ASSEMBLEIA DE DEUS TRADICIONAL NO AMAZONAS
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
SEGUNDO TRIMESTRE DE 2025
Adultos - HOMENS DOS QUAIS O MUNDO NÃO ERA DIGNO: O legado de Abraão, Isaque e Jacó
COMENTARISTA: Elinaldo Renovato de Lima
COMENTÁRIO: EV. ANTONIO VITOR DE LIMA BORBA

LIÇÃO Nº 3 – A IMPACIÊNCIA NA ESPERA DO CUMPRIMENTO DA PROMESSA
Deus tem Seus próprios caminhos para fazer valer a Sua palavra. Ele é Soberano e tem o controle de todas as coisas sob Suas mãos. Abrão não precisava "ajudar" Deus a cumprir o que havia lhe prometido, ou mesmo descobrir um atalho para antecipar o cumprimento dos desígnios divinos. Infelizmente, o patriarca não soube esperar e decidiu agir mais uma vez impelido pela emoção.
O Objetivo deste comentário é contribuir para o preparo de sua aula, e apresentar um subsídio a parte da revista, trazendo um conteúdo extra ao seu estudo. Que Deus nos ajude no decorrer desta maravilhosa lição.
O PAI DA FÉ E A TENTATIVA DE AJUDAR A DEUS
O tempo passou e Sarai continuava sem filhos. Deus não prometeu que o filho viria dela (15.4) e o problema de uma promessa não cumprida permanecia. Na opinião de Sarai, a resposta era o costume da pátria de onde vieram. Este costume dizia que a esposa sem filhos tem de oferecer ao marido uma criada para servir no lugar dela. A descendência seria considerada sua.8 Sarai tinha uma serva egípcia chamada Agar, que ela ofereceu a Abrão. Abrão aceitou a oferta e pouco tempo depois Agar teve um filho.
Sarai olhou as suas circunstâncias e entendeu que deveria agir, mesmo que de maneira imprudente. Para ela, a promessa divina dada a Abrão não a incluía, pois diante de suas impossibilidades não podia mais gerar. Com isso recorreu a um costume de sua terra, na qual Deus mandou abandonar, e assim trouxe para a sua casa consequências nas quais não deveria trazer.
Sara desesperou-se para dar à luz o herdeiro que Deus havia prometido a Abraão. Sara, então, incentivou seu marido a gerar uma criança com Agar (Gn 16.1-3), utilizando um expediente legal e normal, frequentemente atestado na Antiga Babilônia, e nos textos de Nuzu. Pela lei, uma esposa sem filhos deveria prover a seu marido uma mulher, geralmente, uma escrava, que lhe geraria filhos em nome da esposa. Sara também agiu dentro de seus direitos de acordo com as leis comuns da Mesopotâmia ao tratar Agar rispidamente por desprezar sua senhora estéril (Gn 16.4; código de Hamurabi, #146). Quando Agar ficou grávida e fugiu, foi necessária uma intervenção divina para trazê-la de volta à casa de Abraão, onde nasceu Ismael (Gn 16.5-15).
A atitude de ambos foi inconsequente. O que Deus estava fazendo foi, mais uma vez, colocar Abrão em um processo de amadurecimento de fé. Olhando em sua ótica, a promessa divina jamais poderia vir de sua esposa, tendo em vista as complicações de sua idade. Sarai, de igual modo, não creu plenamente na promessa divina, acreditando que sua condição não a permitiria ser a portadora da promessa.
O que aprendemos com essa parte da história de Abrão é que, independentemente de quem seja, a promessa divina pode nos parecer impossível, principalmente na condição na qual nos encontramos, contudo, Deus sempre prepara o caminho para que nós possamos receber o cumprimento da promessa e termos condições espirituais e de maturidade para agirmos bem naquilo que receberemos.
Destaque
Os muitos anos de espera para ver se cumprir a promessa de que teria um herdeiro provocou no patriarca um cansaço espiritual. Abrão já não via mais esperança de que Sarai lhe daria um filho. Por outro lado. Sarai entendeu que, em razão da sua velhice, já havia cessado os dias da sua capacidade de gerar filhos. E vendo o quanto era importante para seu marido ter um herdeiro, permitiu que sua concubina Agar se deitasse com Abrão a fim de lhe gerar um filho.
AS CONSEQUÊNCIAS DE AGIR POR CONTA PRÓPRIA
As consequências da escolha de Abrão e Sarai chegaram. Toda ação gera uma inevitável consequência, pois colheremos apenas o fruto da semente que plantamos. A casa de Abrão agora enfrentava um conflito, pois a escrava possuíra em seu ventre um herdeiro, gerado na casa de Abrão sob a autorização dele e de Sarai.
