ASSEMBLEIA DE DEUS EM MUNDO NOVO - BA
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
SEGUNDO TRIMESTRE DE 2025
Adultos - HOMENS DOS QUAIS O MUNDO NÃO ERA DIGNO: O legado de Abraão, Isaque e Jacó
COMENTARISTA: Elinaldo Renovato de Lima
COMENTÁRIO: PR JOSAPHAT BATISTA SOARES

LIÇÃO Nº 13 – O LEGADO DE FÉ DE ABRAÃO, ISAQUE E JACÓ
INTRODUÇÃO
- Com esta Lição, encerramos o trimestre de estudo sobre a vida dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó. Ao longo do trimestre, contemplamos o rico legado espiritual deixado por estes três homens que, apesar de suas limitações humanas, foram escolhidos por Deus para cumprir um propósito eterno. Suas histórias, registradas principalmente no livro de Gênesis, revelam não apenas a formação de uma nação, mas, sobretudo, o desenvolvimento de uma fé viva, progressiva e transformadora.
I - TEXTO BÍBLICO Hebreus 11.8-12,17-21.
II - ABRAÃO, ISAQUE E JACÓ
- Estamos finalizando os estudos sobre as histórias dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó. Certamente, a trajetória desses grandes homens de Deus do passado trouxe profundos aprendizados para a nossa jornada de fé. Os testemunhos, as experiências com Deus e até mesmo as escolhas erradas serviram de exemplo para as futuras gerações. Abraão, Isaque e Jacó deixaram legados não apenas para a nação de Israel, praticante do judaísmo, mas também para todos os cristãos por várias gerações. A forma como Deus estabelece um relacionamento com os seus servos, atualmente, não mudou. Ele fez preciosas promessas ao seu servo Abraão no passado. Muitas dessas promessas, Abraão teve de esperar por vários anos. Esse tempo serviu para testar a fé do patriarca de modo que o seu testemunho o fez ser chamado de “amigo de Deus” (Tg 2.23). Algumas promessas, Abraão partiu para a eternidade sem ver o seu cumprimento como, por exemplo, a sua posteridade tomar posse da Terra Prometida. O mesmo legado de fé foi transmitido a Isaque, que viu o Deus das causas impossíveis trazer a fertilidade para a sua esposa Rebeca em resposta à sua oração (Gn 25.21). Do ventre de Rebeca, surgiram duas nações. O legado da promessa, porém, estava sobre os ombros de Jacó, que apesar de ter cometido vários erros, teve um profundo encontro com Deus e a sua vida foi transformada (Gn 28.20-22).
- Em linhas gerais, mais do que uma herança, a expressão “legado” coaduna com a bênção transmitida de geração a geração na família de Abraão. Conforme discorre Lawrence O. Richards, na obra Comentário Devocional da Bíblia (CPAD), “Nas culturas antigas, as bênçãos conferidas pelos pais ou por alguém de autoridade eram consideradas como tendo grande poder. A bênção no leito de morte era equivalente a um último desejo, com que uma pessoa transmite as suas possessões tangíveis e intangíveis à geração seguinte. Assim, a bênção de Isaque foi fervorosamente procurada por Esaú, e invejosamente desejada por Jacó” (p.32).
- Este exemplo de legado nos encoraja, atualmente, a buscar um relacionamento mais próximo e sincero com o nosso Deus. Afinal de contas, servimos ao mesmo Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Ele também nos faz promessas, tanto no âmbito coletivo enquanto Igreja do Senhor que experimentará o Arrebatamento (1Ts 4.16,17), quanto no âmbito pessoal no que diz respeito ao chamado específico e às bênçãos específicas. Seja qual for a esfera da promessa, assim como fez com seus servos no passado, Deus espera de nós a obediência, a perseverança e a mesma fé para que tenhamos experiências poderosas com Ele.
III - O LEGADO DE ABRAÃO
- O legado de Abraão não se limita à sua história pessoal, mas se estende à formação de um povo, à revelação do plano redentor de Deus e ao modelo de fé para todas as gerações. Ele é apresentado nas Escrituras como o “pai da fé” (Rm.4:11), cuja vida se torna referência espiritual tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.
