinamizou a evangelização na igreja de Roma.
I – A EVANGELIZAÇÃO DE ROMA
- Como é sabido, a vinda de Cristo a este mundo se deu em plena “pax romana”, ou seja, Jesus veio ao mundo na plenitude dos tempos (Gl.4:4), plenitude esta que, em termos políticos, era, também, o período em que se estava no início do apogeu do domínio romano sobre a Europa e o Oriente Médio (mais precisamente o chamado Crescente Fértil), iniciado com a vitória de Otávio sobre Marco Antônio e sua proclamação como primeiro imperador romano, em 14 a.C., ou seja, dez anos antes do nascimento de Jesus.
- Este domínio de Roma, sem quaisquer adversários e sem divisões internas entre os romanos, foi o clima propício estabelecido pelo próprio Deus para que se iniciasse a pregação do evangelho. Esta “pax romana” foi, portanto, um dos principais fatores que permitiu que a primeira geração da igreja pudesse, em pouco mais de quarenta anos, evangelizar todo o Império Romano.
- Portanto, não é difícil entender que, desde o início da pregação do Evangelho, já houvesse crentes em Roma, pois, afinal de contas, sendo a capital do mundo, o centro do Império, certamente alguém que tivesse crido em Jesus fatalmente iria morar ou passar por Roma e, ante o ardor e o fervor da igreja primitiva (cf. At.8:4; 11:20), não deixaria de pregar o evangelho e ganhar almas para o Senhor nestas idas, vindas ou estabelecimentos na capital de César.
- Não devemos nos esquecer, ainda, que, no dia de Pentecostes, marco inicial da evangelização do mundo, converteram-se quase três mil pessoas (At.2:41), muitas das quais pessoas que habitavam fora da Palestina, os chamados “judeus da diáspora” (At.2:6-11), entre os quais “forasteiros romanos” (At.2:10), a indicar que, seguramente, o evangelho chegou a Roma logo no limiar da pregação do Evangelho, o que explica a expressão do apóstolo Paulo na epístola aos romanos de que “há muitos anos” desejava ir a Roma (Rm.15:23), expressão que dá conta de que a igreja era ali antiga quando escreveu a carta, o que se deu, ao término de sua terceira viagem missionária, por volta do ano 56 ou 57, quando estava para viajar para Jerusalém levando as ofertas para os crentes pobres de Jerusalém e da Judeia (Rm.15:25-28).
- Estes primeiros crentes de Roma seriam judeus (como, aliás, todos os que se converteram no dia de Pentecostes) e, por isso, há quem se insurja contra a tese de que a igreja em Roma tenha se formado a partir do dia de Pentecostes, alegando que, quando Paulo chegou a Roma, já prisioneiro, anos depois de ter escrito a epístola (cf. At.28:14), os irmãos que o receberam eram gentios, vez que a comunidade judaica se mostrava absolutamente ignorante a respeito do Evangelho (At.28:21-24).
- Esta insurgência, no entanto, não merece acolhida, senão por outros, por dois motivos principais, a saber:
a) o texto bíblico diz que Paulo foi recebido por irmãos em Roma, não distinguindo se eram gentios ou judeus, não havendo porque achar que se tratavam apenas de gentios. Pelo contrário, a própria epístola dá conta de que a igreja em Roma era formada tanto por judeus quanto por gentios (Rm.4:1; 7:1).
b) o texto bíblico não diz que a comunidade judaica ignorava o Evangelho, mas, antes, que o conhecia, inclusive a “má fama” dos cristãos, tidos como uma “seita” (At.28:22). O que eles ignoravam eram as acusações que os membros do Sinédrio tinham contra Paulo (cf. At.28:21).
- Na verdade, existe um esforço para desqualificar as poucas indicações bíblicas a respeito da origem da igreja em Roma com a finalidade de dar crédito à versão de que a igreja teria sido fundada por Pedro, que teria sido o seu primeiro líder, teoria sem qualquer base bíblica mas que é fundamental para a doutrina do Papado e para a ideia de supremacia da Igreja Católica Apostólica Romana.
- A igreja em Roma, porém, não começou com Pedro, mas por missionários anônimos, muito provavelmente convertidos no dia de Pentecostes, cuja fé era conhecida de todos e a quem Paulo desejava muito conhecer e com quem resolveu manter um contacto epistolar quando se preparava para subir a Jerusalém, onde seria preso e, posteriormente, mandado para Roma, alguns anos depois.
COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - PR. CARAMURU AFONSO FRANCISCO