Adultos

Lição 1 - Parábola: uma lição para a vida IV

ASSEMBLEIA DE DEUS - SETOR 38 (MÁRIO LIRA I) - NATAL/RN

PORTAL ESCOLA DOMINICAL

QUARTO TRIMESTRE DE 2018

Adultos - AS PARÁBOLAS DE JESUS: as verdades e princípios divinos para uma vida abundante

COMENTARISTA: WAGNER TADEU DOS SANTOS GABY

COMENTÁRIO: DC. ANTONIO VITOR LIMA BORBA

LIÇÃO Nº 1 – PARÁBOLA: UMA LIÇÃO PARA A VIDA

Estamos dando início a mais um trimestre debaixo da Graça do nosso Deus. Neste estudaremos a cerca das Parábolas de Jesus, que nos traz ensinamentos maravilhosos para nosso cotidiano na vida cristã.

Aqui abordaremos a cerca do que é uma parábola, sobre o contexto social e literário de quando e onde foram proferidas e trazemos alguns passos para sua real interpretação. Que Deus nos abençoe no decorrer desta lição.

O que é uma Parábola?

Uma parábola nada mais é do que uma “comparação, alegoria. Narração que toma como base um fato para servir de comparação a um ensino moral ou religioso” (ANDRADE 1996, p. 292). Elas podem ser apenas uma símile (algo que é análogo, ou semelhante) simples de algo, ou histórias bem elaboradas sobre situações. A palavra “parábola” indica, literalmente, “comparação”, e é comumente usada para indicar uma história breve, um exemplo esclarecedor, que ilustra uma verdade qualquer. A parábola não é uma fábula, porque a fábula é uma forma de história ilustrativa fictícia e que ensina através da fantasia, mediante a apresentação de animais que falam ou objetos animados. (CHAMPLIN 2015, vol 05, p. 57). Podemos encontrar basicamente duas finalidades para o emprego das parábolas por Jesus. O primeiro seria revelar a verdade de um modo comparativo, pois elas podem deixar uma impressão duradoura e mais efetiva do que um discurso simples. O segundo é o simples fato de ocultar a verdade daqueles que estão com o coração duro para recebê-la.

O fato do emprego de um ensino através de uma verdade oculta, desperta na vida do verdadeiro discípulo de Cristo o desejo de entender aquilo que está sendo passado como lição para as suas vidas, exemplo disso é que os apóstolos, na condição de discípulos de Jesus, sempre o interrogavam a respeito da interpretação das parábolas (Mt 13.36; 15.15), e Jesus sempre os explicava em particular (Mc 4.34).

As parábolas são histórias tiradas da vida diária para descrever e ilustrar certas verdades espirituais. Sua singularidade consiste em revelar a verdade aos espirituais e, ao mesmo tempo, ocultá-la dos incrédulos (Mt 13.11). (STAMPS 1995, p. 1414) Cabe ressaltar aqui que Jesus não criou o modo de ensino através de parábolas. No Antigo Testamento encontramos algumas parábolas, e aqui estão algumas delas: As árvores que escolheram um rei (Jz 9.7-15); A ovelha do homem pobre (2 Sm 12.1-4); e A vinha estéril (Is 5.1-7). Somente no livro de Ezequiel encontramos ao menos 4 parábolas descritas (Ez 17.3-10; 19.2-9; 24.3-5; 24.10-14). Sem falar que existem ao menos 325 parábolas rabínicas conhecidas.

O Senhor Jesus proferiu quarenta e uma parábolas, agora preservadas em nossos evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas) […] Muitas das parábolas de Jesus dizem respeito ao reino de Deus, em sua natureza, valor, desenvolvimento, etc. Porém, além desse assunto, muitas outras questões foram abordadas pelo Senhor Jesus. (CHAMPLIN 2015, vol 05, p. 58)

Contexto Social e Literário em que as parábolas foram proferidas

Galileia

Encontramos nos evangelhos uma relação especial do ministério de Jesus com a Galileia. Podemos listar aqui algumas cidades galileias que se tornaram conhecidas por causa do ministério de Cristo. Cesareia, Tiberíades, Corazim, Betsaida e Cafarnaum são exemplos disso. Os primeiros discípulos de Jesus estavam pescando na Galileia (Mt 4.18). Contudo, os galileus eram muito ousados e fáceis de se encher de ira. Como patriotas, eram muito desgostosos por causa da dominação romana (iniciada em 47 a.C, por Herodes), e por isto realizavam revoltas, e muitas delas sangrentas (Lc 13.1,2). Em 47 a.C., Roma enviou Herodes, o Grande, a fim de conquistar a Galileia [...]Os zelotes opunham-se ao domínio romano e tinham sua base mais forte na Galileia. Alguns dos discípulos de João Batista pertenciam a este grupo. (CHAMPLIN 2015, vol 02, p. 857) Em meio esta região de conflitos Jesus transmite grandes ensinos, inclusive numa região muito próxima da margem do mar da Galileia, no monte das Beatitudes (Conhecido no passado como monte Eremos), Jesus Cristo proferiu o grande Sermão da Montanha. Nessa província, Jesus reforçou seu ensino com parábolas memoráveis, ilustrando o amor de Deus pelos pecadores, o amor que devemos ter uns com os outros, a maneira como a Palavra de Deus vem e o Reino de Deus cresce, a responsabilidade de o discípulo desenvolver seus dons e o julgamento daqueles que rejeitam o Evangelho. (GABY 2018, p. 25)