1. O legado da chamada divina e da obediência - O legado de Abraão começa com um chamado divino que rompe completamente com a lógica humana. Em Gênesis 12, Deus chama Abrão para deixar sua terra, sua parentela e a casa de seu pai, conduzindo-o a um destino desconhecido. Esse chamado revela a soberania de Deus, que escolhe e direciona sem depender de méritos humanos. A resposta de Abrão é imediata e obediente: ele parte sem questionar, demonstrando confiança absoluta na voz divina. Assim, seu legado se inicia com uma verdade essencial: uma vida com Deus começa com obediência, mesmo quando não há todas as respostas.
2. O legado da fé nas promessas de Deus
- Ao longo de sua jornada, Abraão constrói um legado marcado pela fé nas promessas de Deus. Mesmo diante de circunstâncias impossíveis, como a esterilidade de sua esposa e sua idade avançada, ele crê na promessa de uma grande descendência. Em Gênesis 15:6, a Escritura afirma que ele creu no Senhor, e isso lhe foi imputado como justiça. Essa declaração se torna um dos pilares da teologia bíblica, sendo retomada no Novo Testamento para demonstrar que a justificação diante de Deus sempre ocorreu pela fé, e não pelas obras. Assim, Abraão estabelece um modelo espiritual que transcende seu tempo, tornando-se pai de todos os que creem.
3. O legado das fraquezas humanas e do tratamento divino
- Entretanto, o legado de Abraão também inclui suas fraquezas humanas. Em Gênesis 16, diante da aparente demora no cumprimento da promessa, ele cede à pressão e tenta resolver a situação por meios próprios, gerando Ismael com Agar. Esse episódio revela a tendência humana de antecipar o agir de Deus, utilizando soluções que não correspondem à vontade divina. Ainda assim, Deus não abandona Abraão. Pelo contrário, continua a tratá-lo, reafirmando suas promessas e conduzindo-o ao amadurecimento espiritual. Isso demonstra que o legado de Abraão não é de perfeição, mas de transformação contínua sob a graça de Deus.
4. O legado da aliança e da identidade espiritual - A confirmação da aliança em Gênesis 17 marca um momento decisivo em sua história. Deus muda seu nome de Abrão para Abraão, estabelecendo sua identidade como “pai de muitas nações”. Além disso, institui a circuncisão como sinal visível dessa aliança eterna. Esse pacto revela um relacionamento baseado tanto nas promessas divinas quanto na responsabilidade humana de viver em integridade diante de Deus. O legado de Abraão, portanto, inclui a compreensão de que Deus se relaciona com seu povo por meio de alianças firmes, que envolvem compromisso e fidelidade.
5. O legado da intercessão e da justiça
- Outro aspecto marcante desse legado é a intercessão. Em Gênesis 18, ao tomar conhecimento do juízo que viria sobre Sodoma e Gomorra, Abraão se coloca diante de Deus para interceder pelos justos. Sua oração revela intimidade com o Senhor, sensibilidade espiritual e profundo senso de justiça. Mesmo sabendo da corrupção daquelas cidades, ele demonstra misericórdia e preocupação com os que poderiam ser poupados. O desfecho, com a destruição das cidades, evidencia que Deus é justo em seus juízos, mas também atento à intercessão dos seus servos. Assim, Abraão deixa como legado uma vida de comunhão com Deus que se expressa em oração e intercessão.
6. O legado da prova suprema de fé
- O ponto culminante de sua trajetória ocorre em Gênesis 22, quando Deus prova sua fé ao pedir o sacrifício de Isaque, o filho da promessa. Abraão obedece sem hesitar, demonstrando uma confiança absoluta em Deus, crendo que Ele poderia até mesmo ressuscitar o filho, se necessário. No momento decisivo, Deus intervém e provê um cordeiro para o sacrifício, revelando-se como Jeová-Jiré, o Senhor que provê. Esse episódio não apenas consolida a fé de Abraão, mas também aponta profeticamente para o sacrifício de Cristo. Dessa forma, seu legado alcança uma dimensão redentora, conectando-se diretamente ao plano de salvação.
