Lição 1 - O chamado para os gentios V

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ASSEMBLEIA DE DEUS - IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM PERNAMBUCO

PORTAL ESCOLA DOMINICAL

SEGUNDO TRIMESTRE DE 2025

Adultos - HOMENS DOS QUAIS O MUNDO NÃO ERA DIGNO: O legado de Abraão, Isaque e Jacó

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato de Lima

COMENTÁRIO: SUPERINTENDÊNCIA DAS EBD'S DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS EM PERNAMBUCO

 

LIÇÃO Nº 1 – O CHAMADO PARA OS GENTIOS

INTRODUÇÃO

Neste trimestre, estudaremos sobre A Igreja dos Gentios: Da Chamada Missionária à Consolidação do Evangelho entre os Povos, onde teremos a oportunidade de estudar a expansão do Evangelho, tomando por base os capítulos 13 a 28 do livro dos Atos dos Apóstolos, principalmente o ministério do apóstolo Paulo, entre os gentios. Nesta primeira lição, definiremos o termo “chamado” e “gentios”; veremos o modelo missionário da igreja de Antioquia; e, finalmente, citaremos o Espírito Santo como principal agente da obra missionária.

I – DEFINIÇÕES

1.1 Definição do termo chamado. “O convite feito aos pecadores para o estado de graça, por meio da pregação do evangelho. Essa chamada harmoniza-se com o propósito divino no tocante a cada pessoa (Rm 8.28; 2Tim 1.9). Isso conduz os homens à mais elevada glória e felicidade (Fl 3.14), mas essa chamada não é atendida por muitos dos sábios e poderosos (1Co 1.26,27). Trata-se de uma chamada santa e gloriosa (2Pe 1.3). É uma chamada celestial (Hb 3.1). É uma chamada determinada e mantida pela vontade divina (Rm 8.29). É universal (Jo 3.16; Ap 22.7; 1Tm 2.4). Tem resultados universais (Jo 12.32; Ef 1.10), nos que se salvam ou nos que se perdem (2Co 2.14,15).” (Champlin, 2014, p. 710, vol. 1).

1.2 Definição do termo gentios. Segundo Andrade, (2019, p. 200), o termo “gentios vem do hebraico goy e do latim genetivus.
É todo aquele nascido fora da comunidade de Israel, e estranho às alianças que o Senhor Deus estabeleceu com o seu povo no Antigo Testamento (Ef 2.11, 12). Τοdavia, quando o gentio recebe a Cristo, torna-se imediatamente herdeiro dos mesmos privilégios que o israelita piedoso desfruta em Deus (Rm 2.29)”. De forma simples, podemos afirmar que os gentios são povos que não são da descendência de Abraão, Isaque e Jacó (Sl 2.1; 117.1; Mt 12.21; At 13.47).

1.3 Judeus e gentios. A Bíblia nos mostra claramente que o desejo de Deus sempre foi alcançar todas as nações, e não apenas Israel. Ao chamar Abraão, Ele disse: “... em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Os salmos convidam todos os povos a louvar ao Senhor (Sl 67.1-4; 100.1), e os profetas anunciaram que os gentios seriam chamados à salvação (Is 49.6; Jr 16.19). No Novo Testamento, Jesus confirmou esse plano universal ao declarar que Deus amou o mundo [judeus e gentios] (Jo 3.16). Antes de ascender aos céus, ordenou que seus discípulos pregassem o evangelho a todas as nações (Mt 28.19-20), a toda criatura (Mc 16.15) e até os confins da terra (At 1.8). Assim, o chamado à salvação para os gentios, não se deu por causa da incredulidade do povo judeu, mas, através de um plano de salvação que já estava predito nas Sagradas Escrituras (Is 60.3; Rm 1.16; Ef 2.14; 3.6).