Emoções profundas e intensas no coração de cada participante estavam emaranhadas com o problema de interpretar uma promessa divina por meio de providências legais. Agar ficou arrogante com sua senhora, e Sarai ficou amarga e abusiva. Indo ao marido, ela o acusou de privá-la dos direitos básicos de esposa e exigiu que tomasse uma atitude.
Sarai começou, a partir da gravidez de Agar, a ficar revoltada e com o seu coração amargurado, fruto de uma decisão baseada em sua emoção. Ela agora começou a afligir a sua serva, e a fazer com que Agar não se sentisse bem em permanecer dentro da tenda de Abrão, algo que fez Agar tomar uma atitude drástica.
Abrão recusou punir Agar, mas permitiu que Sarai agisse como quisesse. O mesmo costume que permitia uma esposa substituta não permitia a expulsão desta esposa depois que ela ficasse grávida, qualquer que fosse sua atitude. Mas Sarai era diligente. Ela afligiu-a, forçando a moça a fugir.
Durante sua fuga, aflita e humilhada, Agar sentiu o cuidado de Deus por causa de Abrão. Dentro de seu ventre não estava qualquer criança, mas sim o filho de um servo que recebera uma grande promessa do seu Deus. Assim como o fruto da promessa (Isaque), aquele que Agar carregava também haveria de ser uma grande nação, e por isso Deus a encontrou e a confortou no caminho.
O DEUS QUE CONDUZ A HISTÓRIA
Agar estava a caminho de sua pátria, o Egito, quando o Anjo do Senhor lhe apareceu numa fonte ao chegar ao deserto de Sur. Em resposta à pergunta, Agar confessou que estava fugindo de Sarai. Em vez de mostrar compaixão, o Anjo do Senhor ordenou que a moça voltasse à sua senhora. Em troca desta submissão ao abuso, Agar recebeu a promessa de numerosa semente. A criança que nasceria se chamaria Ismael, como lembrança que Deus ouviu a oração de desespero que ela fez. O filho teria caráter incomum. Ele não se ajustaria bem com a família quieta de Abrão. Ele amaria a vida selvagem e livre do deserto. Poucos seriam os homens que gostariam do seu jeito.
Agar, agora, precisava entender que se encontrava em uma nova condição. Apesar de ainda ser a serva de Sarai, ela carregava dentro de seu ventre um varão com uma grande promessa divina, e que foi cumprida a seu devido tempo. Ismael nasceu, e dele uma grande nação prosperou e ficou numerosa.
Isso moveu o coração de Agar que, prontamente, se rendeu ao Deus Todo Poderoso. Ela sentiu o cuidado divino através das palavras do Anjo do Senhor, e assim retornou à tenda de Abrão.
A resposta de Agar foi gratidão e adoração. Deus reparou em sua situação aflitiva e ela ficou grata. Em vez de se ressentir com a ordem, ela fielmente refez o caminho de volta à tenda de Sarai. Em honra de sua grande experiência espiritual, ela deu nome ao poço de Laai-Roi (“A fonte daquele que vive e me vê”). Ela não resolveu problema algum fugindo. Agora ela enfrentava a dificuldade perante Sarai com coragem e nova esperança. No devido tempo, o filho nasceu e Abrão, evidentemente inteirado da experiência de Agar junto ao poço, chamou a criança Ismael. Ele teve um filho, mas não foi quem Deus prometeu.
Destaque
Nota-se que, além da esterilidade do ventre de Sarai, o tempo de espera tornou-se um desafio a mais para a fé de Abrão. Aprendemos a partir do seu exemplo que o exercício da fé depara-se com circunstâncias que são imprevisíveis. Nesse sentido, tanto a imprevisibilidade quanto o tempo são recursos que o próprio Deus instrumentaliza para forjar a fé no coração do fiel e torná-lo mais confiante no autor da promessa. Somente enfrentando esses desafios é que Abrão experimentou o amadureci mento espiritual e, por fim, pôde ser intitulado de "amigo de Deus".
Semelhantemente, Deus usa adversidades para nos fazer crescer na fé e conhecê-Lo não apenas como Criador e Soberano, mas a desfrutar da sua presença como o nosso Salvador e Senhor pessoal. Aquele com quem temos comunhão e ansiamos conviver por toda a eternidade (Hb 4.14-16).
COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - EV. ANTONIO VITOR LIMA BORBA