Lição 3 - A impaciência na espera do cumprimento da promessa V

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ASSEMBLEIA DE DEUS - IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM PERNAMBUCO

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SEGUNDO TRIMESTRE DE 2025

Adultos - HOMENS DOS QUAIS O MUNDO NÃO ERA DIGNO: O legado de Abraão, Isaque e Jacó

COMENTARISTA: Elinaldo Renovato de Lima

COMENTÁRIO: SUPERINTENDÊNCIA DAS EBD'S DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS EM PERNAMBUCO

 

LIÇÃO Nº 3 – A IMPACIÊNCIA NA ESPERA DO CUMPRIMENTO DA PROMESSA

INTRODUÇÃO

Nesta lição, estudaremos o capítulo 16 do livro de Gênesis, que registra a ocasião em que Abrão, seguindo o costume da terra e o conselho de sua esposa Sarai, numa tentativa de “ajudar” a Deus a cumprir com a Sua promessa, possui a escrava egípcia Agar, que gera a Ismael. Esta atitude precipitada de Abrão gerou uma série de conflitos familiares que perduram até os dias de hoje. Definiremos o termo “impaciência”; citaremos outros exemplos bíblicos de pessoas que não tiveram paciência de esperar o cumprimento da promessa de Deus; Veremos como ocorreu a proposta de Sarai para Abrão e o consequente nascimento de Ismael; e, finalmente, elencaremos recomendações bíblicas sobre a paciência.

I – DEFINIÇÕES E EXEMPLOS DE IMPACIÊNCIA NA BÍBLIA

1.1 Definição. O dicionarista Houass (2011, p. 1578) define o termo “impaciência” como: “qualidade, estado ou condição de impaciente; falta de paciência; incapacidade para sofrer sem se desesperar ou para suportar algo molesto ou incômodo; pressa em atingir algum objetivo; estado de preocupação, irritação, aborrecimento ou irritabilidade”. Foi esta a atitude de Abrão e Sarai: impaciência para esperar o cumprimento da promessa de Deus. Deus havia feito a promessa a Abrão (Gn 15.4), que o seu servo Eliezer não seria o seu herdeiro, e sim, um filho gerado por ele. No entanto, ele não teve paciência para esperar o tempo de Deus.

1.2 Exemplos de pessoas impacientes na Bíblia. Além do patriarca Abrão, a Bíblia registra outros exemplos de pessoas que não souberam esperar o tempo de Deus. Vejamos alguns:

1.2.1 O povo de Israel. Enquanto Moisés demorava no monte, o povo perdeu a paciência e pressionou a Arão para fazer um ídolo para ir adiante do povo na peregrinação com destino a Terra de Canaã. Resultado: esta atitude provocou a ira de Deus e a morte dos idólatras (Êx 32.1-35).

1.2.2 O rei Saul. Não teve paciência para esperar o profeta Samuel que iria oferecer sacrifício ao Senhor, e ele mesmo sacrificou (1Sm 13.8-14). Resultado: foi rejeitado por Deus e o reinado não perpetuou através de sua linhagem. Estes e outros textos da Bíblia nos ensinam que a impaciência geralmente revela a falta de confiança no tempo de Deus e o foco no imediato, não no que é eterno. As consequências pela falta de paciência são inevitáveis.

II – A ATITUDE PRECIPITADA DE ABRÃO E SARAI E AS CONSEQUÊNCIAS DA IMPACIÊNCIA DE AMBOS

O capítulo 16 de Gênesis, relata um momento de impaciência de Abraão e Sarai diante da promessa de Deus. Como Sarai não podia ter filhos, ela decide entregar sua serva egípcia, Agar, a Abraão para gerar um filho em seu lugar. Abraão aceita, e Agar engravida e dá à luz a Ismael. Essa atitude precipitada de Sarai trouxe diversas consequências para a família do patriarca Abrão, e foi registrada nas Sagradas Escrituras para que possamos evitar cometer os mesmos erros que eles cometeram. Vejamos como se deu esta atitude impaciente e precipitada do nosso pai na fé: 2.1 A esterilidade de Sarai e sua decisão precipitada (Gn 16.1). “Apesar de saber que lhe cabia prover um herdeiro a Abrão, Sarai não lhe dava filhos (Gn 16.1). Era dez anos mais jovem que Abrão (Gn 17.17), mas já estava com 75 anos e “já lhe havia cessado o costume das mulheres” (Gn 18.11), ou seja, havia passado da idade de ter filhos. Sarai atribuía sua esterilidade ao Senhor que me tem impedido de dar à luz filhos (Gn 16.2a). Como qualquer outra mulher (com algumas possíveis exceções em tempos modernos), Sarai desejava ter uma família e, portanto, elaborou um plano para obtê-la” (Adeymo, 2010, p. 35).

