ASSEMBLEIA DE DEUS TRADICIONAL NO AMAZONAS
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2026
Adultos - A SANTÍSSIMA TRINDADE - O Deus Único revelado em Três Pessoas Eternas
COMENTARISTA: Douglas Roberto de Almeida Baptista
COMENTÁRIO: EV. ANTONIO VITOR DE LIMA BORBA

LIÇÃO Nº 13 – A TRINDADE SANTA E A IGREJA DE CRISTO
No final de Seu ministério terreno, Jesus disse a Seus discípulos que o cumprimento da missão de evangelizar o mundo contaria com a presença de "outro Consolador", que estaria com eles ensinando e confirmando a mensagem com poder e autoridade (Jo 14.16, 26). Estes versículos ressaltam que a obra realizada pela Igreja é coordenada pelo Espírito Santo. Lucas endossa em Atos que nossos primeiros irmãos perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações (At 2.42).
O Objetivo deste comentário é contribuir para o preparo de sua aula, e apresentar um subsídio a parte da revista, trazendo um conteúdo extra ao seu estudo. Que Deus nos ajude no decorrer desta maravilhosa lição.
A TRINDADE E O PLANO REDENTOR
As doutrinas bíblicas da eleição e da predestinação estão entre as mais mal compreendidas pelos cristãos em nossos dias, e isso se deve, sem sombra de dúvida, ao fato de que elas têm sido alvo de intensa retórica e disputa por parte dos teólogos e pregadores2. A má interpretação destes temas tem conduzido a muitos a um caminho confuso e perigoso, o qual pode causar um grande dano à vida espiritual do cristão.
Eleição nada mais é do que o ato de eleger, escolha. Diploma, selo, divino com que é agraciado todo o que recebe a Cristo Jesus como seu Único e Suficiente Salvador (Jo 3.16). A eleição subentende que a pessoa, mediante o sacrifício de Cristo, já atendeu a todos os requisitos exigidos pela justiça de Deus quanto ao perdão de seus pecados.
Em linhas gerais, a Eleição é um ato condicionado e Cristocêntrico, onde o Altíssimo, por meio de Sua presciência, elegeu em Cristo àqueles que creriam em Jesus como Redentor de suas almas, de modo que alcançado pela graça, por meio da fé em Jesus, o homem arrependido e regenerado, agora é justificado e adotado por Deus.
A Eleição é condicional, exatamente por impor uma condição para ser eleito. Nesse caso, Deus elegeu para salvação o povo que creria em seu Filho, ou seja, a condição para ser salvo é a fé em Jesus. O Criador elegeu para ser seu povo todo aquele que creria em Jesus. Também é conhecida como “eleição corporativa”, uma vez que aqueles que creem formam uma corporação. Nesse sentido, o indivíduo torna-se eleito a partir do momento em que crê em Jesus, e continua sendo eleito enquanto perseverar crendo.
Em Cristo fomos eleitos, como também redimidos. Ele é o meio pelo qual a eleição divina nos é proporcionada. Nós fomos redimidos por Cristo, e nenhuma outra coisa se faz necessária. Muitos, de maneira infeliz, apresentam mediadores que não são capazes de salvar a si mesmos, mas que surgem com a promessa de interceder e mediar a salvação da alma do aflito. Estes não compreendem o tamanho da obra de Cristo. Ele veio como suficiente e Sua obra foi perfeita e definitiva.
A palavra redenção significa recurso capaz de salvar alguém de uma situação aflitiva. A Bíblia diz: “Nenhum deles, de modo algum, pode remir a seu irmão ou dar a Deus o resgate dele (pois a redenção da sua alma é caríssima, e seus recursos se esgotariam antes)” (Sl 49.7,8). Jesus, porém, pagou o maior resgate que jamais foi pago. Ele deu a sua própria vida em resgate por nós (Mt 20.28), em “preço de redenção”.
Eleitos por Deus, e redimidos pelo sangue de Cristo, somos agora convidados para vivermos uma vida santa (Hb 12.14). O Espírito Santo é quem opera em nós essa obra, que inicia logo após a regeneração na ocasião de nossa conversão.
O Espírito Santo ajuda o crente a entregar-se inteiramente ao Senhor, para assim dominar a sua velha natureza (Gl 5.16,17). O fruto do Espírito se manifesta, então, livremente na sua vida, para que “todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis” (1 Ts 5.23); “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5.16). É o fruto da santificação que se manifesta (Rm 6.22). Assim, “não são as boas obras que fazem o homem bom, mas o homem bom faz as boas obras” (Lutero). O Senhor espera frutos na nossa vida (Ct 6.11; 7.13). Que os tenhamos para lhe oferecer (Ct 4.16).
