ASSEMBLEIA DE DEUS TRADICIONAL NO AMAZONAS
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
TERCEIRO TRIMESTRE DE 2026
Adultos - A IGREJA DOS GENTIOS: Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos
COMENTARISTA: Wagner Tadeu dos Santos Gaby
COMENTÁRIO: EV. ANTONIO VITOR DE LIMA BORBA

LIÇÃO Nº 3 – A GRAÇA QUE ALCANÇA TODAS AS NAÇÕES
Em Cristo não há barreiras étnicas, culturais ou religiosas. A graça de Deus está disponível a todo aquele que crer no sacrifício de Jesus Cristo e o reconhece como seu único e suficiente Salvador (Ef 2.8). Esta verdade é endossada pelo apóstolo Paulo na Carta Pastoral escrita a Timóteo, quando afirma que a vontade de Deus é que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade (1 Tm 2.4). Desse modo, a graça de Deus é abrangente a todos os povos, sem que haja exceção. Outrossim, a compreensão desta doutrina requer a renúncia, sem hesitar, a qualquer forma de preconceito étnico-religioso. Isso significa que em Cristo não há judeu nem grego, mas todos são chamados a fazer parte de um só Corpo (Gl 3.28).
O Objetivo deste comentário é contribuir para o preparo de sua aula, e apresentar um subsídio a parte da revista, trazendo um conteúdo extra ao seu estudo. Que Deus nos ajude no decorrer desta maravilhosa lição.
QUANDO A GRAÇA PRESERVA A UNIDADE DA IGREJA
Os indivíduos que desceram de Jerusalém para Antioquia, do grupo dos fariseus, não são mencionados por nome. Eles não desceram para se alegrarem com a igreja pelas boas novas dos campos missionários. Ao contrário, o intuito era jogar um balde de água fria na fervura e dizer que os gentios não poderiam ser salvos a menos que se circuncidassem (15.1) e observassem a lei de Moisés (15.5).
Estes pensavam que o evangelho veio como um complemento aos ritos da Lei de Moises, e com isso acreditavam, e pregavam, que os gentios convertidos deveriam adaptar-se aos rudimentos da Antiga Aliança, circuncidando para serem “aceitos como salvos”. Eles pregavam que a Lei de Moises deveria ser seguida e obedecida, porque somente assim eles poderiam ser justificados.
Esses falsos mestres ensinavam que a fé em Cristo não era suficiente para a salvação. Pregavam que, sem a circuncisão, os gentios não poderiam ser salvos. Segundo esses mestres, os gentios precisavam primeiro se converter em judeus, para depois se tornarem cristãos. Mas a grande questão é: Pode o homem ganhar o favor de Deus? Pode justificar a si mesmo por seus próprios esforços? Pode chegar a ser considerado justo diante de Deus por si mesmo e pela obediência da lei? A resposta a estas perguntas é um retumbante não. Ninguém será justificado diante de Deus por obras da lei (G1 3.11). Nenhum ritual sagrado pode tornar o homem aceitável diante de Deus. A circuncisão da carne não pode purificar o homem. A salvação é exclusivamente pela fé e não pela fé mais as obras. Não é Cristo mais a circuncisão, mas unicamente Cristo.
Após duros debates com estes, Paulo e Barnabé subiram a Jerusalém afim de reunirem-se com o colégio apostólico para tratar deste assunto. Este encontro marcou “a grande primeira reunião da igreja” para tratar de um tema necessário ao avanço da obra. Na reunião, Pedro, Paulo e Barnabé tiveram um papel importante para que o posicionamento da igreja fosse definido.
O apóstolo Pedro foi uma peça fundamental no esclarecimento da verdade. Era um líder na igreja. Sua palavra tinha muito peso. Pedro já enfrentara um sério problema em Antioquia, quando deixou de ter comunhão com os crentes gentios e foi duramente exortado por Paulo (G1 2.11-14). Agora, revelando humildade, posiciona-se firmemente contra a bandeira levantada pelos fariseus.
Após a participação de Pedro, aquele que fora o primeiro a evangelizar os gentios, quando fora na casa de Cornélio, chega o momento em que a reunião escuta o testemunho de Paulo e Barnabé, peça importante para que todo o debate fosse finalizado.
Chegou agora a parte principal das deliberações, e o concílio inteiro está pronto para ouvir o testemunho de Barnabé e Paulo. A ênfase não está no que Paulo e Barnabé fizeram, mas no que Deus fez por intermédio deles. O concílio deve reconhecer que o crescimento da igreja é obra de Deus, e a admissão dos gentios no seio da igreja deve ser solucionada definitivamente por esse Concílio de Jerusalém.
Destaque
Homens da Judeia estavam ensinando em Antioquia da Síria que a circuncisão era necessária para a salvação, e a tensão resultante foi aguda. Os líderes concluíram que era necessário agir rapidamente a fim de evitar uma divisão que separaria a igreja em dois ramos: um judaico e outro gentílico.