2.2 A decisão precipitada de Sarai (Gn 16.2,3). “Seguindo um costume da terra, Sarai ofereceu a Abrão sua serva egípcia Agar, para que Abraão gerasse filho através dela. “Entre o povo da Mesopotâmia, o costume, quando a esposa era estéril, era deixar que a sua serva tivesse filhos com o esposo. Esses filhos eram considerados filhos legítimos daquela esposa. (1) Apesar de existir então esse costume, a tentativa de Abrão e Sarai de terem um filho através da união de Abrão com Agar não teve a aprovação de Deus (Gn 2.24). (2) O NT fala do filho de Agar como sendo o produto do “esforço humano segundo a carne”, e não “segundo o Espírito” (Gl 4.29). Segundo a carne, equivale ao planejamento puramente carnal, humano, natural. Noutras palavras, nunca se deve tentar cumprir o propósito de Deus usando métodos que não são segundo o Espírito, mas esperando com paciência no Senhor e orando com fervor” (Stamps, 1995, p. 55, grifo nosso).

2.3 A gravidez de Agar e o conflito com Sarai (Gn 16.4-6). “Não tardou e as consequências do ato precipitado de Sarai se manifestaram. A primeira delas foi a ingratidão de Agar para com sua senhora. Mesmo sendo honrada pelo ato generoso, embora errado, de ter sido colocada nos braços de Abrão, para que este pudesse ter um filho e a promessa de Deus se cumprisse, a serva egípcia se comportou como uma competidora. Ela passou a desprezar sua senhora, certamente lhe causou inveja e malestar. Talvez tenha dito a Sarai: “Está vendo? Ele me ama mais do que a você!” ou “Eu sou mais abençoada por Deus que você!”, “Você é estéril, e eu estou grávida!”. Palavras como essas, se foram ditas, podem ter feito doer grandemente o coração de Sarai. Provavelmente, ela se arrependeu de ter tido a ideia de entregar sua serva a Abrão. Mas já era muito tarde” (Renovato, 2026, p. 35).

III – A FUGA DE AGAR, O ENCONTRO COM O ANJO DO SENHOR E O NASCIMENTO DE ISMAEL

Após a gravidez de Agar, começam os conflitos no lar do patriarca Abrão. Sarai começou a ser menosprezada por sua serva Agar. Então, Abrão deu carta branca a Sarai para fazer o que ela bem entendesse com sua serva. Sarai, então a afligiu e ela fugiu de sua face e o anjo do Senhor a encontrou no caminho. Vejamos:

3.1 A fuga de Agar e o encontro com o Anjo do Senhor (Gn 16.7–9). Depois de afligida por Sarai, Agar fugiu de sua face e encontrou-se com o anjo do Senhor. “O “anjo do Senhor” (às vezes chamado “o anjo de Deus”) é mencionado mais de 60 vezes na Bíblia e é o porta-voz pessoal de Deus e seu representante diante da humanidade. Em certas ocasiões no Antigo Testamento, o anjo praticamente é identificado com o próprio Deus, como no encontro de Jacó em Betel, com Moisés na sarça ardente e no livramento do Egito (Gn 31.13; Êx 3.2; Jz 2.1). Na época de Abraão, o anjo apareceu a Agar no deserto e disse-lhe que voltasse para sua senhora Sarai; prometeu também que Deus multiplicaria grandemente seus descendentes (Gn 16.712) (Gardner, 2016, p. 129).

