ASSEMBLEIA DE DEUS - IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM PERNAMBUCO
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
SEGUNDO TRIMESTRE DE 2025
Adultos - HOMENS DOS QUAIS O MUNDO NÃO ERA DIGNO: O legado de Abraão, Isaque e Jacó
COMENTARISTA: Elinaldo Renovato de Lima
COMENTÁRIO: SUPERINTENDÊNCIA DAS EBD'S DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS EM PERNAMBUCO

LIÇÃO Nº 4 – A CONFIRMAÇÃO DE UMA PROMESSA
INTRODUÇÃO
Nesta lição estudaremos sobre a confirmação da promessa de Deus na vida de Abraão. Veremos por que a mudança do nome foi um sinal utilizado por Deus para confirmar a Sua promessa. Analisaremos que Abrão viveu em uma época denominada “Dispensação da Promessa” e, por fim, destacaremos a aliança de Deus com Abraão que estava baseada em muitas promessas, dentre as quais, estão Cristo e a igreja.
I – A FORÇA DO NOME NA CULTURA HEBRAICA
A relevância dada ao nome nas culturas antigas não é a mesma de hoje. Em nossa cultura, o nome de uma criança é escolhido conforme a moda, a combinação ou ao quanto seja agradável aos ouvidos. Nos tempos dos patriarcas, um nome era dado considerando condições, circunstâncias, eventos específicos e, até mesmo, o desejo de que a criança vivesse o significado empregado no seu nome. Para entendermos o porquê a confirmação da promessa de Deus a Abrão tem como sinal a mudança do seu nome, precisamos compreender a importância que Deus e os povos antigos davam ao nome de alguém.
1.1 Nome. A palavra “nome” do hebraico “shem” ocorre diversas vezes na Escritura. No Antigo Testamento o nome pode carregar a memória ou a menção de algo ou alguém. “Originalmente, o termo hebraico shem significava “sinal” ou “senha”, de tal modo que o nome era um meio de identificação de uma pessoa ou coisa. Assim, um nome era um sinal da linguagem que embojava em si mesmo o sentido específico da pessoa ou coisa nomeada, ou seja, o nome servia de comentário breve sobre o indivíduo, na esperança de que ele viveria à altura das expectações envolvidas no seu nome” (Champlin, 2013, p. 516). O nome era visto como um sinal, senha ou comentário. Mudar o nome de Abrão era refazer sua própria história ou mudar as expectativas em torno dela.
1.2 Significados e usos dos nomes. Muitos nomes na Escritura foram dados ou mudados por ocasião de algum acontecimento relevante. A Escritura confere grande importância aos nomes. Vejamos algumas motivações para determinados nomes:
• Eventos marcantes no nascimento da criança lhe determinava seu nome. Foi o caso de Jacó, que significa “usurpador” (Gn 27.36); Benoni, “filho da minha dor”, sempre que alguém o chamasse, seria remetido ao acontecimento do parto (Gn 35.18); Icabô, “foi-se a glória de Israel” (1Sm 4.21,22); Jabez, “dor ou tristeza” (1Cr 4.9).
• Características físicas também determinavam o nome. Esaú, “cabeludo” (Gn 25.25); Edom, “vermelho” (Gn 25.25,30); Labão, “branco”, provável referência à pele ou cabelo (Gn 24.29); Coré, “calvo” aponta para uma característica física marcante (Nm 16.1).
• Exaltar o nome de Deus. Maalalel, “louvor a Deus” (Gn 5.12); Elioenai “meus olhos voltam-se para Yahweh” (1Cr
3.23); Josué, “Yahweh é salvação” (Js 1.1); Israel, “príncipe de Deus” (Gn 32.28).
• Exaltar divindades pagãs. Baal-Hanã significa “baal é gracioso” (Gn 36.38); Esbaal “homem de baaal” ou “baal existe”, nome do filho mais novo de Saul que evidencia a influência do paganismo sobre o rei de Israel (1Cr 8.33); Zorobabel, “nascido na Babilônia” (Ed 3.8-10).