De modo nenhum, os apóstolos concordaram com tal ensinamento; apresentaram-se e publicamente a rebateram. Eles defenderam que a salvação é pela graça, mediante a fé, sem as obras da Lei: “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo” (Gl 2.16).
Como líder da igreja de Jerusalém e presidente do concílio, Tiago assume a tarefa de se dirigir ao plenário e formular uma decisão que contasse com a aprovação de toda a assembleia. Quando Tiago fala à assembleia, ele literalmente tem a última palavra. Com segurança, Tiago referenda o testemunho de Pedro, Barnabé e Paulo, confirmando que a recepção dos gentios na igreja concorda com as Escrituras. Os concílios não têm autoridade na igreja a não ser que possam provar que suas conclusões estão de acordo com as Escrituras. A inclusão dos gentios não era uma ideia posterior de Deus, mas algo predito pelos profetas. As próprias Escrituras confirmavam os fatos experimentados pelos missionários. O que Deus havia feito por meio dos apóstolos conferia com o que ele havia dito por meio dos profetas. Essa concordância entre Escrituras e experiência, entre o julgamento dos profetas e o dos apóstolos, era conclusiva para Tiago. […] O conselho de Tiago espelha a decisão unânime do concílio. Os gentios estavam desobrigados do rito da circuncisão como elemento necessário para a salvação. Porém, deveriam abster-se de algumas coisas para não criar barreiras no relacionamento com os crentes judeus. Os crentes gentios precisavam guardar essas regras para não ferir a comunhão com os irmãos judeus.
UM PRESENTE DE SALVAÇÃO PARA TODOS
O concílio de Jerusalém foi uma importante reunião para que o tema graça fosse debatido. Ninguém tem a capacidade de salvar a si mesmo, ou está apto para se auto justificar diante de Deus. O pecado que carregávamos tinha um preço muito alto, e por isso somente com esse favor imerecido é que tivemos acesso a salvação. As palavras finais de Pedro deixam isso claro no texto de Atos 15.11.
“Mas cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo, como eles também”. Essa frase final de Pedro resume toda a teologia paulina e o coração do Evangelho. A graça é a iniciativa de Deus, o meio de salvação e a base da comunhão entre crentes de todas as origens. Fica claro para nós, nessa quarta e última parte do seu discurso, que a graça é o fundamento da comunhão cristã e da missão da Igreja.
Não existe vários caminhos ou várias formas de salvação. Somente pela graça, através da fé, seremos salvos, pois isso é um presente de Deus para nós: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8,9).
Tanto os judeus quanto os gentios são salvos da mesma maneira. Não há dois modos de salvação. Não há um critério diferente para judeus e outro para os gentios. A salvação é pela graça, e não pelas obras; é recebida pela fé, e não por merecimento. Procede daquilo que Cristo fez por nós, e não daquilo que fazemos para ele. A salvação não é um caminho aberto da terra para o céu e do homem para Deus. Não é obra humana. E planejada, executada e consumada por Deus.
Destaque
Essa mesma graça é aquela que alcança, convence e converte, mas não se trata de uma proposta que não pode ser rejeitada, como afirmam alguns teólogos. A graça existe para revelar o amor de Deus que chama todos ao arrependimento. Ele entregou o seu Filho Unigênito a fim de que todo aquele que nEle crer não pereça, mas prove da vida eterna (Jo 3.16). Ocorre que nem todos aceitam recebê-la, semelhante ao que fizeram os do seu próprio povo (Jo 1.11, 12). Mas a todos quantos O receberam Deus lhes concede o privilégio de se tornarem filhos de Deus, aos que creem no seu nome (v. 12).
Paulo apresenta o mesmo evangelho que pregava fora de Jerusalém: Cristo crucificado e ressurreto como único meio de salvação. Ele mostra que os gentios estavam sendo transformados sem as práticas judaicas, provando que a graça é suficiente.
CRESCENDO NA GRAÇA
Diante de tudo o que entendemos sobre a graça divina, nossa vida deve ser pautada em gratidão por esse presente recebido. Não éramos dignos de sermos chamados filhos de Deus, pois o pecado original nos afastou do propósito divino. O pecado nos consumia dia a dia, fazendo-nos realizar os nossos próprios desejos e vontades.
Hoje podemos com ousadia nos aproximar do trono da graça, como também sermos amadurecidos continuamente ao crescermos na graça e no conhecimento do Senhor. Não temos méritos próprios na salvação, somos apenas participantes por intermédio do grande amor de Deus revelado em Seu Filho amado.
Precisamos entender que hoje temos a ajuda do alto em todos os sentidos, e assim em momento oportuno podemos chegar ao trono da graça para buscar o socorro bem presente da parte de Deus. Somos dependentes dessa graça para chegarmos ao Pai, e assim obtermos a salvação e a vida eterna junto a Ele.
COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - EV. ANTONIO VITOR LIMA BORBA