Lição 12 - O Filho e o Espírito Santo VI

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ASSEMBLEIA DE DEUS TRADICIONAL NO AMAZONAS

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PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2026

Adultos - A SANTÍSSIMA TRINDADE - O Deus Único revelado em Três Pessoas Eternas

COMENTARISTA: Douglas Roberto de Almeida Baptista

COMENTÁRIO: EV. ANTONIO VITOR DE LIMA BORBA

LIÇÃO Nº 12 – O FILHO E O ESPÍRITO

Nesta lição, veremos mais uma vez a Trindade desempenhando um papel importante no cumprimento do propósito eterno para salvação da humanidade. Assim como na lição anterior estudamos que o Pai atua em parceria com o Espírito para confirmar a nossa filiação, nesta lição veremos que o Filho exerceu Seu ministério terreno na dependência do Espírito Santo, revelando que a obra redentora é uma ação coordenada pela Trindade. O Pai envia, o Filho obedece e o Espírito capacita.

O Objetivo deste comentário é contribuir para o preparo de sua aula, e apresentar um subsídio a parte da revista, trazendo um conteúdo extra ao seu estudo. Que Deus nos ajude no decorrer desta maravilhosa lição.

O ESPÍRITO E A CONCEPÇÃO DO FILHO

O profeta Isaías profetizou: “Uma virgem conceberá e dará à luz um filho e será o seu nome Emanuel” (Is 7.14). Quando na plenitude dos tempos (Gl 4.4), o anjo Gabriel comunicou a Maria que ela seria o instrumento da encarnação de Jesus, disse-lhe: “Em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e por-lhe-ás o nome de Jesus” (Lc 1.31). Maria respondeu: “Como se fará isto, visto que não conheço varão?” (Lc 1.34) E Gabriel lhe revelou como este milagre aconteceria. Ele disse: “Descerá sobre ti o Espírito Santo e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra, pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35). Com a palavra: “Eis aqui a serva do Senhor, cumpra-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1.38), Maria aceitou, e o milagre aconteceu! Ela estava grávida! É impossível explicar este milagre em termos biológicos. O médico Lucas registrou este milagre no seu evangelho com fé e convicção, sem deixar uma sombra de dúvida. “Pela fé en tendemos” (Hb 11.3).

A concepção virginal de Cristo foi algo inimaginável à época. Culturalmente, se uma mulher virgem aparecesse grávida, a lógica humana apontaria que ela cometeu um ato de adultério contra o seu noivo a que estava desposada. Contudo, Deus preparou a Maria, uma jovem virgem de Nazaré, para cumprir um propósito que colocaria em risco a sua vida, mas que era um dos elementos que faria parte da redenção da humanidade.

A concepção de Jesus foi um ato miraculoso de Deus. Paulo disse que a encarnação de Cristo foi um milagre e a chamou de “mistério da piedade” (1 Tm 3.16). Maria concebeu pelo poder do “Espírito Santo”, cuja obra é santificar, e, portanto, santificou a virgem, para esse propósito (Lc 1.35).

O Cristo nasceu santo. Encarnou e viveu sem pecado, mesmo carregando o pecado de toda a humanidade sobre si. Ele é o Cordeiro de Deus, enviado como o sacrifício perfeito para a humanidade.

Ao atribuir o título de “santo” ao Filho desde o nascimento, o anjo não apenas descreve seu estado moral, mas confirma sua divindade intrínseca. [...] Do ponto de vista doutrinário, a santidade de Cristo constitui o fundamento da soteriologia cristã. Sem a santidade intrínseca do Filho, não haveria redenção, justificação nem santificação possíveis.

Destaque

A declaração angelical revela que Jesus nasceu santo, separado do pecado e consagrado desde a concepção pelo Espírito Santo. Essa santidade é atributo divino essencial, confirmando-o como verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Teologicamente, ela é a base da obra redentora de Cristo, pois somente um Salvador santo poderia cumprir a Lei, oferecer-se como sacrifício perfeito e conduzir os crentes à santificação. A santidade do Filho é a garantia da justificação e glorificação do salvo, bem como o paradigma da vida cristã conduzida pelo Espírito.

O FILHO E A SUA RELAÇÃO COM O ESPÍRITO

Ao referir-se ao logos, Verbo, João recua aos refolhos da eternidade, antes do princípio de todas as coisas. Quando tudo começou (Gn 1.1), o Verbo já existia. Ele já existia antes que a matéria fosse criada e antes que o tempo começasse. Ele é antes do tempo. E o Pai da eternidade.