1.3 O nome Abrão. Abrão recebe esse nome de seus pais que eram idólatras (Js 24.2). Não seria absurdo presumir, considerando a vida pagã da sua parentela, que esse nome reverenciasse a alguma das divindades do panteão Caldaico. Segundo o Pastor Elienai Cabral: “o nome original ‘Abrão’ (Gn 11.26) significava ‘pai elevado’ ou ‘pai das alturas’ [...] Seu nome ‘Abrão’ tinha relação com o paganismo de seu pai Terá” (2002, p. 19). Quanto à sua vida pregressa: “Lemos no livro de Josué que, nessa época, em Ur dos Caldeus, Abrão adorava outros deuses, e ele era um astrólogo, por assim dizer. Segundo a tradição interpretativa dos rabinos, a palavra “Abrão” significa “pai elevado”, ou “pai que olha para cima”, o que sugere que Abrão ficava olhando as estrelas para tentar adivinhar o futuro. Assim, podemos presumir que ele era um pagão, quando Deus lhe apareceu” (Nicodemus, 2023, p. 24). Quando Deus muda o nome de Abrão, estava desfazendo seu vínculo com o paganismo e mudando os comentários ao seu respeito. Não seria mais atrelado à qualquer atividade da sua vida antiga, mas serviria ao Deus Todo Poderoso (Gn 17.1) e seria chamado de pai de multidões ainda quando tinha apenas um filho (Gn 16.15). Esses são os passos de fé do patriarca Abraão.
II – A DISPENSAÇÃO PATRIARCAL
2.1 Dispensação. Conforme o teólogo e escritor Scofield, é “um período de tempo durante o qual os homens são testados quanto à sua obediência a alguma revelação específica da vontade de Deus” ou ainda, conforme o Pastor Claudionor de Andrade: “Período de tempo no qual Deus se revela de modo distinto e particular ao ser humano” (1998, p. 124). De modo geral, considera-se sete dispensações: (a) Inocência; (b) Consciência; (c) Governo humano; (d) Promessa; (e) Lei; (f) Graça; (g) Milênio (Champlin, 2013, p. 187). Em todos esses períodos da história o homem foi salvo pela graça por meio da fé (Gn 6.8; 15.6; Sl 32.1,2; Hc 2.4; Gl 2.16; Ef 2.8). Por isso, “As dispensações [...] têm de ser vistas como etapas da revelação de Deus, e não como modos distintos de o homem se salvar. Pois só há um único meio de nos salvarmos: aceitar integralmente a graça que nos oferece o Senhor. Em todas as dispensações, a graça sempre foi abundantemente dispensada” (Champlin, 2013, p. 187).
2.2 Dispensação Patriarcal. Até a instituição da lei e formação da nação de Israel, Deus não fez alianças com nações, mas com indivíduos específicos. Abraão viveu num período denominado de “Dispensação Patriarcal”, porque foi uma época em que a liderança espiritual estava concentrada no chefe de família, o patriarca (Gn 18.19). “A Dispensação Patriarcal representa o período de tempo no qual Deus deu a Abraão as várias porções da aliança que leva seu nome, e os anos nos quais ele e sua descendência viviam exclusivamente debaixo da mesma”. Também é conhecida como “Dispensação da Promessa” porque “teve início com a aliança de Deus com Abraão” (Olson 1981, p. 64). Ela durou aproximadamente 430 anos, desde a chamada de Abraão até a saída de Israel do Egito (Gl 3.17; Êx 12.40; Hb 11.9,13).
2.3 Abraão, um modelo de fé. Mesmo antes da revelação especial de Cristo, a salvação nunca foi por obras, mas por fé, pois está escrito que por ela Abel, Enoque, Noé, Abraão, Isaque, Jacó, José e todos os demais alcançaram aceitação diante de Deus (Hb 11.1-40). O escritor aos Hebreus, na denominada “galeria dos heróis da fé”, indica que todos esses foram modelos de fé cada qual em seu tempo (dispensação). Abraão, contudo, foi escolhido para ser um modelo de fé para a sua dispensação e para as próximas (Rm 4.16,17; Gl 3.7,9,14,16,29). Deus exigiu que Ele andasse em Sua presença e fosse perfeito (Gn 17.1), assim como exigiria de Israel o mesmo padrão de fé para que fosse modelo para as demais nações (Êx 19.5,6).