II – O MODELO DE MISSÕES DA IGREJA DE ANTIOQUIA

“Antioquia da Síria, local do nascimento da missão gentílica, tornou-se a base principal da evangelização aos gentios, o centro de partida da missão de penetração no mundo (a última parte da comissão de Jesus em At 1.8). [...] Paulo saiu de Antioquia para todas as suas três viagens missionárias (At 13.1-3; 15.35,36; 18.22,23). Essa cidade tornou-se como o quartelgeneral das viagens missionárias de Paulo e Barnabé, servindo como um ponto de partida para a expansão do evangelho” (Gaby, 2026, p. 6). Vejamos o exemplo missionário dessa igreja, que se tornou no modelo para todas as demais:

2.1 Barnabé e Paulo serviam na Igreja Local (At 13.2). Quando Barnabé foi enviado pelos apóstolos à igreja que estava em Antioquia, ele partiu para Tarso, para buscar Saulo, e durante um ano inteiro eles estiveram naquela igreja e ensinaram aqueles novos conversos (At 11.22-24). Em Atos 13.2 o médico Lucas diz que eles estavam servindo ao Senhor e jejuando, juntamente com outros profetas e doutores. Isso nos ensina que a igreja local é o melhor centro de treinamento missionário. Nem todos os missionários transculturais tiveram a oportunidade de fazer um curso de teologia ou missiologia, mas, todos, sem exceção, tiveram um período de treinamento em sua igreja local. “Deus designou os dois melhores homens da Igreja de Antioquia para que desempenhassem a nobre tarefa de missão transcultural. “para a obra a que os tenho chamado” (At 13.2). Essa mensagem provavelmente foi a confirmação de uma vocação a uma obra a qual o Espírito Santo já os tinha chamado, pois Antioquia tinha sido uma escola missionária para eles (At 11.22-26)” (Gaby, 2023, p. 128).

2.2 Barnabé e Paulo foram separados pelo Espírito Santo para a obra missionária (At 13.2). “Paulo e Barnabé foram chamados à obra missionária e enviados pela igreja de Antioquia. As características dessa obra estão descritas em (At 9.15; 13.5; 22.14,15,21 e 26.16-18). Paulo e Barnabé foram chamados para pregar o evangelho e conduzir homens e mulheres à salvação em Cristo. [...] O alvo dos missionários era conduzir pessoas a Cristo (At 16.31; 20.21), livrá-las do poder de Satanás (At 26.18), levá-las a receber o Espírito Santo (At 19.6) e organizá-las em igrejas. Nesses novos cristãos, o Espírito Santo veio habitar e manifestar-se através do amor; Ele deu dons espirituais (1 Co 12-14) e transformou esses fiéis de tal maneira que suas vidas glorificavam ao seu Salvador. Os missionários do evangelho de hoje devem ter a mesma atividade prioritária: ser ministros e testemunhas do evangelho, que levem outros a Cristo, livrando-os do domínio de Satanás (At 26.18), fazendo-os discípulos, motivando-os a receber o Espírito Santo e os seus dons (At 2.38; 8.17) e ensinando-os a observar tudo quanto Cristo ordenou (Mt 28.19,20)” (Stamps, 1995, p. 1659).

2.3 Barnabé e Paulo tiveram a chamada reconhecida pela Igreja (At 14.26; Gl 2.9). A igreja confirmou seu chamado e os enviou para o campo missionário. Faz parte do ministério do Espírito Santo, trabalhando por meio da igreja local, preparar e chamar cristãos para ir a outras partes e servir. “A igreja solene e oficialmente reconheceu a vocação missionária dos irmãos. Deus opera juntamente com sua igreja. Ela deve reconhecer publicamente a vocação para o ministério recebida da parte de Deus. [...] Observe a combinação: “... os despediram” e “... enviados pelo Espírito Santo”. Ver também Atos 15.28, que demostra como a igreja deve trabalhar em harmonia com o Espírito Santo” (Pearlman, 1995, p. 145).

2.4 Barnabé e Paulo foram enviados pela Igreja em Antioquia (At 13.3). A despedida dos missionários foi precedida por mais uma sessão de oração e jejum, tratando-se de um período de intercessão em prol da obra. Depois, os missionários receberam a imposição das mãos, o que segundo Champlin (2002, p. 258 - acréscimo nosso) era um método usado para a consagração de pessoas às funções oficiais da igreja cristã, desde os tempos primitivos como uma forma de aprovação e reconhecimento de alguém para uma tarefa específica (1Tm 4.14; 2Tm 1.6), como também pode indicar um ato de benção, de concordância, de identificação com eles para o trabalho (At 6.6), enfatizando o compromisso da igreja na comissão dos missionários, os recomendando à graça de Deus (At 14.26).