7. O legado espiritual para Israel e para a Igreja
- Além disso, o legado de Abraão se estende tanto à nação de Israel quanto à Igreja. Ele é reconhecido como o patriarca do povo judeu, através de quem as promessas se desenvolvem historicamente. Contudo, o Novo Testamento amplia essa compreensão, afirmando que Abraão é também pai de todos os que creem, independentemente de sua origem. A promessa de que, em sua descendência, todas as nações seriam benditas encontra seu cumprimento em Jesus Cristo, tornando seu legado universal e eterno.
8. O legado de uma vida peregrina e de esperança
- Por fim, Abraão deixa o exemplo de uma vida peregrina. Conforme descrito em Hebreus 11, ele vive como estrangeiro na terra da promessa, habitando em tendas e demonstrando desapego das coisas materiais. Sua esperança não estava apenas em Canaã, mas em uma pátria celestial, uma cidade cujo construtor e arquiteto é Deus. Esse aspecto revela que seu legado não é apenas terreno, mas profundamente escatológico, ensinando que a verdadeira esperança do povo de Deus está na eternidade. Assim, o legado de Abraão é completo e abrangente. Ele envolve obediência ao chamado divino, fé nas promessas, aprendizado através das falhas, compromisso com a aliança, vida de intercessão, confiança absoluta em Deus e esperança eterna. Mais do que um personagem histórico, Abraão se torna um modelo vivo de relacionamento com Deus, cuja influência atravessa gerações e continua a inspirar todos aqueles que desejam viver pela fé.
OBS: “A FÉ DE ABRAÃO - Abrão é uma figura bíblica bem conhecida [...]. O relato em Gênesis detalha cem anos de vida de Abraão e move-se rapidamente pelos primeiros 75 anos de eventos. O Novo Testamento apresenta Abraão de várias maneiras significativas. A íntima ligação entre o Senhor e Abraão é notada na identificação de Deus como ‘o Deus de Abraão’ em Atos 7.32 (cf. Êx 3.6). O Novo Testamento também celebra o caráter de Abraão como homem de fé que recebeu a promessa (Gl 3.9; Hb 6.15). Abraão é o mais importante exemplo de como alguém é justificado pela fé (Rm 4.1,12) e do que significa andar pela fé (Tg 2.21,23). Os que exercem fé no Deus vivo, como fez Abraão, são chamados de ‘filhos de Abraão’ (Gl 3.7). Com relação às promessas da aliança feitas a Abraão no Antigo Testamento, os escritores do Novo Testamento destacam as promessas de semente e bênção. De acordo com Paulo, a semente de Abraão é finalmente cumprida em Cristo, e os que creem em Cristo são a semente de Abraão (Gl 3.16,29). Similarmente, os que têm fé semelhante à de Abraão são abençoados (3.9). A bênção concedida a Abraão chega aos gentios por meio da redenção de Cristo e está associada à transmissão do Espírito (3.14).” (Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.20).
- “Abraão sabia que a terra prometida terrestre não seria o fim de sua jornada de fé. Antes, a promessa de Deus vai além de tudo aquilo que existe sobre a terra; trata-se da cidade celestial que Deus preparou para os seus servos fiéis. Abraão serve de exemplo para o povo de Deus, lembrando-nos de que estamos apenas viajando por este mundo a caminho da cidade de Deus e da casa que Ele preparou para nós no céu. Não devemos procurar ou esperar uma segurança absoluta na vida presente nem estar ligados a este mundo (Hb 11.14,16; 13.14). Devemos nos considerar como estrangeiros e peregrinos na terra. Esta não é a nossa pátria.” (Amplie mais o seu conhecimento, lendo a Bíblia de Estudo Pentecostal, editada pela CPAD, p.70).
IV - O LEGADO DE ISAQUE - O legado de Isaque se destaca pela continuidade das promessas divinas, pela vida de submissão e pela fidelidade silenciosa. Diferente de outras figuras patriarcais, sua trajetória não é marcada por grandes confrontos, mas por constância, confiança e preservação daquilo que Deus havia iniciado em seu pai.
