Lição 7 - Uma prova de fé: a entrega de Isaque VI

Imprimir

ASSEMBLEIA DE DEUS TRADICIONAL NO AMAZONAS

PORTAL ESCOLA DOMINICAL

SEGUNDO TRIMESTRE DE 2025

Adultos - HOMENS DOS QUAIS O MUNDO NÃO ERA DIGNO: O legado de Abraão, Isaque e Jacó

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato de Lima

COMENTÁRIO: EV. ANTONIO VITOR DE LIMA BORBA

LIÇÃO Nº 7 – UMA PROVA DE FÉ: A ENTREGA DE ISAQUE

A lição desta semana destaca um dos episódios bíblicos mais emblemáticos da Bíblia. Deus ordenou que Seu servo Abraão se deslocasse à terra de Moriá para oferecer ali um holocausto no local escolhido pelo próprio Deus (Gn 22.1,2). Há, porém, um detalhe intrigante neste holocausto: o sacrifício seria o próprio Isaque, o filho da promessa que o patriarca havia esperado tanto tempo para ver nascer. O que Deus havia pedido a Seu servo colocava à prova os anos de fé e relacionamento que Abraão havia construído com Deus. Por qual razão o Criador pediria a entrega em holocausto do filho que havia prometido a Seu servo a tantos anos? A situação por si só já desencadearia uma crise existencial na relação do patriarca com Deus.

O Objetivo deste comentário é contribuir para o preparo de sua aula, e apresentar um subsídio a parte da revista, trazendo um conteúdo extra ao seu estudo. Que Deus nos ajude no decorrer desta maravilhosa lição.

ABRAÃO TEM A SUA FÉ PROVADA

Aqui está retratada uma das experiências mais tremendas registradas em Gênesis. Toca às raias mais profundas da certeza que o crente tem de que o Deus que promete é fiel, ainda que dê ordens para destruir a prova de que suas promessas estão sendo cumpridas. Abraão se manteria fiel a Deus embora seu mais precioso tesouro na terra fosse eliminado?

O que devemos levar em conta é que o filho a tanto tempo esperado, como vimos nas lições anteriores, agora estava sendo pedido em sacrifício. Na mente de Abraão, o tempo de Isaque estaria terminando, pois o Deus que o deu agora o pede de volta. Contudo, o propósito divino era confirmar o tamanho e a qualidade da fé de Abraão.

Deus quis provar a Abraão até o extremo de sua fé. Depois de ter vivido experiências dolorosas, como ter despedido seu filho primogênito, Ismael, com Agar, sua mãe, e vê-los sair errantes para o deserto, levando apenas um odre de água e um pão, sem nenhum meio de transporte, nem mesmo um jumento, Abraão foi surpreendido com a voz de Deus, mandando que tomasse seu filho único, e o levasse para uma montanha a ser designada por Deus, e o sacrificasse em holocausto.

É fato lembrar que os sacrifícios humanos nunca estiveram dentro do propósito divino, contudo, o pedido aqui feito foi objetivado para destacar a fé daquele que foi escolhido para ser o pai de uma grande nação, e também veio destacar e apontar para um sacrifício maior e perfeito, a ser realizado no futuro.

Nunca estamos a salvo das provas. "Tentar" e "provar" no idioma hebraico são expressos com a mesma palavra. Toda prova é, sem dúvida, uma tentação, e tende a mostrar se nossas disposições são santas ou ímpias. Porém, Deus provou a Abraão, não para levá-lo ao pecado, como tenta Satanás. A fé firme costuma ser exercitada através de grandes provas, e quando lhe são feitos pedidos difíceis de serem cumpridos.

Destaque

Imagine Abraão ter esperado tanto tempo para viver uma promessa e justamente agora, que ele está feliz com seu cumprimento, o Autor da promessa lhe pede para dar fim a ela. Nesse caso, a desconfiança de Abraão colocaria em dúvida o caráter do próprio Deus, Sua fidelidade, soberania e justiça. Mas, em vez de reclamar, questionar ou desconfiar, Abraão se levanta cedo com seu filho, arruma o jumentinho e vai para o local instruído por Deus para oferecer o menino em sacrifício. A obediência do patriarca evidencia que ele não perdeu a fé no poder de Deus, nem duvidou do Seu caráter santo.

A PROMESSA CONFIRMADA

A ordem para que oferecesse o seu filho em sacrifício dá-se em uma linguagem que faz com que a prova seja ainda mais penosa; aqui, cada palavra é uma espada. Observe - Primeiro: A pessoa que deveria ser sacrificada: "Toma agora o teu filho”; não os touros, nem os cordeiros nem um servo. Qual não teria sido a satisfação de Abraão, se pudesse oferecer o seu rebanho inteiro, ao invés de Isaque! "O teu único filho, Isaque, a quem amas". Segundo: O lugar ficava a três dias de viagem. Portanto, Abraão teve tempo suficiente para pensar no assunto e decidiu obedecer deliberadamente; Terceiro: A maneira - oferecê-lo em holocausto; não somente matá-lo, mas fazê-lo com toda aquela pompa e cerimónia solene, com que costumava oferecer os seus holocaustos.

