ASSEMBLEIA DE DEUS - IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM PERNAMBUCO
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SEGUNDO TRIMESTRE DE 2025
Adultos - HOMENS DOS QUAIS O MUNDO NÃO ERA DIGNO: O legado de Abraão, Isaque e Jacó
COMENTARISTA: Elinaldo Renovato de Lima
COMENTÁRIO: SUPERINTENDÊNCIA DAS EBD'S DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS EM PERNAMBUCO

LIÇÃO Nº 13 – O LEGADO DE FÉ DE ABRAÃO, ISAQUE E JACÓ
INTRODUÇÃO
Nesta última lição, veremos o significado do termo “legado” e explicaremos o legado que cada um deles nos deixou: Abraão, como exemplo de fé, comunhão e obediência; Isaque, como modelo de oração, diplomacia e perseverança; e, Jacó, como um homem de compromisso com Deus, perseverança espiritual e que busca a reconciliação como irmão ofendido.
I – DEFINIÇÃO
O dicionarista Houass (2001, p. 1735) define o termo “legado” como “o que é transmitido às gerações que se seguem”. Já o dicionário Aurélio define o mesmo termo como “aquilo que alguém transmite a outrem, a outra geração ou sua posteridade” (Holanda, 2004, p. 1190). Podemos dizer, então, que “legado” é tudo aquilo que uma pessoa deixa para as gerações futuras, através de sua vida, exemplos, ensinamentos, valores, obras ou influência. Na Bíblia, o legado está muito ligado ao testemunho de vida. Ele pode ser espiritual, moral, familiar, cultural ou ministerial.
II – O LEGADO DE ABRAÃO
Abraão é um dos personagens mais marcantes da história bíblica. Ele foi chamado por Deus para ser o pai dos judeus, povo de onde viria o Messias (Gn 12.1-3). Sua vida de fé, obediência e intimidade com Deus, fez com que ele alcançasse, não só o título de “pai dos judeus” (Jo 8.39,53) e “pai da fé” (Rm 4.11; Gl 3.7) como também, se tornasse o único personagem da Bíblia denominado de “amigo de Deus” (Is 41.8; Tg 2.23). Vejamos o legado que ele nos deixou:
2.1 O legado da fé. A fé de Abraão é um dos maiores exemplos de confiança e obediência a Deus encontrados nas Escrituras. Por isso, ele é chamado de “pai da fé” (Rm 4.11-12). “O legado de fé deixado por Abraão não foi só para a sua descendência. Foi para Israel e para a Igreja de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. O capítulo 11 de Hebreus é considerado o texto dos ‘Heróis da Fé’ e dedica espaço especial ao patriarca depois de destacar os exemplos de Abel, Enoque e Noé, que foram expoentes da fé, no relacionamento com Deus, bem como entre outros de igual valor espiritual, como foram Sara, a sua esposa, Isaque, José, Moisés, Raabe, Gideào, Sansão, Jefté, Davi e Samuel (Hb 11.4-40)” (Renovato, 2026, p. 151).
2.2 O legado da comunhão. Uma das marcas mais importantes de sua caminhada com Deus foi a construção de altares. Sempre que recebia uma promessa, experimentava uma intervenção divina ou chegava a um novo lugar, Abraão edificava um altar ao Senhor como sinal de gratidão, comunhão e consagração (Gn 12.6-8; 13.3,4,14-18). “Os altares eram utilizados em muitas religiões, mas, para o povo de Deus, eles significavam muito mais do que locais para sacrifícios simbolizavam comunhão com Deus e a comemoração de notáveis encontros com Ele. Feito de rochas firmes e terra, os altares permaneciam em seus lugares durante muitos anos como um contínuo lembrete da proteção e promessas de Deus. Abrão construía regularmente altares a Deus com dois propósitos: (1) para oração e adoração, e (2) como lembrança das promessas das bênçãos de Deus” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, 1995, p. 22).
2.3 O legado da obediência. O maior teste da fé de Abraão aconteceu quando Deus pediu que ele oferecesse Isaque em sacrifício (Gn 22.1-2). Isaque era o filho da promessa, o cumprimento daquilo que Abraão esperou durante tantos anos. Ainda assim, Abraão obedeceu sem questionar, confiando plenamente que Deus poderia até ressuscitar seu filho, se fosse necessário (Hb 11.17-19). Sua disposição em entregar aquilo que tinha de mais precioso demonstra uma fé madura, marcada por amor, submissão e confiança absoluta em Deus. “As Escrituras dizem que Abraão foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque (Tg 2.21). Abraão manifestou-se em sincera obediência a Deus (Gn 15.6)” (Stamps, 1995, p. 64).