1. O legado do cumprimento da promessa
- O legado de Isaque inicia-se de maneira extraordinária, sendo ele o próprio cumprimento de uma promessa divina. Seu nascimento, narrado em Gênesis 21, ocorre quando seus pais, Abraão e Sara, já estavam em idade avançada, humanamente incapazes de gerar filhos. Dessa forma, sua vida já começa como um testemunho vivo da fidelidade de Deus. O significado do seu nome, “riso”, reflete a transformação da incredulidade inicial em alegria plena, demonstrando que Deus não apenas cumpre o que promete, mas o faz de maneira que glorifica o seu poder e graça.
2. O legado da submissão e obediência - Ao crescer, Isaque evidencia um legado marcado pela submissão e obediência. No episódio do monte Moriá, ainda que o protagonismo recaia sobre Abraão, Isaque participa ativamente do momento. Ele se deixa conduzir e não oferece resistência ao ser colocado sobre o altar, revelando uma confiança profunda tanto em seu pai quanto em Deus. Essa postura demonstra um espírito ensinável e submisso, evidenciando que a fé não se manifesta apenas em grandes decisões, mas também na disposição de confiar e obedecer, mesmo quando não se compreende plenamente o que está acontecendo.
3. O legado da direção divina na vida familiar - Outro aspecto importante do legado de Isaque está na condução de sua vida familiar sob a direção divina. Em Gênesis 24, a escolha de sua esposa não é feita de forma impulsiva ou puramente emocional, mas mediante oração e busca pela vontade de Deus. Rebeca é escolhida de forma providencial, evidenciando que Deus estava diretamente envolvido nesse processo. Isaque aceita essa direção, mostrando que sua vida não era guiada por decisões independentes, mas por um propósito maior. Assim, seu casamento torna-se parte essencial da continuidade da promessa, reforçando a importância de submeter as decisões familiares à vontade de Deus.
4. O legado da continuidade da promessa - Na sequência, o legado de Isaque se consolida como herdeiro da promessa divina. Em Gênesis 26, Deus reafirma a ele as mesmas promessas feitas a Abraão, garantindo sua presença, sua bênção e a multiplicação de sua descendência. Mesmo diante de tempos difíceis, como a fome na terra, Isaque demonstra fidelidade ao permanecer onde Deus o havia instruído. Essa atitude revela confiança na provisão divina e ensina que a obediência, mesmo em circunstâncias adversas, é fundamental para experimentar o cumprimento das promessas de Deus.
5. O legado da paciência e da não-contenda - Isaque também se destaca por sua postura diante dos conflitos. Ao enfrentar disputas com os filisteus por causa dos poços, ele escolhe não entrar em contendas. Mesmo tendo seus poços tomados, prefere se retirar e cavar novos, até encontrar um lugar de paz. Essa atitude revela um caráter manso e pacificador, mostrando que nem toda disputa precisa ser enfrentada com confronto. Seu exemplo ensina que a confiança em Deus permite abrir mão de direitos imediatos, sabendo que o Senhor é quem garante o espaço e a provisão necessários.
6. O legado da prosperidade sob a bênção de Deus - Além disso, sua vida é marcada por prosperidade, mesmo em meio a circunstâncias desfavoráveis. Em um período de escassez, Isaque semeia e colhe abundantemente, tornando-se próspero de forma evidente. Essa prosperidade não passa despercebida, e até mesmo aqueles ao seu redor reconhecem que Deus está com ele. Assim, sua vida se torna um testemunho visível da bênção divina, mostrando que a verdadeira prosperidade não depende apenas das condições externas, mas da presença e do favor de Deus.
7. O legado das fraquezas humanas
- Entretanto, o legado de Isaque também inclui suas limitações e fraquezas. Em determinado momento, ele repete o erro de seu pai ao mentir sobre sua esposa, demonstrando medo e insegurança. Além disso, dentro de sua família, surgem conflitos decorrentes do favoritismo entre seus filhos, Esaú e Jacó. Esses episódios revelam que, embora participante das promessas divinas, Isaque ainda era humano e sujeito a falhas. Seu legado, portanto, também serve como alerta sobre a necessidade de vigilância e maturidade espiritual, para que erros não se perpetuem nas gerações seguintes.