III – A ALIANÇA ABRAÂMICA
Depois da sua primeira chamada em Ur dos Caldeus (At 7.2,3), Deus apareceu ainda sete vezes a Abraão (Gn 12.13,7; 13.14-17; 15.1-21; 17.1-21; 18.1-33; 22.1-18). O Senhor renovou o velho patriarca diversas vezes reafirmando as suas promessas. Mas, como vimos, é na aparição registrada em Gênesis 17 que Deus confirma sua promessa deixando um sinal indelével: a mudança do seu nome e do nome de sua esposa (Gn 17.5-8). As promessas de Deus a Abraão foram muitas, elas se cumpririam no seu presente, no seu futuro e abrangeria sua descendência tanto na carne quanto na fé.
3.1 Promessas a Abraão cumpridas no seu presente. (a) Deus prometeu abençoá-lo (Gn 12.2); (b) fazer dele uma bênção; (Gn 12.2); (c) ser benigno com quem o fizesse bem a Abraão e mal a quem o fizesse mal (Gn 12.3); (d) lhe entregar Canaã (Gn 13.5); (e) ser seu escudo e galardão (Gn 15.1); e (f) ser o seu Deus (Gn 17.7).
3.2 Promessas a Abraão cumpridas no seu futuro. (a) fazer grande o seu nome (Gn 12.2); (b) fazê-lo grandemente frutífero como as estrelas do céu e a areia do mar (Gn 13.16; 15.5; Rm 4.16-25); (c) fazê-lo pai de uma grande nação (Gn 12.2; 18.18); (d) ser progenitor de reis (Gn 17.6); (e) pai de muitas nações (Gn 17.4); e (f) fazê-lo uma benção a todas as famílias da terra (Gn 12.2,3; 18.18).
3.3 Promessas para os herdeiros de Abraão por Isaque. (a) a possessão da terra de Canaã (Gn 12.7; 13.14; 15.18-21; 17.7,8) Yahweh seria o seu Deus (Gn 17.8); possuir a porta dos seus inimigos (Gn 22.17); um descendente (semente) que seria a razão das bençãos a todas as famílias da terra, esse descendente é Cristo (Gn 22.18; Gl 3.16; Gn 3.15).
3.4 Promessas para os herdeiros de Abraão por Ismael. Uma descendência incontável de Ismael (Gn 16.10); os ismaelitas se tornariam uma grande nação (Gn 21.13); repleta de príncipes (Gn 17.20).
3.5. Promessas para os herdeiros de Abraão na fé. (a) herança das promessas de Abraão em Cristo (Gl 3.29); (b) entrada na descendência espiritual de Abraão (Gl 3.7); (c) participação na promessa da salvação para todas as nações (Gn 12.3); (d) a justificação que é uma bênção de Abraão porque ela é feita por meio de Jesus (Rm 3.24 5.1), que é descendente de Abraão (Mt 1.1; Gl 3.16); (e) o recebimento do Espírito Santo (Gl 3.14b); a nova pátria (Hb 11.16). CONCLUSÃO
Mudar o nome de alguém é mudar a sua própria história. Deus continua mudando nomes, mudando histórias. Até nisso somos filhos de Abraão, na fé, pois ele foi o primeiro personagem bíblico a ter o seu nome mudado. Ter o nome mudado é ter o presente e o futuro redirecionados para a glória de Deus. Ele foi chamado para ser exemplo de fé em sua época, para ensinar sua família e receber promessas que se cumpriram, estão se cumprindo e ainda hão de se cumprir. Deus é fiel!
REFERÊNCIAS
• ANDRADE, Claudionor. Dicionário Teológico. CPAD.
• CABRAL, Elienai. Abraão: As experiências de nosso pai na fé. CPAD.
• CHAMPLIN, Russell. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Vol. 4. Hagnos.
• NICODEMUS, Augustus. Abraão o pai da fé. Vida Nova.
• OLSON, Lawrence. O Plano Divino Através dos Séculos. CPAD.
• STAMPS, Donald. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD.
Fonte: https://redebrasiloficial.com.br/licao_ebd.php Acesso em 19 de Abr de 2026