III – O LEGADO DE ISAQUE
Isaque foi o filho da promessa, nascido quando Abraão e Sara já estavam avançados em idade, demonstrando que nada é impossível para Deus (Gn 21.1-3). Isaque cultivava uma vida de meditação e comunhão com Deus (Gn 24.63). Aos quarenta anos casou-se com Rebeca (Gn 24.67; 25.20), e gerou a Esaú e Jacó (Gn 25.19-27). Vejamos o legado que ele nos deixou.
3.1 O legado da oração. A vida de Isaque ensina que homens de oração não são conhecidos apenas por palavras, mas pela confiança constante em Deus. Ao menos em duas ocasiões a Bíblia revela que Isaque era um homem de oração. A primeira, quando o servo de Abraão foi buscar uma esposa para ele. Quando o servo vinha com Rebeca, Moisés afirma que “Isaque saíra a orar no campo, sobre a tarde; e levantou os olhos, e olhou e eis que os camelos vinham” (Gn 24.63). Ele estava esperando a sua amada esposa em oração! Outro momento importante aconteceu quando Rebeca era estéril. A Bíblia afirma que Isaque orou insistentemente ao Senhor por sua esposa, e Deus respondeu à sua oração, concedendo-lhe filhos (Gn 25.20,21). Esse episódio revela não apenas sua fé, mas também sua perseverança, pois Isaque esperou muitos anos até ver a promessa se cumprir. Sua atitude demonstra que ele entendia que somente Deus poderia transformar situações impossíveis.
3.2 O legado da pacificação. Em Gênesis 26.15-25, Isaque é apresentado como um verdadeiro exemplo de pacificador. Depois da morte de Abraão, os filisteus começaram a invejá-lo por causa de sua prosperidade e decidiram entulhar os poços que haviam sido cavados nos dias de seu pai (Gn 26.15). Além disso, Abimeleque pediu que Isaque se retirasse daquela região, pois havia se tornado mais poderoso do que eles (Gn 26.16). Mesmo diante da injustiça e da hostilidade, Isaque não reagiu com violência nem procurou vingança. Ele simplesmente partiu e continuou sua jornada. “Por três vezes Isaque e seus homens cavaram novos poços. Quando as duas primeiras disputas surgiram, Isaque partiu. Finalmente, houve espaço suficiente para todos. Ao invés de dar início a um grande conflito, Isaque comprometeu-se com a paz” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, 1995, p. 46).
3.3 O legado da perseverança. Ao chegar ao vale de Gerar, Isaque reabriu os poços cavados por Abraão, mas os pastores daquela região começaram a contender com seus servos, alegando posse sobre as águas (Gn 26.17-20). Em vez de alimentar o conflito, Isaque preferiu cavar outros poços. O primeiro poço recebeu o nome de Eseque, que significa “contenda”. Depois, cavaram outro poço, e novamente houve discussão; por isso, chamou-o Sitna, que significa “inimizade” ou “acusação” (Gn 26.21). Mais uma vez, Isaque evitou a guerra e decidiu seguir adiante. Somente no terceiro poço não houve disputa. Então Isaque o chamou Reobote, dizendo: “Porque agora nos alargou o Senhor, e crescemos nesta terra” (Gn 26.22). Essa atitude revela que Isaque confiava mais na provisão de Deus do que na força humana. Ele entendia que Deus poderia abrir novos caminhos sem necessidade de brigas ou violência. A vida de Isaque mostra que, além de um diplomata e pacificador, ele era perseverante. Sua perseverança em cavar outros poços abriu espaço para que a bênção divina continuasse sobre sua vida.
IV – O LEGADO DE JACÓ
Jacó é um dos personagens mais importantes das Escrituras, pois dele surgiram as doze tribos de Israel, formando a nação escolhida por Deus (Gn 35.10-12; 49.28). Sua trajetória foi marcada por lutas, falhas, amadurecimento espiritual e profundas experiências com o Senhor. Embora tenha começado sua história agindo de forma impulsiva e enganadora, sua vida foi transformada pelo agir divino, tornando-se exemplo de perseverança e dependência de Deus. Sua vida demonstra que a graça de Deus pode transformar o caráter humano e cumprir Seus propósitos apesar das fraquezas do homem. Assim, Jacó deixou um legado de perseverança, transformação e fé nas promessas divinas.