8. O legado espiritual e profético - Por fim, Isaque exerce um papel fundamental na transmissão da bênção e na continuidade do plano de Deus. Ao abençoar seus filhos, mesmo em meio a circunstâncias marcadas por engano, ele participa do cumprimento do propósito divino. A bênção patriarcal não era apenas simbólica, mas carregava significado espiritual e profético, assegurando a continuidade da promessa. Dessa forma, seu legado ultrapassa sua própria vida, alcançando as gerações futuras e contribuindo para o desenvolvimento do plano redentor. Assim, o legado de Isaque é caracterizado por uma fé constante, uma vida de submissão e uma fidelidade que se manifesta na continuidade da obra iniciada por Deus. Ele nos ensina que nem sempre o impacto espiritual está nos grandes feitos visíveis, mas na perseverança silenciosa, na confiança diária e na disposição de permanecer firme no propósito divino.
V – O LEGADO DE JACÓ - O legado de Jacó é um dos mais ricos em termos de transformação espiritual. Sua vida é marcada por conflitos, erros, encontros com Deus e mudanças profundas de caráter. Diferente de Abraão e Isaque, Jacó revela de forma mais evidente o processo de Deus moldando um homem imperfeito até torná-lo instrumento do Seu propósito.
1. O legado das consequências das escolhas humanas - O legado de Jacó é marcado por um profundo processo de transformação, no qual Deus trabalha progressivamente o caráter de um homem imperfeito até conduzi-lo ao cumprimento de um propósito maior. Sua história começa em meio a conflitos familiares, especialmente com seu irmão Esaú. Em Gênesis 27, Jacó, incentivado por sua mãe, engana seu pai para receber a bênção que seria destinada ao irmão. Embora a bênção fosse parte do plano de Deus, o método utilizado foi totalmente inadequado, revelando um caráter marcado pela astúcia e pela autoconfiança. Como consequência, ele precisa fugir, deixando para trás sua família e enfrentando anos de afastamento, demonstrando que escolhas erradas geram efeitos reais, mesmo dentro do plano divino.
2. O legado do encontro com Deus (transformação inicial) - É nesse contexto de fuga e incerteza que ocorre um dos momentos mais marcantes de sua vida. Em Gênesis 28, Jacó tem uma experiência transformadora ao encontrar-se com Deus em Betel. Em um sonho, ele vê uma escada que ligava a terra ao céu, com anjos subindo e descendo, e recebe a reafirmação das promessas feitas a seus antepassados. Esse encontro representa um despertar espiritual, pois Jacó reconhece a presença de Deus e começa a desenvolver uma consciência mais profunda de sua relação com o Senhor. Ainda que sua transformação não fosse imediata, esse momento marca o início de um novo caminho em sua vida.
3. O legado do tratamento de Deus no caráter - A partir daí, Jacó entra em um longo processo de tratamento divino. Durante os anos em que viveu com Labão, ele experimentou aquilo que antes praticava: o engano. Aquele que havia enganado passa a ser enganado, aprendendo através de dificuldades, injustiças e frustrações. Esse período, descrito entre Gênesis 29 e 31, revela que Deus não transforma o homem apenas por meio de experiências espirituais pontuais, mas também através de processos contínuos. Cada situação enfrentada contribuiu para moldar seu caráter,f ensinando-lhe dependência, paciência e humildade.
4. O legado da rendição total a Deus
- O ponto decisivo dessa transformação ocorre em Gênesis 32, quando Jacó teve um encontro profundo com Deus em Peniel. Naquela ocasião, ele lutou durante a noite com um homem, que representava uma manifestação divina, e se recusou a desistir até receber uma bênção. Esse episódio simboliza sua rendição total. Como resultado, seu nome foi mudado para Israel, indicando uma nova identidade, e ele passou a mancar, carregando em seu corpo a marca daquele encontro. A partir desse momento, Jacó deixou de confiar em sua própria habilidade e passou a depender de Deus. Seu legado, então, atinge um novo nível: o da transformação verdadeira, que nasce da rendição.