Destaque
Deus, por um eterno e imutável decreto em Jesus Cristo, seu Filho, antes de ter lançado os fundamentos do mundo, decidiu salvar, dentre a raça humana caída em pecado, os que, em Cristo, por causa de Cristo e através de Cristo, por meio da graça do Espírito Santo, creriam nesse seu Filho, e que, pela mesma graça, perseverariam até o fim nessa fé e obediência de fé.
Através da aplicação de sua obra salvífica pela ação do Espírito Santo, a Igreja seria formada. Ela é constituída por todos aqueles que creram em Cristo e sua obra salvadora (Mc 16.15; Jo 3.16). Essa é a forma que Deus estabeleceu para que o seu povo fosse formado: o sacrifício de Cristo e a fé nEle. Ou seja, a escolha se dá em Cristo. A eleição de um povo para Deus está em Cristo. É isso que a Bíblia quer dizer quando afirma que o Eleito de Deus – Jesus – é a cabeça, e nós, a Igreja, os que cremos nEle, somos seu corpo. Isso significa que somos eleitos também, por extensão, justamente por estarmos nEle, no Amado (Ef 1.6) […] A eleição de indivíduos na Bíblia ocorre apenas em relação à chamada ministerial. Deus, sabendo que determinadas pessoas lhe seguirão e segundo os propósitos que Ele tem em vista serem realizados, escolhe alguns indivíduos para exercerem funções ministeriais específicas de relevância no Seu Reino.
Não foi com ouro nem prata que fomos resgatados, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um Cordeiro imaculado e incontaminado (1 Pe 1.18,19; Mt 26.28; Lc 24 46,47; Hb 9.22). Assim, Jesus comprou-nos por “bom preço” (1 Co 6.20). Deus pode agora, por causa da morte de Cristo, dizer diante das exigências da Lei e da Justiça divina, a respeito de todos os que nEle crerem: “Livra-os, porque já achei o resgate” (Jó 33.24).
Santificação é, em primeiro lugar, a continuação da obra salvadora na vida do crente. A Bíblia afirma: “Aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o Dia de Jesus Cristo” (Fp 1.6). Essa “boa obra” começou pela salvação, quando recebemos a Jesus como nosso Salvador (Jo 1.12). Ele entrou na nossa vida (Ap 3.20; G12.20) e nós morremos para o mundo (Cl 3.1-3), ocasião em que nos tornamos participantes de uma nova natureza (2 Pe 1.4). Afinal, “tudo se fez novo” (2 Co 5.17). A mesma obra é agora aperfeiçoada pela santificação, através da qual Deus faz com que a nova natureza recebida pela salvação domine a velha natureza, para que a carne não receba mais ocasião (G1 5.13).
A IGREJA E A COMUNHÃO COM A TRINDADE
A comunhão com o Pai manifesta-se não apenas em devoção individual, mas também em amor para com o próximo (1 Jo 4 .20). Estar no amor de Deus implica caminhar na sua vontade e guardar os seus mandamentos (Jo 14.21). Não é meramente emocional, mas denota a verdadeira comunhão que se manifesta em uma vida de santidade, temor e dependência divina (Fp 2.12).
Somente temos comunhão com o Pai porque Ele nos amou, e através desse incomensurável amor nós nos aproximamos dEle. Hoje, portanto, somos convocados a progredir na caminhada de fé obedecendo aos mandamentos contidos em Sua Palavra, a fim de que estejamos contados como filhos de Deus.
Paulo afirma que nada pode separar o crente do amor de Deus, que está em Cristo Jesus (Rm 8.35-39). Esse amor é o sustento da comunhão com o Pai e a garantia da perseverança do crente. Por isso, a Igreja é chamada a permanecer nesse amor, pois nele encontra a vitalidade de sua vida espiritual.
Perseverantes e firmes no cumprimento do mandamento do Senhor, somos hoje parte integrante do Seu reino. Como participantes do Reino de Deus, temos, de igual modo, comunhão com o Filho, pois Ele é o nosso acesso ao Pai. Somente pelo sacrifício de Jesus foi que alcançamos a remissão dos nossos pecados, não tendo nenhum outro meio pelo qual o acesso ao Pai é alcançado.
João declara categoricamente: “Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1 Jo 5.12). A comunhão com Cristo é condição indispensável para a posse da vida eterna. Essa comunhão, porém, é também uma antecipação da plenitude escatológica: “Quando Cristo [...] se manifestar, então, também vós vos manifestareis com ele em glória” (Cl 3.4).
Por fim, como integrantes do Reino de Deus nós também temos comunhão com o Espírito Santo. É Ele quem aplica a obra de redenção em nossas vidas, como também, aplica em nossos corações a obra de redenção que o Pai ofertou e o Filho executou na cruz do calvário. É Ele quem nos ensina e guia, e somos moldados para termos o caráter de Cristo por meio de sua ação em nós.