O mais impactante é que mesmo tendo a opção de negá-lo, e Abraão teve tempo suficiente para isso, o que vemos são ações de fé a todo momento. A expressão “ficai-vos aqui com o jumento, e eu e o moço iremos até ali; e, havendo adorado, tornaremos a vós” (Gn 22.5), destaca que a todo o momento a fé do patriarca estava sendo revelada.

O sacrifício de Abraão foi aceito, não por causa da execução de Isaque, mas por sua devoção a Deus. O sacrifício aqui não era o assassinato do menino, mas sim o depósito da fé mesmo em uma condição adversa. Tal atitude fez com que a promessa fosse mais uma vez renovada diante de ambos (Gn 22.15-18).

Destaque

Em sua onisciência, Deus já sabia que Abraão iria passar pelo maior teste de sua vida. Ele não interferiu na decisão dele. [...] Tal atitude agradou a Deus profundamente. Mesmo que ele fosse pai de muitos filhos, seria muito doloroso e traumático oferecer um filho para ser sacrificado a Deus. Mas Abraão se dispôs a obedecer a Deus, e agiu por fé, crendo que o Senhor poderia “até dos mortos o ressuscitar” (Hb 11.18). Deus age ou reage em função da fé e da atitude de seus servos.

ABRAÃO OFERECEU SEU ÚNICO FILHO

Abraão dispõe a lenha para a pira fúnebre de seu Isaque e, em seguida, dá-lhe a surpreendente notícia: Isaque, tu és o cordeiro que Deus preparou! Sem dúvida alguma, Abraão o consola com as mesmas esperanças com que ele mesmo foi consolado pela fé. Não obstante, é necessário que o sacrifício seja amarrado. O Grande Sacrifício que, na plenitude dos tempos ia ser oferecido, deveria ser amarrado, e assim o foi Isaque. Feito isto, Abraão toma o cutelo e estende a sua mão para dar o golpe fatal. Eis aqui um espetáculo de fé e obediência para Deus, para os anjos e para os homens. Deus, por sua providência, às vezes nos chama a nos separarmos de um Isaque, e devemos fazê-lo com alegre submissão à sua santa vontade (1 Sm 3.18).

Destacamos também que a lição de fé fora absorvida por Isaque, que em nenhum momento lutou pela sua vida, pelo contrário, deixou ser amarrado e acreditava até o último momento que ele era a oferta a ser entregue a Deus.

Não era a intenção de Deus que Isaque fosse realmente sacrificado, ainda que, no tempo oportuno, seria derramado por causa do pecado um sangue muito mais nobre do que o dos animais, o sangue do Unigênito Filho de Deus. Porém, até então, Deus jamais havia utilizado, em outro caso, sacrifícios humanos. Foi providenciado um outro sacrifício. Este teve alguma referência ao Messias prometido, a Semente bendita. Cristo foi sacrificado em nosso lugar, como este carneiro o foi no lugar de Isaque, e a sua morte foi a nossa expiação. Observe que o templo, que era o lugar dos sacrifícios, foi posteriormente construído no mesmo monte Moriá; e estava localizado nas proximidades do Calvário, onde Cristo foi crucificado.

O teste de Abraão era um dos mais severos que poderia acontecer ao patriarca. Ele superou e muito a dor de ter que enviar Ismael embora, tendo em vista que no caso de Ismael o próprio Deus o falou o que aconteceria.

O amor de Abraão por Deus foi ameaçado por um amor paternal e profundamente enraizado por Isaque. Este filho era a prova que Deus cumpriu suas promessas e o meio físico pelo qual viria a posteridade. Abraão tinha mesmo de ser testado se amava Deus acima de tudo em tal situação concreta, para que não houvesse mistura de lealdades. A recompensa por ter passado na prova foi o retorno do filho da beira da sepultura. Nesta experiência, Deus renovou as promessas relativas à multiplicação da semente de Abraão, seu poder sobre os inimigos e seu papel como canal de bênçãos para todas as nações da terra.

Destaque

O exemplo de Abraão traz luz ao modelo de fé e relacionamento para o qual somos chamados a construir na presença de Deus. Na trajetória cristã, também passamos por experiências que colocam nossa fé à prova. Assim como Abraão, não devemos esmorecer, mas perseverar. E o grande ato de fé que Deus espera de nós é que não coloquemos em dúvida Seu caráter santo. Ele é fiel e justo, independentemente do que aconteça (2Tm 2.13)!

COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - EV. ANTONIO VITOR LIMA BORBA