5. O legado da reconciliação e restauração - Após esse encontro, Jacó segue para um momento igualmente importante: a reconciliação com seu irmão. Em Gênesis 33, ele se aproxima de Esaú com temor, humildade e atitude de arrependimento. O encontro, que poderia resultar em vingança, torna-se um momento de graça e restauração. Esaú o recebe de forma pacífica, e o relacionamento é restaurado. Esse episódio demonstra que a transformação interior de Jacó produz efeitos externos, especialmente nos relacionamentos. Seu legado, portanto, inclui não apenas a mudança pessoal, mas também a capacidade de restaurar vínculos quebrados.
6. O legado da formação de uma nação
- Com o passar do tempo, Jacó assume plenamente seu papel no plano divino como pai das doze tribos de Israel. Sua vida deixa de ser apenas uma história individual e passa a representar o início de uma nação. O que começou com a promessa feita a Abraão ganha forma concreta através de sua descendência. Assim, seu legado se amplia, alcançando dimensões históricas e espirituais, tornando-o um dos pilares da formação do povo de Deus.
7. O legado da maturidade espiritual - Na fase final de sua vida, Jacó demonstra maturidade espiritual. Ele reconhece a ação de Deus em toda sua trajetória e profere bênçãos sobre seus filhos com discernimento profético, conforme registrado em Gênesis 49. Sua visão agora não é mais limitada ao presente, mas direcionada ao futuro e ao cumprimento do plano divino. Isso evidencia que o processo de transformação foi completo, levando-o de um homem marcado pelo engano a um patriarca consciente de seu papel no propósito de Deus.
8. O legado da graça de Deus sobre o imperfeito
- Por fim, o legado de Jacó destaca de forma clara a graça divina. Ele não era perfeito; ao contrário, suas falhas são evidentes ao longo de sua história. Ainda assim, Deus o escolheu, tratou seu caráter e o transformou em instrumento de Seus planos. Isso revela que o propósito de Deus não depende da perfeição humana, mas de Sua graça e poder transformador. Assim, o legado de Jacó é a prova de que Deus trabalha na vida do homem de forma progressiva, utilizando circunstâncias, encontros e processos para moldá-lo. Sua história nos ensina que ninguém está além da transformação, que os erros podem ser corrigidos e que, quando há rendição a Deus, o fim da jornada pode ser muito diferente do início.
OBS: A GRAÇA DE DEUS - A chamada e a transformação de Jacó revelam a incomensurável graça de Deus. “Graça é o núcleo, o elemento central crítico, da obra redentora e santificadora do Deus trino detalhado em todo o cânone das Escrituras. As variadas expressões da graça estão enraizadas na pessoa e obra de Deus, de modo que a sua graça e favor demonstrados efetivamente em todos os aspectos do reino criado glorificam-no à medida que são compartilhados e desfrutados uns com os outros. A terminologia bíblica que informa a compreensão da graça define-a como um dom ou reação ou mesmo disposição favorável em relação a alguém. Graça é generosidade, gratidão e boa vontade entre os humanos e de Deus para eles. As expressões divinas da graça são amorosas, misericordiosas e eficazes. Os textos bíblicos fornecem um contexto para um entendimento mais robusto do dom divino.” (Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.229).
VI - LEGADO PATRIARCAL DISTINTO
- Ao concluirmos esta lição, percebemos que o legado de fé deixado por Abraão, Isaque e Jacó não é apenas uma sequência de histórias do passado, mas a revelação progressiva de como Deus trabalha na vida humana para cumprir Seus propósitos eternos. Em Abraão, aprendemos o início de tudo: o chamado divino e a resposta de fé. Ele nos ensina que a vida com Deus começa com obediência e confiança, mesmo quando não entendemos o caminho. Em Isaque, vemos a continuidade dessa fé, expressa em uma vida de constância, submissão e dependência de Deus, mostrando que permanecer fiel também é parte essencial do plano divino. Já em Jacó, contemplamos o processo de transformação, onde Deus molda o caráter, trata imperfeições e conduz o homem à maturidade espiritual. Assim, os três patriarcas, embora diferentes em suas experiências, se unem em um mesmo propósito: demonstrar que a fé verdadeira não é estática, mas dinâmica. Ela começa com um chamado, é sustentada pela fidelidade diária e é aperfeiçoada através dos processos de Deus. Seus legados revelam que Deus não busca pessoas perfeitas, mas corações disponíveis para confiar, obedecer e serem transformados. Além disso, aprendemos que o plano de Deus é geracional. As promessas não se limitam a uma única vida, mas se estendem às gerações seguintes. O que começou com Abraão foi preservado em Isaque e desenvolvido em Jacó, formando a base de uma nação e apontando para o cumprimento maior em Cristo. Isso nos ensina que nossa caminhada com Deus não impacta apenas o presente, mas também o futuro. Portanto, esta lição nos desafia a viver um legado semelhante. Somos chamados a responder ao chamado de Deus como Abraão, a permanecer firmes como Isaque e a permitir sermos transformados como Jacó. Dessa forma, nossa vida também se tornará um testemunho vivo da graça, da fidelidade e do poder de Deus.