2.5 Barnabé e Paulo prestavam relatório a Igreja de Antioquia (At 14.24-28). Os missionários haviam passado em vários lugares estratégicos, enfrentando muitos desafios, porém, cumpriam com êxito a obra que lhes fora confiado. Ao regressarem, prestam contas das atividades realizadas, do sucesso da obra missionária. “Ao fim de cada uma das viagens missionárias, Paulo e a sua equipe prestavam contas à igreja que os havia recomendado. O modelo de missionários “independentes”, que respondem “somente ao Senhor”, não é bíblico. Nem o apóstolo Paulo deixava de relatar o que estava fazendo à sua igreja de origem (14.27,28)” (Gaby, 2023, p. 132). A igreja estava reunida para ouvir as notícias desse primeiro avanço missionário. Paulo e Barnabé rela-tam cuidadosamente não o que fizeram por Deus, mas o que Deus fez com eles e por eles (At 14.27,28;). Não há trabalho missionário desconectado da igreja local (At 16.4). Eles se abastecem na comunhão da igreja e também encorajam a igreja a estar ainda mais comprometida com a obra missionária.

III – O ESPÍRITO SANTO E A OBRA MISSIONÁRIA

No livro de Atos dos Apóstolos, o Espírito Santo é o grande agente da obra missionária. Ele capacita, dirige, envia, orienta e fortalece os servos de Deus na expansão do evangelho. “O Espírito Santo é visto como o protagonista e a força motriz da obra missionária, sendo responsável por despertar, chamar, capacitar e guiar os missionários e a Igreja no cumprimento da missão divina, além de conferir poder e autoridade ao evangelho e ao testemunho dos cristãos. O Senhor Jesus prometeu que, após a sua partida, o Espírito Santo viria para capacitar os seus discípulos como testemunhas, promessa que se cumpriu plenamente com a descida do Espírito Santo” (Gaby, 2026, p. 10). Vejamos algumas das muitas atuações do Espírito Santo na obra missionária:

• Capacita os discípulos para testemunhar (At 1.8).

• Reveste a Igreja de poder para a evangelização (At 2.1-4).

• Concede ousadia na pregação da Palavra (At 4.31).

• Confirma o testemunho cristão por meio de sinais e maravilhas (At 2.43; 5.12).

• Dirige a escolha de líderes para o serviço cristão (At 6.3,5).

• Impulsiona os pregadores a anunciarem Cristo (At 8.29).

• Derruba barreiras étnicas e culturais para a expansão do evangelho (At 10.44-48; 11.15-18).

• Chama obreiros para a obra missionária (At 13.2).

• Envia missionários ao campo de trabalho (At 13.4).

• Concede poder para enfrentar a oposição espiritual (At 13.9-12).

• Dirige os caminhos da missão, impedindo ou autorizando determinados percursos (At 16.6-10).

• Constitui líderes espirituais para cuidar da Igreja (At 20.28).

• Consola e fortalece a Igreja em meio às perseguições (At 9.31).

• Promove a unidade entre judeus e gentios na Igreja (At 15.28).

• Concede alegria aos discípulos mesmo em meio às dificuldades (At 13.52).

CONCLUSÃO

Como pudemos ver, o plano de salvação estabelecido por Deus abrange todos os seres humanos, e não apenas o povo judeu. Assim, os gentios também são chamados à salvação, através da fé em Cristo Jesus. E, para cumprir a tarefa da evangelização transcultural, Deus escolheu a igreja de Antioquia, que se tornou, não apenas a primeira igreja missionária, mas, também, o modelo para as demais. E, nesta igreja, o Espírito Santo falou, separando a Paulo e a Barnabé para esta grande obra. Podemos afirmar que Ele continua chamando, vocacionando e capacitando Seus servos para evangelização mundial.

REFERÊNCIAS

• ANDRADE, Claudionor Correia de. Dicionário Teológico. CPAD.

• CHAMPLIM, Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. HAGNOS.

• GABY, Wagner. A Igreja dos Gentios: da Chamada Missionária à Consolidação do Evangelho entre os Povos. CPAD.

• _____________. Até os confins da Terra: Pregando o Evangelho a todos os povos até a volta de Cristo. CPAD.

• PEARLMAN, Myer. Atos: E a Igreja Fez Missões. CPAD.

• PEREIRA, Shostenes. Fundamentação Bíblica para a Evangelização. BEREIA.

• STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: https://redebrasiloficial.com.br/licao_ebd.php Acesso em 01 de Jul de 2026