4.1 O legado do propósito com Deus. Em Betel, quando ele estava fugindo da presença de seu irmão Esaú, deitou-se e teve um sonho onde ele viu uma escada que ia até o céu, e Deus estava no topo e lhe fez grandes promessas (Gn 28.13-15). Ao acordar, Jacó prometeu ao Senhor que se Ele o abençoasse, o Senhor seria o seu Deus e ele lhe daria o dízimo de tudo (Gn 28.20-22). “Naturalmente, o Deus de seus pais já era o seu Deus; mas ele quis, em seu voto, confirmar que sempre serviria e adoraria ao Senhor [...] O que teria movido o coração de Jacó para que ele incluísse o desejo de dar o dízimo ‘de tudo’? Sem dúvida alguma, ele tinha conhecimento desse importante assunto, que se inclui entre os ensinos e as práticas orientadas por Deus em toda a Bíblia. Ele deve ter ouvido que seu avô, Abraão, teria dado ‘o dízimo de tudo’ a Melquisedeque, quando retornava da guerra (Gn 14.12-20)” (Renovato, 2026, p. 120).
4.2 O legado da perseverança espiritual. O texto de Gn 32.22-32 revela uma das experiências mais profundas da vida de Jacó. Naquela noite, às margens do vau de Jaboque, Jacó teve um encontro transformador com Deus. A Bíblia afirma que “um homem lutou com ele até a alva subir” (Gn 32.24). Essa luta não foi apenas física, mas espiritual. Jacó agarrou-se com o anjo do Senhor e lhe disse: “Não te deixarei ir, se me não abençoares” (Gn 32.26). A perseverança de Jacó demonstra uma fé intensa e determinada. Sua insistência não era rebeldia, mas reconhecimento de que somente o Senhor poderia mudar sua vida e seu destino. “O varão que lutou com Jacó era provavelmente o anjo do Senhor (Gn 16.7; 21.17; 22.11; 31.11; Os 12.4), o qual é frequentemente identificado com o próprio Deus (Gn 28,30; Jz 6.12-14,22; Êx 3.2). Enquanto Jacó lutava desesperadamente com Deus para obter a bênção prometida, Deus o deixou prevalecer (v. 28), porém feriu a coxa de Jacó (v. 25), como lembrança de que este não devia doravante andar na sua própria força, mas, confiar inteiramente em Deus e andar na dependência dEle (vv. 30-32)” (Stamps, 1995, p. 84,85).
4.3 O legado da reconciliação. O capítulo 33 do Gênesis apresenta Jacó como um homem disposto a buscar reconciliação. Depois de muitos anos distante de Esaú, seu irmão, Jacó retorna à terra de Canaã carregando consigo o peso do passado. Vinte anos antes, ele havia enganado Esaú e tomado a bênção da primogenitura, provocando grande mágoa e desejo de vingança (Gn 27.41). Agora, ao saber que Esaú vinha ao seu encontro com quatrocentos homens, Jacó teme pelas consequências de seus antigos erros (Gn 32.6,7). Contudo, em vez de fugir novamente, ele decide enfrentar a situação e buscar a paz. Jacó demonstra humildade desde o início do encontro. Ao aproximar-se de Esaú, inclinou-se à terra sete vezes até chegar perto do irmão (Gn 33.3). A atitude de Jacó revela um coração quebrantado, diferente daquele homem astuto e enganador do passado. O encontro foi marcado pela graça e pela restauração. Esaú correu ao encontro de Jacó, abraçou-o, lançou-se sobre o seu pescoço e os dois choraram juntos (Gn 33.4). O ódio que parecia impossível de ser removido foi vencido pelo perdão e pela reconciliação.
CONCLUSÃO
Como pudemos ver, a vida dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó “homens dos quais o mundo não era digno...” (Hb 11.38) nos deixou um grande legado de fé, comunhão, obediência, perseverança, diplomacia, reconciliação, além de outros. Seus exemplos de vida e de comunhão com Deus, deixaram um grande legado não apenas para os hebreus, mas, também, para cada um de nós!
REFERÊNCIAS
• Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. CPAD.
• HOFF, Paul. O Pentateuco. VIDA.
• HENRY, Matthew. Comentário Bíblico. CPAD.
• RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o mundo não era digno: O legado de Abraão, Isaque e Jacó. CPAD.
• STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Fonte: https://redebrasiloficial.com.br/licao_ebd.php Acesso em 23 de Jun de 2026