Jerusalém

Jerusalém é uma das cidades mais antigas do mundo, a ponto de serem encontradas menções a seu respeito em documentos egípcios de aproximadamente 1900 a 1800 anos a.C. “A cidade de Jerusalém tornou-se capital de Israel por volta de 1000 a.C. A partir daí, estaria permanentemente ligada à alma hebreia. (ANDRADE 2001, p. 211) Jerusalém fica numa elevação do terreno cercada por outras elevações. Era fácil para os defensores de Jerusalém pensar que a sua cidade estava segura por causa delas [...]Acima de Jerusalém, para o oeste, fica o monte das Oliveiras. Foi ali que Jesus olhou para a cidade e chorou, e onde contou aos discípulos sobre o fim do mundo que se aproximava. (GOWER 2012. p. 173) Jesus também exerceu parte de seu ministério em Jerusalém. Foi lá que ele ensinou e operou milagres. Enquanto o povo por um lado estava no aguardo do Messias prometido, Ele (Jesus, o Messias) estava no meio deles livrando uma mulher do apedrejamento, operando milagres e prodígios, realizando a sua entrada triunfal montado num jumentinho e deixando como ensino uma das ordenanças para a igreja que remonta a memória da Sua morte numa cruz.

Evangelhos

Compreender o contexto literário das parábolas de Jesus é algo de suma importância para o seu entendimento. Hoje nós temos contato com as parábolas de Jesus por intermédio dos Evangelhos, e eles têm por objetivo transmitir os relatos da vida e ensino de Jesus Cristo para todas as gerações de cristãos.

Nos evangelhos temos as boas novas a cerca de Jesus Cristo e trazidas por Ele. (CHAMPLIN 2015, vol 02, p. 603) Um fator aqui a se destacar é que embora contenham um relato da vida de Jesus e de seus ensinamentos, os evangelhos “não são biografias completas, pois não tentam narrar todos os fatos da carreira de Jesus; nem são apenas histórias; nem são sermões, embora incluam pregações e discursos; também não são apenas relatos de notícias.” (GABY 2018, p. 26)

Contudo neles nós temos relatos escritos por pessoas comuns, sobre uma mesma história, trazendo pontos de vista diferentes, de modo a se completarem num agrupamento de informações e elementos para sua correta interpretação.

Como ler e interpretar uma Parábola?

O ouvinte/leitor da parábola é incentivado a examinar a condição humana por meio da visão de mundo criada pela parábola […] Nossa tarefa inclui a responsabilidade de procurar entender as metáforas e as histórias de e sobre Jesus à luz da cultura de que ele fazia parte. (BAILEY 2008, p. 282-283) Alguns princípios básicos devem ser seguidos quando você se propõe a interpretar uma parábola, são eles:

1) Faça a análise da parábola por inteiro, observando o formato se sua escrita e como ela se encaixa no objetivo de cada evangelista. Ou seja, leia e releia o texto, verificando se ela também foi escrita em outro evangelho, de modo que você possa fazer uma comparação entre a escrita de ambos, sempre destacando os seus elementos principais, buscando auxílio para verificar o contexto em que cada parábola aparece.

2) Observe o cenário em que ela foi proferida.

Fazer uma análise do problema que Cristo enfrentava quando proferiu a parábola e para quem ele a emitiu, é um fator de crucial importância para chegar a real interpretação da mesma. A mudança destes elementos altera de modo direto no objetivo da mensagem.

3) Determine os pontos principais da parábola e não se atenha ao que foi omitido.

Identificar os pontos principais da parábola é outro passo importante para o seu entendimento. Muitas vezes este ponto está na introdução, outras no contexto histórico, enfim, analisar todo o texto é de suma importância neste aspecto, e para alguns casos até, verificar os costumes dos ouvintes pode auxiliá-lo nisso.

4) Relacione os pontos referentes ao ensino do reino à mensagem básica de cada Evangelho. Após considerar o desenvolvimento e a mensagem da parábola em si, é importante situar sua mensagem primeiramente dentro do contexto maior do ensino de Jesus e, depois, dentro das ênfases do Evangelho no qual ela se encontra. Isso ajudará o intérprete a evitar exageros ou más interpretações dos pontos. (OSBORNE 2009, p. 391-392)

5) Compare cada mensagem ao contexto geral do ensino de Jesus.

Para se entender uma parábola, é de suma importância que se entenda o amplo contexto da mensagem de Jesus. Quando se entende o objetivo geral da mensagem de Cristo, você consegue distinguir o porque dos elementos utilizados naquela parábola e qual o objetivo dela ter sido ministrada naquele momento.

Devemos ter em mente que não podemos criar invencionices para tornar uma mensagem extraída de uma parábola, para que ela se torne uma mensagem “atrativa”, pois a mensagem proferida por Jesus nos remete ao arrependimento, transformação e esperança, de modo que aquilo que é trazido como “alegoria homilética” deve ser desprezado, para que a verdadeira mensagem produza frutos em nossas vidas.

Esperando Jesus voltar hoje!

Referências:

- CHAMPLIN, Russel Normam. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, volumes 02 e 05. Hagnos, 2015;

- ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. CPAD, 1996;

- ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Geografia Bíblica. CPAD, 2001;

- STAMPS, Donald C. Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD, 1995;

- GOWER, Ralph. Novo Manual dos Usos e Costumes do Tempos Bíblicos. CPAD, 2012;

- BAILEY, Kenneth E. Jesus pela ótica do Oriente Médio. VIDA NOVA, 2008;

- OSBORNE, Grant R. A Espiral Hermenêutica. VIDA NOVA, 2009;

- GABY, Wagner Tadeu. As parábolas de Jesus. CPAD, 2018.

COLABORAÇÃO PARA O PORTAL ESCOLA DOMINICAL - DC. ANTONIO VITOR LIMA BORBA

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