3.2 A promessa a respeito de Ismael (Gn 16.10–12). O Anjo do Senhor fala a Agar e promete que sua descendência será extremamente numerosa, impossível de contar (Gn 16.10). Em seguida, anuncia o nascimento de seu filho, que deverá se chamar Ismael, porque Deus ouviu o seu sofrimento (Gn 16.11). Também descreve o caráter e o destino de Ismael: ele seria um homem indomável, comparado a um jumento selvagem; viveria em conflito com todos, e todos estariam contra ele, habitando em tensão e oposição com seus irmãos (Gn 16.12). “Agar deve ter sentido grande surpresa e alívio, ao ouvir as palavras do Anjo. Refeita do impacto das promessas, a serva de Sarai, cheia de ânimo, expressou sua alegria. “E ela chamou o nome do Senhor, que com ela falava: Tu és Deus da vista, porque disse: Não olhei eu também para aquele que me vê? Por isso, se chama aquele poço de Laai-Roi; eis que está entre Cades e Berede” (Gn 16.13-14) (Renovato, 2026, p. 37).

3.3 O nascimento de Ismael (Gn 16.15–16). Abrão era da idade de oitenta e seis anos quando Ismael nasceu (Gn 16.16). “O nome Ismael significa Deus ouve e significa que Deus viu o modo injusto de Abrão e Sarai tratarem Agar, e que também agiu a respeito disso. Aquele nome dado antecipadamente foi um julgamento sobre Abrão, e revela que Deus abomina toda e qualquer injustiça entre os seus” (Stamps, 1995, p. 56). Os acontecimentos deste capítulo mostram claramente que escolhas erradas geram problemas persistentes. O erro de Abrão criou conflitos entre ele e Sarai (Gn 16.5; Gn 21.8-21; 25.6), entre Sarai e Agar (Gn 16.5-6) e entre os filhos, Isaque e Ismael, e seus descendentes (Gn 21.8-10).

IV – RECOMEDAÇÕES BÍBLICAS ACERCA DA PACIÊNCIA

Assim como a Bíblia adverte acerca do perigo da impaciência, ela também nos exorta a esperar com paciência. Vejamos alguns exemplos:

4.1 No Antigo Testamento.

• “Descansa no Senhor e espera nele...” (Sl 37.7).

• “Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera, pois, no Senhor” (Sl 27.14).

• “Somente em Deus espera silenciosa a minha alma... Ó minha alma, espera somente em Deus...” (Sl 62.1,5).

• “Mas os que esperam no Senhor renovarão as suas forças...” (Is 40.31).

• “Por isso o Senhor esperará, para ter misericórdia de vós... bem-aventurados todos os que nele esperam” (Is 30.18).

4.2 No Novo Testamento.

• “Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa” (Hb 10.36).

• “...sejais imitadores daqueles que, pela fé e paciência, herdam as promessas” (Hb 6.12).

• “Sede, pois, irmãos, pacientes... fortalecei o vosso coração...” (Tg 5.7,8).

• “Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o aguardamos” (Rm 8.25).

• “Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança, porque fiel é o que prometeu” (Hb 10.23).

CONCLUSÃO

A impaciência de Abrão e Sarai acarretaram drásticas consequências não só para suas famílias, mas, também, para toda
humanidade, pois, ainda hoje existe rivalidade por parte dos descendentes de Isaque e de Ismael. Esperar em Deus não é fácil, mas, nunca é tempo perdido. Por isso, não devemos nos precipitar que querer “ajudar” a Deus a cumprir com as Suas promessas. O que Ele prometeu, Ele cumprirá, no tempo determinado, pois Ele não falha, não atrasa e não chega incompleto. Cada promessa tem o seu tempo certo e a maneira certa para se cumprir. REFERÊNCIAS

• ADEYEMO, Tokunboh. Comentário Bíblico Africano. EDITORA GERAL.

• GARDNER, Paul. Quem é quem na Bíblia Sagrada. VIDA.

• HENRY, Matthew. Comentário Bíblico. CPAD.

• KIDNER, Derek. Gênesis: Introdução e Comentário. EDITORA CULTURA CRISTÃ.

• RENOVATO, Elinaldo. Homens dos quais o mundo não era digno. O legado de Abraão, Isaque e Jacó. CPAD.

• STAMPS, Donald. Bíblia de EStudo Pentecostal. CPAD.

Fonte: https://redebrasiloficial.com.br/licao_ebd.php Acesso em 12 de Abr de 2026