ASSEMBLEIA DE DEUS - MINISTÉRIO DO BELÉM - SEDE - SÃO PAULO/SP
PORTAL ESCOLA DOMINICAL
PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2025
Adultos - A SANTÍSSIMA TRINDADE - O Deus Único revelado em Três Pessoas Eternas
COMENTARISTA: Douglas Roberto de Almeida Baptista
COMENTÁRIO: Pr. Caramuru Afonso Francisco

LIÇÃO Nº 6 – O FILHO COMO O VERBO DE DEUS
Jesus é o Verbo de Deus.
INTRODUÇÃO
- Na sequência do estudo da Doutrina da Trindade, analisaremos Deus, o Filho como o Verbo de Deus.
- Jesus é o Verbo de Deus
I – JESUS, O VERBO
- Na lição anterior, vimos que as Escrituras mostram claramente que Deus, o Filho é Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
- Jesus é a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, assim considerada porque, na feliz expressão do Catecismo Maior de Pio X, na resposta à pergunta nº 71, “…é gerada pelo Pai por via de inteligência, desde toda a eternidade…” e, como diz o mencionado documento, “…por isso é também chamada Verbo eterno do Pai.…”
- O texto principal a respeito da deidade de Cristo é o início do evangelho segundo João, em que o “discípulo amado”, inspirado pelo Espírito Santo, mostra-nos com clarividência a natureza divina do Senhor Jesus.
- Neste texto, Jesus é apresentado como o “Verbo”, palavra que traduz, na Versão Almeida Revista e Corrigida, a palavra grega “Logos” (λόγος).
- O uso desta palavra pelo apóstolo tem trazido muitas discussões ao longo dos séculos, porque se trata de um termo que, na filosofia grega, tinha um significado todo especial, significado este, aliás, que havia sido como que “adaptado” ao judaísmo por um contemporâneo de Cristo, o filósofo judeu Filo (25 a.C.-±50 d.C.), natural de Alexandria e que se tornou o maior comentarista do texto grego do Antigo Testamento (a Septuaginta).
- Como o texto do evangelho segundo escreveu João é de cerca do ano 100 d.C., muitos discutem da possibilidade de João, um típico judeu palestino, ter tido acesso a tais comentários e, com esta expressão, ter querido expressar tudo o que o termo “Logos” significava no pensamento helenístico (ou seja, o pensamento dominante nos dias apostólicos, resultante da fusão entre o pensamento oriental e o pensamento grego).
- Entendemos que o termo “logos” traduz, sim, toda a riqueza do pensamento helenístico, pois o objetivo do Espírito Santo, ao inspirar o evangelista para escrever este Evangelho, foi mostrar a todos, judeus e gentios, que Jesus é Deus e que se poderia crer n’Ele como o Salvador (Jo.20:31).
- Não é por acaso que, ao longo dos séculos, notadamente após a Reforma Protestante, que milhares e milhares de vidas têm se convertido ao ler o evangelho segundo João, um dos mais poderosos instrumentos de evangelização da Igreja.
OBS: “…Qualquer pessoa que leia os conceitos (…) sobre a natureza do Logos, poderá perceber, de imediato, que o conceito do evangelho de João sobre o ‘Logos” realmente tem muitos elementos similares e que, na realidade, o autor desse evangelho se aproveitou de uma ideia corrente e bem conhecida no mundo helenista, a fim de expressar uma profunda verdade concernente à pessoa do Cristo encarnado. Que essa doutrina não foi criada no vácuo, e que não era inteiramente original a João (embora em seus escritos existam elementos diferentes), é fato que não deve causar surpresa a quem quer que seja, e nem deve esse fator ser considerado como algo que labora contra a veracidade dessa doutrina bíblica…” (CHAMPLIN, Russell Norman. Logos (Verbo). In: Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.3, p.900).
- Pois bem, qual é o significado de “Logos” para os gregos, para o pensamento helenístico, enfim, para a filosofia? “Logos” é uma palavra que tem duplo significado: discurso e razão. “Logos” tanto significa “discurso” ou “palavra”, como também, tem o significado de “razão”, “pensamento”, “raciocínio”.
- Assim, para os gregos, “logos” é uma palavra que tanto nos remete para a linguagem, para a comunicação, como também para a razão, para o pensamento. Ao dizer que Jesus é o “Logos”, portanto, estamos afirmando que, a um só tempo, Jesus é a Palavra, a comunicação que Deus faz de Si mesmo, como também que é Ele a razão, o pensamento, a inteligência que tudo sustenta, que tudo ordena, que tudo organiza.
- O primeiro filósofo a empregar esta palavra foi o efésio Heráclito (570-470 a.C.), que dava o nome de “Logos” ao “princípio de todas as coisas”, princípio este que era o próprio movimento, a própria mudança, porque tudo mudaria, menos a mudança.
OBS: Interessante observar que os estudiosos entendem que João escreveu o seu evangelho em Éfeso.
- Os filósofos estoicos (At.17:18) recuperaram esta ideia do mundo como uma constante mudança que havia em Heráclito e entenderam que o “Logos” é o princípio que animava o universo, a própria essência do mundo, que se encontrava em cada ser humano como princípio racional.
- “Logos”, aliás, desde Sócrates, tinha deixado de significar apenas “palavra”, “conversa”, para ter o significado de “razão”, de entendimento de algo (470-399 a.C.).
OBS: “…A ideia do Logos reapareceu no estoicismo, onde se tornou um virtual sinônimo de Deus. Os estoicos, porém, não concebiam um Deus pessoal. O Logos, para eles, era um poder cósmico impessoal que se emanaria e se recolheria de novo, em grandes ciclos, criando tudo e, então, anulando tudo, mediante a reabsorção em si mesmo.(…). O Logos existente na razão (racionalidade), dentro da psiquê humana é a força divina em operação. Essa racionalidade (no latim, ratio) torna-se palavra (no latim, oratio) nos lábios humanos, de tal modo que os homens podem falar sabedoria.…” (CHAMPLIN, Russell Norman. op. cit., pp.901-2).
COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - PR. CARAMURU AFONSO FRANCISCO