Jesus é o Verbo de Deus, sendo eterno e da mesma essência que o Pai (Jo 1.1). João escancara a verdade que muitos tentam distorcer, e afirma, de uma vez por todas, que Jesus é eterno e também é Deus. O Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1.14), não para destaca-Lo como mais um “deus”, o que afirmam muitos heréticos. Cristo veio ao mundo como o grande episódio histórico, onde o próprio Deus se fez carne e habitou entre nós.

Jesus não começou a existir em Belém; Ele é coexistente com o Pai desde o princípio. Antes de tudo o que existe, o Verbo já existia: “Ele é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste” (Cl 1.17, NAA). Significa que “todas as leis pelas quais todo o mundo é uma ordem e não um caos são a expressão da mente do Filho [...] o Filho é o princípio e o fim da criação, e o poder que lhe dá consistência”.

Enquanto esteve nesta terra, o Verbo de Deus esteve sob a orientação e condução do Espírito Santo. O Espírito esteve atuando ativamente no ministério terreno de Cristo, mostrando que a Trindade esteve presente a todo momento na obra da redenção.

A missão de Jesus foi conduzida sob a unção e capacitação do Espírito Santo. A cada palavra proferida. Cristo falava as palavras de Deus porque o Espírito lhe fora dado “sem medida” (Jo 3.34). Logo, cada ensino tinha autoridade divina, mas comunicado por meio da unção do Espírito; a cada milagre realizado. Sob a mediação do Espírito “o poder do Senhor estava com Ele para curar” (Lc 5.17); a cada demônio expulso. Pela ação direta do Espírito, os espíritos malignos eram exorcizados “pelo dedo de Deus” (Lc 11.20); e a cada perdão ministrado. Concedido no contexto de sua autoridade ungida pelo Espírito (Lc 5.24).3

Destaque

Cristo não veio com ostentação, mas como servo, movido por compaixão divina (Fp 2.5-7). O Espírito o capacitava com sabedoria, inteligência, poder e direção (Is 11.2). Esse padrão mostra que até o Verbo encarnado escolheu depender do Espírito de Deus (Mt 4.1). O exemplo do Filho tem implicações diretas para os discípulos. Jesus deixou claro que a obra do Reino só pode avançar mediante a unção do Espírito (Lc 24.49; At 1.8). Isso confirma a ênfase pentecostal de que o batismo no Espírito Santo não é apenas experiência inicial, mas capacitação contínua para o testemunho eficaz, para a manifestação dos dons espirituais e para uma vida de santidade (1 Co 12.7-11).

A TRINDADE E A MISSÃO REDENTORA

O Filho, o Verbo Eterno, encarnou-se para cumprir perfeitamente a lei e assumir a penalidade do pecado (Jo 1.14; 2 Co 5.21). O credo Atanasiano (séc. IV) ratifica que Cristo “sofreu por nossa salvação: desceu ao inferno, ao terceiro dia ressurgiu dos mortos. Ascendeu aos céus: assentando-se à direita de Deus Pai Onipotente, de onde virá para julgar os vivos e os mortos”.

Já falamos em lições anteriores que a salvação é obra do Pai, que foi executada pelo Filho e com uma ação ativa do Espírito Santo. Essa ação conjunta demonstra que a Trindade propôs, executou e operou a obra de redenção na vida de cada pecador, resgatando o mundo de sua condenação eterna.

Essa cooperação, ratifica-se, demonstra que a redenção é, em sua essência, uma obra trinitária. Sem sobreposição ou confusão, mas em perfeita harmonia. Essa estrutura não revela três salvação distintas, mas uma só salvação trinitária: o Pai, em amor eterno pelos pecadores, envia; o Filho, em total submissão e obediência, executa; e o Espírito, em virtude e poder, aplica (1 Pe 1.2). A fé cristã encontra aqui sua base para viver na experiência do amor do Pai, na graça do Filho e na comunhão do Espírito Santo (2 Co 13.13).

Destaque

A atuação do Espírito na condução do Filho para cumprir Sua missão redentora era indispensável (At 10.38). Essa atuação contou com a submissão e humildade do Filho em se permitir ser conduzido pelo Espírito (Hb 5.7-9). Isso mostra que, mesmo sendo Deus, as três pessoas da Trindade atuam de maneira distinta, porém coordenada.

Observe que a condução do Espírito Santo na vida e ministério do Filho em momento algum anula Seu papel na Trindade ou nega Sua natureza divina. Ao abordarmos esses fatos em nossas classes, é importante enfatizar sempre que cada Pessoa da Trindade exerce Seu papel de maneira individual, mas coordenada com as demais. Essa atuação é vista de maneira muito clara na vida de Jesus, desde Seu nascimento até a realização de Seu ministério terreno, e revela o propósito de Deus em cada detalhe da Sua missão redentora.

COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - EV. ANTONIO VITOR LIMA BORBA