CONCLUSÃO
- Que possamos compreender que o verdadeiro legado de fé não está apenas no que recebemos, mas no que transmitimos. E que, ao final de nossa jornada, possamos deixar marcas espirituais que glorifiquem a Deus e influenciem as próximas gerações a permanecerem firmes no caminho da fé.
Bibliografia
- Bíblia de Estudo Gesiel Gomes
- Bíblia Cronológica
- Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa
- Apontamentos Teológicos do autor
-hhttps://luloure.blogspot.com/2026/06/o-legado-de-fe-de-abraao-isaque-e--- jaco.htmlttps://www.estudantesdabiblia.com.br/licoes_cpad/2017/2017-02-05.htm
- Luciano de Paula Lourenço – EBD/IEADTC
- Disponível em: https://luloure.blogspot.com/
- Referências Bibliográficas:
- Bíblia de Estudo Pentecostal.
- Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
- Bíblia de Estudo – Palavras Chave – Hebraico e Grego. CPAD
- William Macdonald. Comentário Bíblico popular (Antigo e Novo Testamento).
- Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal. CPAD.
- Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. CPAD.
- Dicionário VINE.CPAD.
- O Novo Dicionário da Bíblia. VIDA NOVA.
- Pr. Hernandes Dias Lopes. Gênesis. HAGNO.
- Teologia do Antigo Testamento – ROY B. ZUCK.
- Comentário Bíblico Beacon – CPAD.
- Paul Hoff. O Pentateuco.
- Bruce K. Waltke. Genesis. Editora Cultura Cristã.
- Victor P. Hamilton. Manuel do Pentateuco. CPAD.
- Eugene H. Merrill. História de Israel no Antigo Testamento. CPAD.
- Dicionário Bíblico Wyclife. CPAD.
- WIERSBE, Warren W. Comentário bíblico expositivo, vol. 1, 2006.
- BRÄUMER, Hansjörg. Genesis, vol. 2, 2016.
- WALTKE, Bruce K. Genesis, 2010.
Comentário: Pastor Josaphat Batista – Pr. Presidente da Assembleia de Deus em Mundo Novo-Ba. Pós-graduado em Docência do Ensino Superior - Bacharel em Teologia convalidado pelo MEC – Pós-Graduando em História, Membro da academia Pré-Militar (ACPMB) – Pós-Graduando Ciências da Religião (Famart) – Juiz de Paz (CONAJ), Graduando História (Facuminas), Formação da Alfabetização da Língua Grega (Koiné), DIRETOR do CTEC VIDA CRISTÃ (Centro Teológico de Educação e Cultura), Autor do livro 1000 Esboços Bíblico para Sermões – Autor da Revista de Estudo Bíblico acerca de João Batista – Autor da Revista acerca de Absalão, Autor do Livro Evidências Reais do Apocalípse - Autor do Livro Escatologia Bíblica Panorâmica, Conferencista, Seminaristas, Escritor e fundador dos Congressos EBD no Campo de Camaçari-Ba. - Aproveite e estude cursos gratuitos no CTECVIDACRISTA.COM e comentários anteriores das Lições Bíblicas EBD. Ver outros comentários (anteriores) do trimestre em vigor no Site: www.portalebd.org
COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - PR. JOSAPHAT BATISTA