Destaque
O salvo já experimenta a realidade da vida eterna no presente, mas aguarda sua consumação no futuro. A comunhão com Cristo tem início na regeneração, pela fé. Paulo explica que os crentes, unidos a Cristo, participam de sua morte, ressurreição e nova vida (Rm 6.4). Essa união com Cristo não é apenas simbólica, mas espiritual e real, de modo que a Igreja é chamada a morrer para o pecado e viver para Deus até glorificação final (Rm 6.5-6; 8.30).
A comunhão com o Espírito é marcada por ensino, consolo e direção (Jo 14.26; Jo 16.13). Outra dimensão dessa comunhão é a santificação (2 Ts 2.13). E o Espírito quem opera a purificação do coração, moldando o crente à imagem de Cristo. Além da santificação, o Espírito concede dons e poder para o serviço no Reino de Deus (1 Co 12.7). Ele participa das fraquezas do crente, sustentando em oração e fortalecendo na esperança da glória futura (Rm 8.16-17).
A IGREJA É ENVIADA PELA TRINDADE
A missão da Igreja é inseparável da economia trinitária da salvação: é enviada pelo Pai, confirmada pelo Filho e capacitada pelo Espírito Santo (At 1.8). O objetivo é de cumprir a vontade do Pai, que deseja reconciliar consigo o mundo por meio de Cristo (2 Co 5.18-20). A missão é ratificada pelo Filho, que comissionou a Igreja para anunciar o Evangelho a todas as nações (Mt 28.19-20). Esse envio confirma que a Igreja não é um projeto humano, mas uma instituição divina, chamada a ser testemunha da graça, do amor e da verdade de Deus em todos os tempos e lugares.
O papel missionário da Igreja é uma obra da Trindade. Quando folheamos as páginas bíblicas, entendemos que a pregação do Evangelho a toda criatura é fruto do grande amor de Deus para conosco. Foi Ele quem enviou o Seu Filho para que através de Sua morte, muitos pudessem experimentar a vida eterna.
O Pai é o grande arquiteto da obra da redenção. Ele planejou e a executou através do Seu Filho, que foi enviado pelo Pai, e após a Sua ressurreição comissionou a Igreja para o cumprimento e prosseguimento dessa grande obra. Não estou dizendo aqui que a Igreja redime, mas sim afirmando que o Senhor Jesus Cristo a comissionou para proclamar os feitos dessa grande redenção para toda a humanidade.
Esse comissionamento não seria algo que ocorreria sem o direcionamento divino, por isso o Espírito Santo foi enviado como o agente capacitador da Igreja. Ele veio para fornecer o poder e a ousadia necessária para que a Igreja avançasse, e isso fez com que o número de salvos crescesse cada dia mais.
A atuação do Espírito Santo na maioria dos crentes encorajava, assim, sua obra na minoria. As necessidades e os perigos que tinham em comum levavam-nos a congregar-se juntos. Era necessário o testemunho no Templo. Também era preciso o testemunho nos grupos que se reuniam nos lares. Desde o início, o Espírito Santo os ajudava a manter o equilíbrio sem incorrer nas formas vazias do ritualismo.
Destaque
Apesar da simplicidade dos irmãos ou mesmo da pouca estrutura logística que a igreja dispunha nos primeiros dias, nutria-se em seus corações o que havia de mais essencial para o cumprimento da missão. Era uma igreja marcada pelos princípios doutrinários deixados por nosso Senhor Jesus, que ainda estavam "frescos" na memória dos apóstolos; e, sobretudo, pelo amor cristão, marca principal do apostolado, pela qual o mundo saberia que eles eram discípulos do Senhor Jesus (Jo 13.35). Nesse contexto, o Espírito Santo assegurava a confiança para continuarem pregando a mensagem do Evangelho, quer trazendo à memória os ensinamentos de Jesus, quer confirmando a autoridade da mensagem por meio da operação de maravilhas e cura dos enfermos (At 5.12-16; Rm 15.19).
O Espírito Santo era realmente quem ensinava. Ele usava o ensinamento da verdade para levá-los à comunhão cada vez mais estreita, não meramente uns com os outros, mas primeiramente com o Pai e o Filho (1 Jo 1.3,7; 1Co 1.9). [...] Essa comunhão, essa união no Espírito, deu-lhes fé, amor e solicitude uns pelos outros, que os levava a compartilhar seus bens com os que precisavam (Tg 2.15,16; 1 Jo 3.16-18; 47,8,11,20). Nesse sentido, 'tinham tudo em comum' (At 2.44,45).
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